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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

10 de setembro


10 de Setembro também será lembrado como o penúltimo dia de vida de muitos homens e mulheres
10 de setembro na História da Ciência

Em 10 de setembro de 2008 começou a funcionar o LHC (Large Hadron Collider, sigla em Inglês). O Grande Colisor de Hádrons do CERN, é o maior acelerador de partículas e o de maior energia existente do mundo. Seu principal objetivo é obter dados sobre colisões de feixes de partículas, tanto de prótons a uma energia de 7 TeV (1,12 microjoules) por partícula, ou núcleos de chumbo a energia de 574 TeV (92,0 microjoules) por núcleo. O laboratório localiza-se em um túnel de 27 km de circunferência, bem como a 175 metros abaixo do nível do solo na fronteira franco-suíça, próximo a Genebra, Suíça.

A primeira colisão entre prótons ocorreu 30 de Março de 2010. Em 19 de setembro de 2008, ocorreu um incidente no setor 3-4 do LHC que resultou em grande vazamento de hélio no túnel. Segundo uma nota de imprensa publicada pelo CERN no dia seguinte, foram feitas investigações preliminares que apontaram como provável causa do problema um defeito na ligação elétrica entre dois ímãs, o que causou a falha mecânica. A Organização informou na nota que o setor teria de ser objeto de reparos, o que interromperia o funcionamento do LHC por, no mínimo, dois meses. Os reparos demorariam apenas alguns dias, mas o setor onde ocorreu o incidente deve ser esfriado para tornar possível a manutenção, consequentemente levando mais tempo.

O retorno ao funcionamento: Depois de ficar desligado por quatorze meses, o LHC foi religado na sexta-feira, dia 20 de Novembro de 2009. Os primeiros testes duram apenas uma fração de segundo, onde as partículas somente podem dar meia-volta ou uma volta em torno do anel do acelerador. A circulação de partículas no gigantesco equipamento começará em um primeiro momento em baixa energia, com 450 GeV, e quando os cientistas injetarem feixes em direções opostas se produzirá, a essa velocidade, as primeiras colisões.

A partir de então, o experimento consistirá em ir aumentando progressivamente a potência da circulação dos prótons, até chegar ao momento mais esperado e temido por alguns: as primeiras colisões de partículas a velocidade próxima à da luz. Nesse momento, serão recriados os instantes posteriores ao Big Bang, o que dará informações chaves sobre a formação do universo e confirmará, ou não, a teoria da física baseada no Bóson de Higgs.

10 de Setembro na História do Brasil

Em 10 de setembro de 1836 aconteceu A batalha do Seival,  um conflito militar que ensejou a proclamação da República Rio-Grandense por Antônio de Sousa Neto. O embate deu-se nos campos dos Meneses, cruzando o arroio Seival.

Com o objetivo original de derrubar o presidente da província, apenas, os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais. Destacado por Bento Gonçalves, o coronel Neto deslocou-se, no início de setembro de 1836, à região de Bagé, onde encontrava-se o comandante imperial João da Silva Tavares, vindo do Uruguai. A primeira brigada de Neto, com 400 homens, atravessou o arroio Seival e encontrou as tropas de Silva Tavares sobre uma coxilha, com 560 homens. Durante a tarde de 10 de setembro de 1836, Silva Tavares avançou sobre a coxilha, e os revoltosos defenderam-se usando lanças e espadas.

Inicialmente houve pequena vantagem das forças imperiais, mas o cavalo de Silva Tavares, com o freio rebentado na peleia, disparou em velocidade, causando a impressão de fuga, mesmo entre seus comandados. A confusão entre eles foi aproveitada pelos cavaleiros de Neto, que atacaram com força redobrada. O resultado deste mal-entendido foi ficarem os revoltosos quase intactos, enquanto houve 180 mortos, 63 feridos e 100 prisioneiros do lado dos imperiais. Entre os prisioneiros estava João Frederico Caldwell, que em 1821 assinou o manifesto de 9 de janeiro, que solicitava que D. Pedro I ficasse no Brasil.

10 de setembro na minha história

Em 10 de setembro de 2009 eu, em processo de dês-religiosamento, escrevia as seguintes linhas do artigo “Quem vai explicar”.

O mundo, como nós o conhecemos está em progressiva decomposição. Em um nível físico, nós vemos a natureza sendo literalmente atropelada por esta máquina chamada progresso. Vemos nossos rios poluídos, vemos também a camada de ozônio sendo afetada por gases que as destroem, florestas desmatadas, doenças sem cura, enchentes no sul, secas no norte e nordeste, terremotos e maremotos, enfim esta é a realidade física de nosso planeta.

