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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"mea maxima culpa"

"Quando um cientista, ou um químico cria algo e este algo acaba gerando efeitos colaterais causando algum mal, esta pessoa é punida pela comunidade científica e mais ainda pela sociedade. Vê seu nome arrastado pela lama e dificilmente conseguirá acabar com o preconceito ali estabelecido. Pois bem, partindo desta lógica, esta aplicação deveria ser regra de vida para todos, ou seja, quem erra assume seus erros e a punição não deveria passar da pessoa do condenado.

Mas aí é que começa a discussão filosófica. E vocês entenderão depois de eu apresentar os fatos. Partindo do pressuposto religioso de que deus criou todos os homens e concomitantemente todas as coisas que existem fica impossível não fazer uma analogia. 

Está mais do que provado que o homem é um ser falível seja biologicamente ou moralmente. E quando paramos para pensar que um ser perfeito como deus deu origem a um ser imperfeito como o homem, como poderíamos jogar a culpa nos ombros da criatura? Ora, é sabido que se um sujeito cria um Pit Bull desde filhote e este se torna um cão agressivo e em determinado momento ataca alguém, esta pessoa responderá pelos crimes de lesão corporal cometidos pelo animal.

Então é correto afirmar que chegamos à conclusão de que as falhas do homem não são culpa sua e sim daquele que o criou cheio de defeitos. Este é o primeiro golpe que a divindade leva nesta luta no campo das conjecturas. Ele falhou! 

Mas há quem diga que ele se redimiu, enviando um salvador para a humanidade. Um ser que, este sim, seria perfeito, sem máculas, sem pecados, totalmente ético e moral, e este inocente será punido por todos os males que a humanidade causou. Novamente, nada mais repulsivo do que tentar consertar um erro com outro erro. Punir um inocente pelo erro de outrem. Isto sim nos afeta moralmente, ora, por sabermos que alguém já foi punido por um erro que cometemos e pelos erros que possivelmente cometeremos, creio eu, geraria uma deformação no caráter de qualquer pessoa minimamente inteligente.

E se este raciocínio dialético é de certa forma uma capacidade dada por este ser criador, novamente a criatura não poderia ser punida por pensar de forma tão distorcida, neste contexto fático, a culpa regressa a Deus, num ciclo vicioso interminável.

Então surge a pergunta: "Será mesmo que ter Fé, e atribuir nossos erros a outro, nos guarnecendo de uma graça advinda dos céus não seria uma fuga da responsabilidade de nosso atos?"

E outra pergunta tão importante quanto esta outra é: "Por que seria o ateu considerado uma escória na sociedade? Quando geralmente a única atitude que ele toma é assumir seus erros e arcar com a responsabilidade de suas ações, sem atribuir as vitórias a Deus e as derrotas ao diabo?"

Ser ateu, antes de mais nada, não tem nada a ver com a negação do Deus dos outros. Via de regra o ateu pouco se preocupa com o quê ou em quê os demais creem, ele simplesmente aceita que no processo evolutivo foi desprovido de algo que o permitiria encaixar-se no mundo ideal dos que acreditam. assumindo assim um fardo que terá que carregar até o fim de seus dias. é possível que neste processo ele sofra uma metamorfose e que passe a entender que mudar é preciso, e que por mais que não haja alguém o vigiando todo o tempo, alguns atos não devem ser praticados, pois feririam os outros, e ele teria que aceitar na hora que a punição viesse.

Ser ateu é ser responsável! Não só por si mesmo, mas também pelo outro, pelo mundo. Este mundo que segundo dizem os que creem, pertence ao maligno, o que na minha opinião já é por si só um contrassenso, uma vez que todos negam a este esperando por um outro melhor, descido dos céus, mas eu pergunto: "Alguém quer deixá-lo?" Óbvio que não. Todos querem ser curados de seus cânceres, inclusive pedindo a cura a Deus, para viver no mundo que pertence ao Diabo, rejeitando assim o convite natural de viver com o Pai que os criou. 