No  nível moral, nós já nem precisamos mais apontar falhas. Pois elas já estão bem explícitas. É só ligar a TV ou o rádio e se preparar para os absurdos tais como:

Políticos que fazem de sua vida pública uma extensão de sua vida privada, roubam, mentem, subornam, e são subornados. Programas de televisão como “No limite”, “Big Brother”, “Jogo Duro”, e “A Fazenda”, onde pessoas se submetem aos mais extremos níveis de humilhação e exposição, por dinheiro. Só que não percebem que não passam de espetáculo para um outro tanto de pessoas que, ao invés de se indignarem, dariam tudo para estar no lugar deles.

Outros programas, que uma “meia dúzia" de mulheres, que se acham detentoras da verdade, aparecem em rede nacional para expor problemas familiares como: Adultérios, homossexualismo, sexualidade na adolescência, e uma infinidade de outros assuntos. E o pior é que muitos cristãos não perdem um dia sequer esses espetáculos.

Escândalos envolvendo “pastores”, “apóstolos” e "bispos", já são comuns. Mas o que me “incomoda” é o fato de as pessoas não se “incomodarem" mais. Vejamos o caso do “apóstolo Estevam” e “bispa Sônia” que foram presos em flagrante delito, com dólares não declarados. Foram presos, e os fiéis da igreja renascer, têm o despautério de dizer que seus líderes estão sendo perseguidos. Chegam a comparar o Estevam com José do Egito (absurdo). Quando é que eles (Sônia e Estevam) vão aparecer em publico e pedir perdão aos seus membros e aos simpatizantes desta igreja, pois enquanto eles não fizerem isso, vão continuar sendo uma das maiores vergonhas no meio evangélico.

Sobre o Edir Macedo não precisa dizer nada, pois meu irmão Marcio Alves já escreveu o suficiente, e se, mesmo assim, com todos esses escândalos, os membros da igreja Universal do reino de “deus”, preferem viver dentro deste paradigma, então vale a frase: “A ovelha merece o pastor que tem”. Existe um outro “bando” de líderes evangélicos sem moral, vou citar alguns e quem quiser verificar seus perfis e as doutrinas que eles ensinam é só visitar suas igrejas (suas mesmos, porque do Senhor é que não são!) ou devo dizer “empresas”. Lá vai!

Apóstolo Sergio Lopes e bispa Vera Lopes; apóstolo Agenor Duque (Igreja Apostolica Plenitude do Trono de Deus); missionário Ezequiel Pires (um dos piores); missionário R.R. Soares, pastor Silas Malafaia; Renê Terra Nova;Valnice Milhomens;(pasmem!) Samuel Ferreira, bom, acho melhor parar por aqui, não por falta de elementos e sim por falta de coragem pra escrever tanto, e para não deixar a mensagem muito extensa. Esta é a realidade moral do nosso mundo.

Em nível espiritual, acho que o texto acima, dá uma idéia do que vem acontecendo espiritualmente com a população do mundo (planeta).

Os que estão no mundo (Jardim do maligno), já não se preocupam mais com suas almas e caminham para um abismo do qual poucos conseguem escapar e voltar-se da rebelião contra Deus. Mas cabe a nós Cristãos, pregarmos o evangelho de Cristo e resgatar essas vidas. Mas o que me deixa perplexo, não são os que estão no mundo, e sim os que estão na igreja.

Porque boa parte (pra não dizer a maioria) das igrejas que se dizem evangélicas, não passam de, como disse o apóstolo: “Sinagoga de satanás” (Apocalipse 2.9). Lugar onde pessoas vão buscar suas “bênçãos”, suas curas, seus óleos de unção, suas rosas de Sarom, ou vão participar de suas inúmeras campanhas de oração para receber algo do Altíssimo, esquecendo-se que a maior dádiva que nós poderíamos receber, Deus já nos deu, a saber, seu filho Jesus, morto numa cruz, para nos salvar do pecado, e nos proporcionar comunhão com Deus e consequentemente a salvação. Aí então viveremos eternamente com Deus. Qual será o alvo dessas pessoas? O céu....a benção...ou Deus? Reflita!

Então? Quem vai explicar para meus netos e bisnetos, como foi que eu...ou nós, permitimos que a sociedade (civilização) tenha marchado para esta destruição em que se encontra? Sem fazermos o possível e o impossível para revertermos este quadro.

Mas uma coisa ainda me alegra, ainda tenho uma esperança, que é saber que não estou sozinho nesta aflição. Existe ainda “7 mil” homens e mulheres que não se curvaram às seduções deste mundo. Hoje posso até ser considerado um herege, mas lá na frente, nós que “queimarmos na fogueira”, seremos contemplados com a presença eterna de nosso pai celestial.