Difícil entender, quando nos dispomos a refletir sobre o tema,

Edson Moura

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Se Deus existe, tudo é permitido 2012


Por: Edson Moura

Desde muito tempo acredita-se que o homem necessita de algo que delimite suas pulsões perversas, talvez seja por isso que algum sábio do passado resolveu criar um Deus que punisse o mal praticado. Já escreveram que se Deus não existe, e a alma é mortal, logo, tudo nos é permitido, mas eu discordo desta afirmação e explico-me:

No passado Deus era vingativo, intolerante com a impiedade, egocêntrico, todo poderoso e protetor dos seus filhos. Mas como tudo evolui, não poderia ser diferente com Ele. Atualmente Deus veste uma nova roupagem. Hoje está muito mais fácil ser Deus, afinal, se algo de muito bom acontece, logo agradecemos a Deus, mas, se uma tragédia ocorre, culparemos ao Diabo ou, na melhor das hipóteses, ao próprio homem.

sábado, 30 de junho de 2012

Pobres Ateus


                                                       
Pobre de nós ateus que, como cordeiros ingênuos, caímos em covis de lobos ferozes. Pobres de nós ateus que somos vilipendiados pelos intolerantes crentes, e não temos nem sequer a oportunidade de manifestarmos nossa opinião, pois tudo que falamos é tolice. Crentes estes que esqueceram que divino era só o mestre Jesus, e eles, assim como nós ateus, tombaremos sobre a mesma terra e apodreceremos a medida em que somos devorados pelos vermes. Vermes estes que, ao contrário do que disse o messias, acabará ao ver que nada de nós existe mais para ser consumido.

domingo, 27 de maio de 2012

Ateu X Crente (repente)

Me disseram que você

Acredita até em Deus

E não pode entender

Como pensam os ateus

É por isso que os seus filhos

São mais burros que os meus



Você diz que os meus filhos

São mais burros que os teus

Podem até ser burros mesmos

Mas verão ao nosso Deus

Já os teus vão pro inferno

O lugar de todo ateu



Todo ateu vai pro inferno

E o crente vai pro céu?

E nos tempo de inverno

Tem até papai Noel

Tu navegas no oceano

Num barquinho de papel



Tá dizendo que eu sou besta?

Me chamando de fanático?

Mas talvez você esteja

Sendo muito, muito prático

Quero agora que perceba

Que crente não é lunático



Não preciso perceber

Que você é um tapado

Não consegue nem viver

Se esquivando do pecado

Sua vida é se esconder

Do tridente do Diabo



Do tridente não me escondo

Pois tem anjo meu favor

Outro dia eu tive um sonho

Que era um filme de terror

Vi tu correndo pelado

Clamando ao redentor



Só em sonho tu vais ver

Eu clamando a Jeová

E no dia em que eu morrer

Não irei pra outro lugar

Toquem fogo no meu corpo

Depois atirem no mar



No mar eu atirarei

Suas cinzas com prazer

E no juízo eu verei

Sua alma se foder

Queimarás no fogo eterno

Sem chance de arrepender



Minha alma no fogo ardente?

E a sua onde estará?

Vivendo como um zumbi

Nos braços de Jeová?

Eu prefiro a aniquilação

Do que não raciocinar



Toda sua erudição

De nada adiantará

Porque na tribulação

Não adianta chorar

Pois todo filho do cão

Jesus vai despedaçará



Seu Jesus é muito mau

Sanguinário e violento

Parece até o pai dele

Do antigo testamento

Matou até o seu filho

Por causa de um juramento



Seu ateu filho da puta

Para de me perturbar

Senão eu chamo por Deus

Pra poder te arrebentar

Pois saiba que a minha luta

É a guerra de Jeová



Seu deusinho não existe

Será que você é cego?

O Deus que tu acreditas

É o mesmo deus que eu nego

Não passa de um fantasma

Criado pelo seu ego



Eu desisto de tentar

Encaminhá-lo a salvação

Por mim tu vai se lascar

Nas garras do cramunhão

Será atirado no lago

Depois da ressurreição



Eu desejo que você

Um dia seja acordado

E espero que não esteja

Muito velho e acabado

Pois verá tudo que tinhas

E devia ter aproveitado

Se privou das coisas boas

Por causa do tal pecado





Edson Moura



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Duvidar é preciso



Por Noreda Somu Tossan

Difícil é lidar com donos da verdade. Não há dúvida de que todos nós nos apoiamos em algumas certezas e temos opinião formada sobre determinados assuntos; é inevitável e necessário. Se somos, como creio que somos, seres culturais, vivemos num mundo que construímos a partir de nossas experiências e conhecimentos. Há aqueles que não chegam a formular claramente para si o que conhecem e sabem, mas há outros que, pelo contrário, têm opiniões formadas sobre tudo ou quase tudo. Até aí nada de mais; o problema é quando o cara se convence de que suas opiniões são as únicas verdadeiras e, portanto, incontestáveis. Se ele se defronta com outro imbuído da mesma certeza, arma-se um barraco.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Falsos Profetas (parte 1)



Por Edson Moura 

Não sei se por falta de tempo ou por pura e simples falta de interesse, mas deixei que a poeira baixasse para falar, somente agora, de um assunto que gerou polêmica na mídia, e um alvoroço no meio evangélico. Por um tempo este tipo de incidente não me incomodou, uma vez que sou ateu, e sendo ateu, pouco deveria me importar com escândalos em igrejas evangélicas, católicas ou qualquer outro tipo de religião, crença e afins. Mas o problema é que, antes de ser ateu, sou pai, filho, e cidadão da Terra, e é triste ver às vezes como alguns amigos, familiares e até mesmo estranhos são literalmente enganados, engodados, fisgados e depois descartados por algumas igrejas e crenças.

De quem vou falar agora? Já falei uma vez do “Apóstolo Agenor Duque”, meu amigo e coautor neste blog, Marcio Alves já escreveu sobre “Bispo Edir Macedo”. Também já escrevi duras críticas à “Apóstolo Sérgio Lopes, Silas Malafaia, Valnice Milhomens, Bispa Sônia e Apóstolo Estevan Hernandes, Marco Feliciano, Reverendo João Batista e R.R. Soares, enfim, já disse e repito que para mim não passam de charlatães, picaretas, ladrões covardes, ou como se diz no meio evangélico: “Lobos em pele de cordeiro”. Poupei somente um, e esse um agora será alvo de minhas críticas também.

Não quero atacá-lo como pessoa, e sim como “líder”. Isso mesmo, em dos maiores líderes religiosos do Brasil. “Dono” de uma igreja que vem crescendo exponencialmente às custas da ingenuidade de seus fiéis, que são manipulados a tal ponto, que torna-se praticamente impossível convencê-los de que os documentos comprovando a roubalheira são verdadeiros. Pois é, (este é um de seus muitos chavões), “O King Kong” (Edir Macedo) é mico perto de Valdemiro Santiago. Ele mesmo! Valdemiro Santiago tem convencido milhões de pessoas a esvaziarem seus bolsos em troca de um milagre, de uma cura milagrosa, de um emprego em tempos de crise, de um precatório que não sai, e tantos outros desejos de seus fiéis. Meu povo sofre por que lhe falta conhecimento.

O Povo é burro! Não há mais como negar. Sofre por que quer! Parece que gosta! Bando de inúteis! Merecem mesmo que um malandro tire até seus últimos centavos! Era isso que eu dizia em alguns momentos de ira. Mas no fundo não peno assim. Quero que o povo se liberte. Quero que meu povo seja autossuficiente. Quero que meus concidadãos abram os olhos, arregacem as mangas, que trabalhem com a força de seus braços e de suas mentes para conseguir seus bens pessoais, e não que fiquem implorando a um Deus que nem sequer existe, que lhes dê proteção, prosperidade e vida. Então, só para encerrar este parágrafo e entrar realmente no texto, gostaria de salientar, e se possível gritar, que: Não se enganem mais meu povo! Valdemiro Santiago é um ladrão! Assim como todos os outros que citei acima.

Bom, feito o desabafo, quero agora trazer à você, crente ou não, ateu ou não, cético ou não, um pequeno estudo, com exemplos e tudo mais, de como escapar das garras da mentira. Inspirado por Carl Sagan, gostaria que você que chegou até aqui, e que possivelmente já está me odiando, ou amando, quem sabe, não pare a leitura. Vá até o final. Quem sabe poderá aprender algo. Quem sabe, a partir deste texto, seu senso crítico e melhor, autocrítico, aflore. E toda vez que tentarem enganar você, algumas nuances o farão questionar, o farão refletir se é possível, se existe outra hipótese, mas sempre partindo do principio lógico de que: “A ausência de evidências não é a evidência da ausência”.

Benjamim Franklin, em 1784 escreveu: “Havendo tantos transtornos que se curam sozinhos e tanta disposição na humanidade a enganar-se a gente mesmo e a outros, e como meu comprido tempo de vida me deu frequentes oportunidades de ver elogiados alguns remédios como se curassem tudo para ser deixados a seguir totalmente de lado como inúteis, não posso a não ser temer que a expectativa de grande benefício do novo método para tratar enfermidades resultará uma ilusão. Entretanto, em alguns casos esta ilusão pode ser de utilidade enquanto dure”. Mas, “cada época tem sua loucura particular”.