Faço um convite a você que leu esta mensagem: Visite uma das igrejas Betesda de São Paulo, e veja que ainda existem homens preocupados com a pregação da palavra de Deus e comprometidos com os ensinamentos de Jesus. Perdoem-me aqueles que se sentirem ofendidos com minhas palavras, mas deixo claro que não me calarei diante de tanta irresponsabilidade com o futuro de nossos filhos.

Que Deus continue nos abençoando, se assim Ele quiser.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

7 de Setembro


7 de Setembro Na Política Brasileira

Em 7 de Setembro de 1961, João Belchior Marques Goulart se torna o 24º presidente do Brasil.
A renúncia de Jânio criou uma grave situação de instabilidade política. Jango estava na China e a Constituição era clara: o vice-presidente deveria assumir o governo. Porém, os ministros militares se opuseram à sua posse, pois viam nele uma ameaça ao país, por seus vínculos com políticos do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Apesar disso, não havia unanimidade nas altas esferas militares sobre o veto a Jango.

Liderada por Leonel Brizola, cunhado de Jango e governador do Rio Grande do Sul, teve início o que ficou conhecido como campanha da legalidade. Brizola e o general Machado Lopes, comandante do III Exército, baseado no Rio Grande do Sul, mobilizaram o estado em defesa da posse de Jango. Usando uma cadeia de mais de cem emissoras de rádio, o governador gaúcho conclamava a população a sair às ruas e defender a legalidade. A campanha da legalidade logo recebeu o apoio dos governadores Mauro Borges, de Goiás, e Nei Braga, do Paraná.

No Congresso Nacional, os parlamentares também se opuseram ao impedimento da posse de Jango. Na volta da China, Goulart aguardou em Montevidéu, capital do Uruguai, a solução da crise político-militar desencadeada após da renúncia de Jânio. Como os militares não retrocediam, o Congresso fez uma proposta conciliatória: a adoção do parlamentarismo. O presidente tomaria posse, preservando a ordem constitucional, mas parte de seu poder seria deslocada para um primeiro-ministro, que chefiaria o governo.

No dia 2 de setembro de 1961, o sistema parlamentarista foi aprovado pelo Congresso Nacional. No dia 8, Jango assumiu a presidência. Tancredo Neves, do PSD de Minas Gerais, ministro do governo Vargas, tornou-se primeiro-ministro.

7 de setembro na História do Brasil

Em 7 de setembro de 1822, foi proclamada a Independência do Brasil.

No final de agosto de, D. Pedro deslocou-se à província de São Paulo para acalmar a situação depois de uma rebelião contra José Bonifácio. Apesar de ter servido de instrumento dos interesses da aristocracia rural, à qual convinha a solução monárquica para a independência, não se deve desprezar os seus próprios interesses. O Príncipe tinha formação absolutista e por isso se opusera à Revolução do Porto, de caráter liberal. Da mesma forma, a política recolonizadora das Cortes desagradou à opinião pública brasileira. E foi nisso que se baseou a aliança entre D. Pedro e o "partido brasileiro". Assim, embora a independência do Brasil possa ser vista, objetivamente, como obra da aristocracia rural, é preciso considerar que teve início como compromisso entre o conservadorismo da aristocracia rural e o absolutismo do Príncipe.

Em 7 de Setembro, ao voltar de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra da esposa, Maria Leopoldina de Áustria, apoiando a decisão do ministro e advertindo: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece".

Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "Independência ou Morte!", rompendo os laços de união política com Portugal. Culminando o longo processo da emancipação, a 12 de outubro de 1822, o Príncipe foi aclamado Imperador com o título de D. Pedro I, sendo coroado em 1 de dezembro na Capital.

7 de setembro na minha vida

Em 7 de setembro de 2010 eu escrevi o artigo: “Sua opinião é sua mesmo?”
Quando lemos “A República de Platão” constatamos uma dura condensação ao sistema democrático ateniense. Ele constatou um problema que se eternizou por toda a história da democracia; a “doxa” como critério e seus efeitos perversos.

Este conceito grego (doxa), que hoje podemos traduzir por opinião, era utilizado como instrumentos pelos sofistas, inimigos da filosofia platônica. Através de um caloroso discurso que envolvia apelo emocional e uma retórica sem muitos fundamentos, esses sofistas controlavam a opinião pública. E quem forma a opinião, em uma democracia, controla a política. Essa forma de controle nem sempre é racional, por isso não tem comprometimento com a verdade, na visão dos filósofos gregos.