Diferentemente de Benjamim Franklin, a maioria dos cientistas consideram que não é sua tarefa revelar os enganos pseudocientíficos, muito menos a autossugestão sustentada apaixonadamente. Além disso, tampouco tendem a ser muito bons nisso. Os cientistas estão acostumados a lutar com a natureza que, embora possivelmente ofereça seus segredos com relutância, luta de maneira justa. Frequentemente não estão preparados para esses pastores sem escrúpulos (e pastores sem escrúpulos é redundância, eu sei) que não obedecem a uma norma de conduta. Na minha opinião, os pastores estão no negócio do engano. Praticam uma das muitas ocupações (como a atuação teatral, a publicidade, a religião burocrática e a política) em que o que um observador ingênuo poderia interpretar como mentira é aceito socialmente como se fora em serviço para o bem maior. Muitos pastores dizem que não enganam e sugerem que seus poderes lhes são dados por Deus. Alguns usam seus conhecimentos para pôr em evidencia aos enganadores que há entre seus colegas de ramo. Um ladrão se dispõe a caçar a outro ladrão.

Poucos reagem a este desafio com tanta energia como Marcio e eu, que somos considerados “decepcionados com Deus”. A sobrevivência até nossos dias do misticismo dos tempos de Noé e a superstição não me irritam tanto quanto a aceitação acrítica das obras de misticismo e superstição, religiosas ou não, que podem defraudar, humilhar e às vezes inclusive matar. Como todos os seres humanos, também sou imperfeito. Às vezes sou intolerante e condescendente e não sinto nenhuma simpatia pelas fragilidades humanas que fundamentam a credulidade. 

Pretendo trabalhar muito ainda para desmascarar alguns feiticeiros, videntes remotos, “telepatas”, pastores cheios da unção e curandeiros que extorquem seu público. Não estou preocupado se mais cedo ou mais tarde venham me chamar de “obcecado pela realidade”. Quem dera pudesse um dia dizer o mesmo de nossa nação e nossa espécie. Qualquer um há de convir comigo que as coisas andam muito bem no falso, mas, lucrativo negócio da cura mediante a fé. Quero ainda poder mostrar que os que se levantam das cadeiras de rodas e, conforme se afirma, foram curados pelo pastor, ou como dizem, Jesus, nunca tinham estado confinados a cadeiras de rodas, são contratados pelos bandidos do púlpito para florearem o “show da fé” que estão apresentando. 

Desafio qualquer pastor safado a proporcionar provas médicas sérias para dar validade a suas operações miraculosas. Convido às agências locais e federais do governo a aplicar a lei contra a fraude e a má prática médica, pois é isso que estão fazendo muitas vezes, impedindo por meio da sugestão, que o doente procure um médico de verdade. Critico aos meios de comunicação por seu proposital afastamento do tema. Desejo trazer à tona o desprezo profundo desses pastores, para com seus “pacientes fiéis” e paroquianos. Muitos são enganadores intencionais que usam a linguagem e os símbolos evangélicos cristãos ou da Nova Era para aproveitar-se da fragilidade humana. Possivelmente alguns deles tenham motivos não venais. Possivelmente... possivelmente.

Ou será que estou sendo muito radical e severo? No que se diferencia o enganador ocasional na igreja, da fraude ocasional na ciência? É razoável suspeitar de toda uma profissão porque há algumas maçãs podres? Parece-me que, como mínimo, há duas diferenças importantes. Primeiramente, ninguém duvida de que a ciência funcione de verdade, embora de vez em quando possa oferecer uma afirmação equivocada ou fraudulenta. Mas, que aconteça cura “milagrosa” graças à fé, independentemente da capacidade de o corpo curar-se naturalmente, é francamente duvidoso. Em segundo lugar, e muito importante, a ciência expõe, quando descoberta uma fraude e engano quase exclusivamente por si mesma, não espera que outras entidades o façam. É uma disciplina que se vigia a si mesmo, o que significa que os cientistas são conscientes do potencial de mentira e engano que existe. Mas quase nunca são os pastores quem revelam a fraude e engano na cura pela fé. Certamente, é surpreendente a resistência das Igrejas, sinagogas e centros de umbanda em condenar o engano demonstrável entre suas instituições.