Jean-Jaques Rousseau, em carta ao filósofo D’Alembert, afirmou categoricamente que o homem moderno vive quase sempre alheio de si mesmo. Em sociedade, vivemos muitas vezes sob a ditadura invisível da opinião dos outros. Para o Rousseau, os nossos gostos para comida, roupa, religião e parceiros matrimoniais quase nunca levam em consideração o nosso mais profundo e verdadeiro afeto.

Na verdade, para o homem burguês civilizado, a verdade sobre si mesmo já não importa mais. A opinião pública é o que determina o que nós devemos gostar ou sentir. A aprovação dos outros é o parâmetro garantido do certo e do errado... e do que é bom ou ruim para nossas vidas. Por fim, ele afirma categoricamente que é a avaliação do outro, manifestada sob a forma de opinião pública, que define se nós realmente somos felizes.

Filósofos como Denis Diderot, em sua época, perceberam não só a importância da opinião pública para a vida pessoal, como também as consequências que a recém-criação dos panfletos e dos jornais impressos teriam. Hoje, os meios de comunicação de massa, em especial a televisão, se tornaram provas incontestáveis do quase acerto de Diderot. Quase. O único detalhe, é que os meios de comunicação nunca se preocuparam em oferecer uma influência esclarecedora e virtuosa.

Como a mais importante formadora de opiniões do século XX, a mídia se aliou aos dominantes e ao discurso senso comum para poder sobreviver. Sua postura e sua linguagem foram essenciais para garantir índices de audiência e de lucro satisfatórios.

É preciso deixar claro que a opinião pública não é a somatória das opiniões individuais, como muitos meios de comunicação querem nos fazer crer. As estatísticas sobre a avaliação do governo, dos votos para presidente, das pessoas que gostam de chocolate, do consumo de gordura por habitante ou da satisfação com o matrimônio não revela em nada o que cada um realmente sente ou pensa. O que temos na verdade é ‘um punhado de gente que seria, em teoria, representantes de milhares de pessoas.
Fica então uma pergunta: Será que nossa opinião realmente é “nossa” opinião? Ou será que apenas seguimos aquilo que o senso comum nos diz que devemos fazer... ser... ou ter?

Edson Moura

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Que bosta que sou (Cinismo)



Por Edson Moura

Quem sou eu com minhas ideologias falhas? Quem sou, que defendo causas perdidas? Quem sou eu que me acho um cidadão respeitável, quando na verdade minha consciência faz acusações tão duras que chego ao ponto de sentir vergonha de mim mesmo? Meu deboche, meu sarcasmo, meu ateísmo “militante”, minha não aceitação dos ditames do senso comum. Não aceitação? Merda nenhuma! Vestir apenas camisas brancas e calças pretas não faz de mim um não-alienado. 

Não sou digno de ser um admirador de Diógenes, cidadão Ateniense dos melhores, Filósofo Cínico, desprezava o conforto e as convenções sociais. Ora, não estou nem pronto para morar num barril, nem pronto para abrir mão da minha TV de 42 polegadas, do meu apartamento confortável, da comida saborosa, dos bons vinhos, da roupa limpa e cheirosa. Que bosta sou então? Um hipócrita, sim, isto sou.

Não domino meus desejos, não almejo uma vida virtuosa. Vivo gozando da frivolidade das necessidades criadas pela existência social. Apenas sei tecer críticas agudas e escárnios, demonstrando a profunda carência de sentido daquilo que as pessoas (eu), em geral, consideram importante e até sagrado. Na transgressão literária que às vezes me dou o direito de escrever, proponho a exposição das pútridas feridas morais escondidas sob o manto da (minha) hipocrisia.

De que moral posso falar? O que é a moral seria a pergunta correta, mas todos, mesmo que inconscientemente, sabemos o que é moral. A minha está arranhada, mas por quê? Sei lá, talvez por levar a cabo aquilo que muitos consideram perversão, talvez por desejar a morte de algum desafeto, talvez por fantasiar com uma mulher casada ou uma garota menor de idade. Talvez o que me fira sejam as lágrimas secas que um dia derramei por um traficante morto, quando para meu avô materno, nem sequer respeitei o luto de minha mãe. Todavia, a parte escorregadia de meu cérebro me absolve, dizendo que o marginal um dia salvara minha vida, quanto ao meu avô, esse nada fez por mim, senão fabricar minha mãe.

Julgo possuir uma ética superior, na qual acredito realmente, ética esta que gostaria de praticar com sinceridade, pois ela é muito diferente da pseudo-moral social que apenas se preocupa em obter vantagem de todas as maneiras possíveis, dando significado à frase de Maquiavel, “os fins justificam os meios”. Quem hoje está disposto a fazer um exame de consciência, quem se propõe a fazer uma reflexão profunda. Com algum empenho e acima de tudo, com muita sinceridade encontraremos personagens muito próximos de nós em pessoas com as quais convivemos diariamente. Encontraremos traços de vários personagens em nós mesmos, principalmente aqueles que julgamos serem maus, nocivos à sociedade, pervertidos, intolerantes, mesquinhos, beligerantes e falsos, muito falsos.

A falha na moral (na minha moral) é tranquilizada quando vejo não ser esta uma exclusividade do pobre, ou do inculto, ou do ateu. Pelo contrário, acredito que seja esta a característica que nivele todos os homens, e os ponham num mesmo patamar de valor. Essa degeneração nivela ricos e pobres, nobres e plebeus, analfabetos e letrados, críticos e alienados. De fato é um vírus mortal que faz da auto crítica uma necessidade vital e permanente de todos, inclusive aos que se dedicam, como eu, à Filosofia.

Aqui estou eu novamente, sentindo-me um lixo, pois a verdade é que não há remédio que alivie a dor da ferida deixada pelas verdades que encontramos escamoteadas dentro de nós mesmos. O que posso fazer é escrever textos porcarias que possam também bater no rosto dos que se dispõe a lê-los. Porque a verdade é que para escrever textos que nos deixem felizes não precisamos de muito esforço, aliás, nem precisamos mais deste tipo de escritos, já temos demais, sobretudo a Bíblia. Devo escrever coisa que nos aflijam, que nos firam, que nos deixem pensativos. 

Se o texto que escrevo não despertar o leitor com um soco no plexo solar, porque acharia que deveriam perder tempo lendo? Preciso escrever textos que nos atinjam com a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente, que revele a fraqueza dentro de cada um, como se falasse da morte de alguém que amamos, que nos façam sentir como se tivéssemos sido banidos para o mais longínquo deserto, longe de qualquer presença humana. Como um suicídio. Um texto que fira o gelo abaixo de nossos pés com um machado, nos fazendo cair no mar congelado de nosso interior.

Gostaria de me achar digno de ser Diógenes. Notem que não disse que gostaria de sê-lo e sim, de me achar digno de poder ser, pois minha consciência me condena. Não sei se um dia poderei trocar os lençóis limpos por trapos imundos, a televisão pela janela, o frango pelo pão seco, a casa por um barril. Não sei se um dia poderei ser um cão assim como ele, para então poder ser admirado por não ser nada mais que um pensador rebelde, e dizer para os muitos Alexandres que existem por aí: “Saiam do meu Sol”.

sábado, 14 de julho de 2012

Crônicas de catador



Por Edson Moura

Seis horas da manhã, é hora de levantar, mas pense num trabalho Hercúleo. Seria tudo mais fácil se naquele tempo houvesse água jorrando por um chuveiro, coisa que só conheci pessoalmente depois dos 15 anos. Vamos menino! Deixa de moleza! Era o que dizia minha mãe. Ela não queria saber se eu passara a madrugada toda recolhendo água à conta gotas no chão de barro do quintal. Muitos não acreditam, mas eu e meu pai tivemos que cavar um buraco de aproximadamente 1 metro de profundidade para que a água conseguisse subir até a torneira, era uma luta conseguir encher um tambor com 30 litros d'agua.

domingo, 17 de junho de 2012

“Não estava lá, mas posso imaginar”




“Não estava lá, mas posso imaginar”

A imagem de crianças com suas canecas de ferro fundido nas mãos, implorando por um pouco de leite, ou migalhas de pão, não me saem da cabeça. São imagens forjadas por minha mente, eu sei, pois eu nunca presenciei tais fatos. Auschwitz-Birkenau, este é seu nome, e se, mesmo sem conhecê-la, consigo sentir o terror invadir-me ao simples som de seu nome, posso imaginar o terror que habitava os homens e mulheres que para lá foram levados.

Crianças que num dia brincavam com seus animais de estimação, faziam suas refeições, aconchegavam-se no colo de suas mães e lambiam o bigodinho deixado pelo leite morno que tomavam, no outro se viam desamparadas, famintas, carentes, absolutamente sós num lugar onde o único conforto imaginável seria a esperança de um dia adentrarem os portões do céu e descansarem nos braços de seu Deus.

Quem afagaria seus cabelos quando tivessem um pesadelo noturno? Quem daria aquele beijinho quando caíssem e de leve, esfolassem os joelhos? Quem os protegeria dos monstros que existem debaixo de suas camas?  Quanta dor foi causada a essas crianças. É nessa hora que eu me desespero com o ser humano. É nessa hora que não consigo conter a taquicardia e as lágrimas que brotam de meus olhos. Homens animais que tratam suas crianças como lixo, como descartáveis, não se dão conta de que uma espécie que não pode proteger seus filhotes, que não sente a extrema necessidade de dar carinho a eles, não merecem permanecer vivos.