Quando fracassa a medicina convencional, quando temos que nos enfrentar à dor e a morte, certamente estamos abertos a outras perspectivas de esperança. E, ao fim e ao cabo, há algumas enfermidades psicogênicas. Muitas podem ser quando menos mitigadas com uma mentalidade positiva. Os placebos são medicamentos fictícios, frequentemente pílulas de açúcar. As companhias de medicamentos comparam rotineiramente a eficácia de seus medicamentos com os placebos administrados a pacientes com a mesma enfermidade sem possibilidade de reconhecer a diferença entre o fármaco e o placebo. Os placebos podem ser assombrosamente efetivos, especialmente para resfriados, ansiedade, depressão, dor e sintomas que é verossímil que estejam sendo gerados pela mente. É do conhecimento de muitos que o fato de acreditar possa produzir endorfinas (pequenas proteínas do cérebro com efeitos como a morfina). Um placebo só funciona se o paciente acredita que é uma medicina efetiva. Dentro de limites estritos, parece que a esperança pode transformar-se em bioquímica.

Grandes quantidades de pessoas acreditam na existência o que se chama cura psíquica ou espiritual. Ao longo da história humana se associaram à padres, freiras e a uma ampla variedade de curandeiros, reais ou imaginários. A “escrófula”, uma espécie de tuberculose, chamava-se na Inglaterra o “mal do rei” e se supunha que só podia ser curada mediante a mão do rei. As vítimas esperavam pacientemente para que o rei as tocasse; o monarca se submetia brevemente a outra pesada obrigação de seu alto cargo e, embora não parecesse que se curasse ninguém, a prática continuou durante séculos.

Um famoso milagreiro do século XVII foi Valentino Greatracks. Descobriu, com certa surpresa, que tinha poder para curar enfermidades, incluindo resfriados, úlceras, e epilepsia. A demanda de seus serviços aumentou de tal modo que não tinha tempo para nada mais. Afirmava que todas as enfermidades eram causadas por espíritos maus, a muitos dos quais reconhecia e chamava por seu nome. 

Tão grande era a confiança nele, que o cego acreditava ver a luz que não via, o surdo imaginava que ouvia, o coxo que andava bem e o paralítico que tinha recuperado o uso de suas extremidades. A ideia de saúde fazia que o doente esquecesse por um tempo seus males, e a imaginação, dava uma falsa visão a uma classe, pelo desejo de ver, assim como acontecia um falso milagre pelo forte desejo de ser curado do doente.

Há inumeráveis casos na literatura mundial de exploração e antropologia não só de doentes curados pela fé no milagreiro, mas também de gente que se consome e morre pela maldição de um bruxo.

Em 1858 se informou de uma aparição da Virgem Maria em Lourdes, França. A  “mãe de Deus” confirmou o dogma de sua concepção imaculada que tinha sido proclamado pelo papa Pio XI só quatro anos antes. Algo assim como cem milhões de pessoas foram até Lourdes com a esperança de curar-se, muitas delas com enfermidades que a medicina da época não podia vencer. A Igreja católica romana rechaçou a autenticidade de grande quantidade das curas chamadas milagrosas. Só aceitou sessenta e cinco milagres em quase um século e meio (de tumores, tuberculose, cegueira, bronquite, paralisia e outras enfermidades, mas não, por exemplo, a regeneração de uma extremidade ou uma coluna vertebral partida). 

Das sessenta e cinco curas, a proporção é de  dez mulheres por cada homem. As possibilidades de uma cura milagrosa em Lourdes, portanto, são de uma entre um milhão. Há tantas possibilidades aproximadas de curar-se depois de uma visita a Lourdes como de ganhar na mega-sena, ou de morrer em acidente de avião... inclusive indo até Lourdes.

A taxa de remissão espontânea de todos os cânceres, agrupados, estima-se entre um para cada dez mil e um para cada cem mil. Se só cinco por cento dos que vão a Lourdes fossem ali para tratar de um câncer, deveria haver entre cinquenta e quinhentas curas “milagrosas” só de câncer. Como só três das sessenta e cinco curas testemunhadas são de câncer, a taxa de remissão espontânea em Lourdes parece ser inferior à que existiria se as vítimas ficassem em casa. Certamente, se você for um entre os sessenta e cinco curados, será muito difícil lhe convencer de que sua viagem a Lourdes não foi a causa da remissão da enfermidade. Algo similar parece, e deve acontecer nas igrejas evangélicas, centros de umbanda e afins .