O que dizer das mães, que pela força foram arrancadas de suas crias, vendo-os serem carregados para longe do lar, para a morte certa? Quem pode sentir uma fração da dor de um pai que ao observar a partida de seu filho, para sei lá onde, sente-se o mais inútil dos seres. Sem forças para lutar o que pode fazer é apenas chorar. Não estive lá, mas posso imaginar. A estupidez de um austríaco mostrou o quão insano pode ser o homem.

As mulheres chegavam aflitas dos comboios de trens para Auschwtz, Sobibór, Treblinka, Majdanec, Belzec, desesperadas por um pedaço de pão para seus filhos famintos. Imagine viajar por dois dias, 170 pessoas espremidas em um único vagão. E quando chegavam eram rapidamente selecionadas pelos médicos da SS. Entre as da esquerda ficavam as que serviriam no regime de escravidão nos campos de concentração; as da direita, juntamente com crianças,  idosos e deficientes, iam para as câmaras de gás.

Carregando suas malinhas, muitas vezes após mais de um dia sem comer, sedentas e com frio, as crianças perguntavam: “mamãe, estou com fome, onde vamos?”. Provavelmente as mães não sabiam o que responder. Algumas, creio eu, num esforço descomunal para consolá-las, diziam: “Vamos tomar banho e depois jantar.” Quem conhece a história sabe que este banho seria o seu último, e refeições certamente não precisariam mais, pois os chuveiros eram adaptados para sair, não água, mas sim um gás letal.

Eles não gritavam, nem choravam, pais e filhos judeus, ciganos, negros, ou doentes mentais, tiravam as roupas, reuniam- se em circos familiares, beijavam- se e despediam-se uns dos outros, esperando por um sinal  dos homens maus da  SS que ficavam perto da vala com chicotes nas mãos. Quantas vezes me imaginei naquele cenário? Pensando e repensando qual seriai a minha reação? Será que eu imploraria por clemência? Será que me agigantaria diante dos soldados e morreria lutando por minha família? Talvez sim. Ou talvez eu permanecesse parado, como um covarde, contemplando a máquina de matar de Hitler em pleno funcionamento. Não ouviriam de mim nenhum pedido de clemência diante do pelotão de fuzilamento... talvez.

Numa dessas divagações, uma cena se materializou em minha cabeça: “Auschwitz II estava silenciosa. Podia sentir o frio cortante bater em meu rosto e os pelos de meu corpo se arrepiarem. Uma fila se estendia pelo campo, era chegada a hora, mais alguns receberam a permissão para partir. Presenciei uma família de seis pessoas, um homem e uma mulher de aproximadamente 40 anos, com duas filhas de 15 e 14 anos, dois meninos, um de 7 e outro de 5 anos apenas... a mãe abraçava o mais novo. O homem olhava sua esposa com lágrimas nos olhos. Depois o pai segurou a mão do menino de 7 anos e falou com ele ternamente, não pude ouvir, mas vi uma lágrima rolar no rosto da criança e logo depois ser contida pelo dedo polegar do pai. O menino lutava para contê-las. 

Uma série de tiros então rompeu o silêncio. De onde estava não conseguia ter uma visão clara, então dei dois passos à frente e olhei por sobre o ombro de um soldado da SS. A cena me aterrorizou. Vi os corpos das crianças se contorcendo, e os de seus pais, imóvel. Corações que até um instante pulsavam, crianças que outrora sorriam e brincavam, agora jaziam em cima de uma pilha de outros corpos que morreram antes deles.

Sempre fico abalado com esses pensamentos. Chego à triste conclusão de que não houve geração que não produzisse insanidades, não houve povo que não formasse mentes estúpidas, mas nos dias de Adolf Hitler nossa espécie foi às raias da loucura. Crianças e adultos tirados de seus lares, vidas interrompidas pelo desejo megalomaníaco de um só homem, que com extrema inteligência manipulou as mentes de uma sociedade tida como a mais culta de todas. 

Onde estavam os grandes filósofos, que não ouviram os gemidos inexprimíveis de crianças e adultos, de negros e judeus, ciganos e poloneses? Eles também se calaram! Alguns até aderiram ao pensamento de Hitler e colaboraram com a tentativa de “limpeza étnica”. Outros comentavam com orgulho que os campos de concentração era uma industria de massacre sem falhas. Desde a seleção dos que chegavam, à eliminação dos cadáveres até ao aproveitamento de seus pertences e restos mortais.

Alguns vêm esses relatos apenas como estatísticas, outros dizem nunca ter acontecido. São os filhos do cartesianismo, onde nada escapa da frieza dos números, de dados estatísticos. Notícias de terremotos que matam milhares e deixa milhões sem lar, chacinas, Tsunamis, tudo não passa de números para alguns. Para outros (poucos eu sei), notícias assim chocam, comovem e os fazem repensar seus conceitos. Trazendo uma verdade implícita em seus sentimentos: “Quando uma sociedade não conhece a fundo sua história, corre o risco de cometer os mesmos erros, talvez até maiores”.

Não estivemos lá, mas podemos imaginar.

Edson Moura

domingo, 27 de maio de 2012

“Tornei-me um inútil”

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ninguém gosta de ser chamado de inútil e ninguém quer se tornar obsoleto um dia, mas pensando bem, quando nos tornamos desnecessários na vida de outras pessoas, estamos dando indícios de que essas pessoas já podem caminhar com as próprias pernas. Na sociedade moderna constatamos esta “deformação” em muitos lares.

Mentiras e Verdades



                                

Perdi a conta de quantas vezes disse que amava, quando na verdade, o vazio “preenchia” meu ser tal qual um buraco negro. Também já não me lembro de todas as vezes que os tratei com cordialidade e polidez, ao tempo em que a vontade de mandá-los às favas corroía minhas entranhas, latejando como uma ferida infeccionada. Enfim, podemos dizer que: Se nunca formos descobertos numa mentira, seria o mesmo que dizer a verdade. O que devemos evitar sempre que possível é tentar mascarar um erro com uma mentira, pois fazendo isso, sempre acabaremos por precisar de uma segunda...e uma terceira.

Sonhos que se perdem

quarta-feira, 16 de março de 2011


Por Edson Moura

Sonhamos todo o tempo com algo bom. Almejamos concretizá-los a qualquer custo. E quando somos frustrados em nossas expectativas, caímos em um poço escuro, sem ar tateamos as paredes em busca de uma fissura para nos agarrarmos e sairmos do breu.

São nesses momentos que damo-nos conta de quão importantes nos eram os sonhos, porque muitas vezes, ao experimentarmos uma fração de nosso grande desejo, nos deixamos levar pelo comodismo, e sem perceber, permitimos que ele escape por entre nossos dedos como finos grãos de areia.

sábado, 26 de maio de 2012

Agradecimentos

quarta-feira, 15 de setembro de 2010


Caro Senhor prefeito de São Paulo,
Sou apenas mais um desses estranhos animais que têm por habitat esta cidade tão “linda”, mas espero que o senhor leia meu desabafo.

Me considero um monstro de resistência e um expert em sobrevivência, pois o paulistano é, antes de tudo, um bravo. Às vezes até penso em sair de São Paulo por algum tempo para descansar de seus perigos e desconfortos (uma vez até pensei em ser correspondente de guerra lá no Iraque, só para ter um pouco de “paz” e sossego), mas desisti.Já me acostumei com esse modo de vida, a viver perigosamente, literalmente, “matando um leão por dia”, pois não sou um covarde como esses equilibristas que passeiam sobre fios entre os arranha-céus desta cidade. Fico olhando pra eles lá em cima...longe dos trens lotados...dos ônibus e das lotações (onde pessoas se comportam como animais selvagens debandando ao ver seu predador), atravessando as avenidas...pelo alto..em suas seguras cordas-bambas e penso: eu quero ver é você caminhar aqui no chão...aqui é que mora o perigo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Influência

segunda-feira, 5 de julho de 2010


Por Edson Moura

Eu pretendo muitos mais que somente escrever textos bonitos. No fundo , no fundo, todo mundo quer ser ouvido...almeja obter atenção e ter espaço para expor o que pensa...e se possível, fazer valer sua própria opinião. Acredito que isso começa quando ainda crianças ou bebês para ser mais exatos, e aprendemos que para conseguirmos o que queremos, é preciso se fazer ser ouvidos, e no caso dos pequenos o que se ouve é o choro. (um amigo chamado Levi Bronzeado, deve ser mais gabaritado para falar deste assunto).

Nas relações pessoais funciona a mesma lógica. A capacidade de nos comunicar, de compreender e nos fazer compreender é sempre um dos maiores desafios. Histórias de amor, por exemplo, podem chegar ao fim simplesmente por que um diz uma coisa e o outro entende outra coisa.

Nesta era de tecnologia ou seja, dos relacionamentos virtuais (blogs...twitter...e podcasts), o que conta é a capacidade de "vender o próprio peixe". Para isso recorro às palavras.

Tento mostrar aos meus leitores que, conforme amadurecemos, nos damos conta do poder...quase mágico dos vocábulos. Como disse Clarice Linspector: " A palavra é o meu domínio sobre o mundo". De fato, são elas que criam laços...moldam sentimentos...desdobram e ampliam sentidos e nos inserem na cultura (olha só quem está falando...um cara que mal estudou).

“Para os meus filhos eu deixo...”

quinta-feira, 17 de junho de 2010


Uma casa mal-acabada...incrustada no meio do nada, na maior metrópole deste país chamado Brasil. Uma biblioteca com algumas centenas de livros, muitos deles rabiscados...cheios de “notas de rodapé”, denunciando assim, qual era meu pensamento no instante da leitura.

Para meus filhos eu deixo a consciência de cidadania...deixo lembranças de advertências, de que não se deve jogar lixo em vias publicas...que não se deve responder aos mais velhos...que uma mão estendida sempre deve ser retribuída...que educação e economia, nunca são demais.

Deixo também uma lista de aforismos, que mesmo não sendo eles totalmente aplicáveis à vida...pelo menos devem ser praticados exaustivamente, até que se torne parte de nosso ser.

Para meus filhos eu deixo, provavelmente uma dívida de 60 bilhões de Reais (déficit previdenciário), divida esta aumentada pela irresponsabilidade de alguns líderes políticos. Juntamente à dívida, deixo a falsa ilusão de que “minha geração” fôra o futuro do país.

Deixo incutido em suas mentes que, o Brasil é o “país do futebol“...do Carnaval e porque não dizer, da corrupção. E que enquanto onze milionários correm atrás de uma bola...num país de miseráveis chamado “África do Sul”...outros miseráveis, usando chapéus de “bobo da corte“, verde e amarelo, correm atrás de ônibus lotados...que certamente não sairão do lugar, devido ao trânsito caótico causado em sua cidade, por uma “Copa do Mundo” do outro lado do Oceano Atlântico.

Deixo somente críticas...deixo somente advertências...deixo uma pergunta:

“Até quando seremos o “Quinto dos Infernos”?”


Por Edson Moura

terça-feira, 22 de maio de 2012

"Procurando Deus no homem"


Caminhando pelas ruas desta minha cidade tão grande, estão pessoas sem motivação num eterno vai e vem. Dando seus passos enquanto o sol se esconde, fazendo-se prisioneiros dessa rotina cotidiana. É uma vida quase sem vida, vida simplesmente vivida disputando espaço com o bem e com o mal.

Nos bancos dos parques, e nos cantos das feiras os mendigos e as crianças ainda buscam seu alimento, pessoas que dizem conviver, simplesmente não se tocam, não se abraçam e alguns, nem se comovem mais.

Eu imagino que no por do Sol, irá renascer uma esperança em nossos corações, pois há sempre um novo dia pela frente, e com ele vem também o sonho de paz. Não são verdades novas, pois não precisamos delas, são apenas esperanças de vida, não desta aventura que enfrentamos a todo instante, e consideramos “viver”. O brilho do Sol é eterno e sempre estará nascendo no horizonte pela manhã, mostrando-nos que não devemos nos conformar com este mundo, mas antes, reconsiderarmos nossos conceitos de existência.

Respostas


Por Edson Moura
 
Os olhos daqueles homens deixavam transparecer o ódio que permeia o coração da raça humana. Enquanto por outro lado o seu rei, vestido à caráter expressava o verdadeiro sentimento de amor que o criador pode desprender à criatura. Em seus pensamentos a pergunta era: “Será Pai, que eles realmente não sabem o que fazem?” De repente suas indagações foram interrompidas por mais um açoite.

Meu Deus! Pensou Ele.

Quanta brutalidade, quanta revolta?

Meus Momentos


Não posso reclamar da minha existência!

Sou pai de quatro filhos perfeitos, que são a grande razão da minha vida.
Sei que como cristão evangélico, não poderia estar falando isso.

A frase deveria ser:

“Deus é a grande razão da minha vida”, mas já passei dessa fase. E tenho certeza que Deus me entende quando ponho meus filhos e minha esposa acima de tudo.

Embora hoje não viva mais ao lado da mulher que amo, e sempre amei, desde a minha juventude, ainda assim não reclamo.

Aprendi (às duras penas) que na vida, a gente colhe exatamente aquilo que semeia. Fui imprudente em vários momentos de minha efêmera existência. Magoei pessoas que me amavam. E minha esposa foi uma dessas vítimas da minha irresponsabilidade.

Acabei por perdê-la pra sempre, e com ela, foram-se meus filhos.