No próximo texto, que não demorará muito, darei continuidade ao tema e algumas maneiras de escapar dos enganadores. Sugerirei algumas perguntas que devemos fazer e "nos fazer", toda vez que nos apresentarem uma falácia religiosa de cura por fé.

Continua...     Falsos Profetas (parte 2)                         

quarta-feira, 4 de abril de 2012

“Questões acerca da morte”


Por:Noreda Somu Tossan

A filosofia, ao contrário do que muitos imaginam, não deve ser complicada, ao invés disso, ela deve ser o mais objetiva possível, sem palavras difíceis, que muita das vezes estão ali presentes nos artigos filosóficos apenas para dar um ar de intelectualidade ao autor. Costumo escrever muito sobre morte, o que me rendeu um rótulo de pessimista, ou mórbido, desiludido ou decepcionado da vida, ou seja, uma pessoa propensa ao suicídio. Pois bem, que pensem o que quiserem. Não me importo (muito) com esses detalhes. Enquanto vão me tachando de frustrado eu vou vivendo e sorvendo cada minuto da minha existência como se não fosse haver outros mais.

Muitos dizem (eu inclusive) que a morte faz parte da vida, o que não soa muito correto se for sermos rigorosos com os termos. Ninguém que ainda esteja vivo, (eu, você que está lendo, todos nós) experimentou de fato o que é morrer. A morte é o fim de um processo orgânico, que ao cessar de pulsar como vida, se acaba, se extingue. Portanto, a morte faz parte do “além-vida”, a morte pertence apenas ao mundo dos mortos. O problema é que o mundo dos mortos faz parte do mundo dos vivos, seja no culto aos mortos, nos cemitérios, nos rituais fúnebres das tantas religiões, na poesia, na literatura, na saudade que fica ao perdermos um ente e na “esperança de um dia o encontrarmos novamente na eternidade”. É aqui que entra a Filosofia.

Se a morte não faz parte da vida, pelo menos ela deve fazer parte do pensamento dos que estão vivos. A consciência que nós “sapiens” temos da morte nos persegue e nos obriga a tomarmos uma posição, mesmo que esta seja fugir de sua lembrança inventando mil desculpas e sublimações. Mas já os que possuem fé, ou acreditam na continuação desta vida, concebem em suas cabeças, um paraíso ou um inferno, um nirvana, um renascer, ou seja, morrer de forma alguma é o fim para essas pessoas. Platão e Sócrates acreditavam nisso, portanto, filosofaram sobre a Vida e a Morte. Já Nietzsche e Sartre não acreditavam, mas também filosofaram. E se para Cícero, “Filosofar é aprender a morrer”, poderíamos reescrever esta frase e dizer: “Filosofar é aprender a viver”.

Todos os seres vivos morrem. Esta é uma lei natural e universal a que ninguém escapa, logo, o ser humano, como animal, também morre. É certo que os avanços na Medicina ou na engenharia Genética andam prometendo certa “imortalidade” para em breve. Mas não sabemos quando, nem como e sequer se atingiremos este sonho. Mas só o homem tem consciência de que vai morrer. E por este motivo, já antes de nossa morte, podemos senti-la, pensá-la, vivê-la, o que não deixa de ser um paradoxo. O fato é que, dessa consciência que temos de que vamos morrer, surge uma gama de possibilidades e consequências históricas, culturais, sociais e filosóficas sobre a significação humana da morte. Daí surgiu as grandes religiões, com a promessa de que o homem não morre para sempre, de que ele sobreviverá à morte física. Sejam eles os Cristãos, os Muçulmanos, os Judeus ou os Budistas.

Mas embora tantos prometam uma vida após a morte, a ressurreição, o renascer, o reencarnar-se, o nirvana, ainda persiste o problema de que cada ser humano terá que enfrentar sozinhos a “travessia com o barqueiro para o outro lado”. Mesmo com o consolo das crenças e das religiões, o medo de deixar a vida continua assombrando a humanidade, provocando calafrios, fugas, alienações, neuroses e orações. E ainda que as religiões prometam a salvação eterna, muitos de seus fiéis abarrotam as igrejas com seus corpos mortais adoecidos em busca de um milagre, curas físicas ou espirituais, prosperidade financeira, o retorno de um amor perdido, ou seja, a felicidade aqui e agora, o mais longe possível da famigerada morte. Ninguém que morrer, nem tampouco falar da morte, da sua morte. O medo da morte é um dos maiores incentivos para a atividade humana, atividade esta em boa parte destinada a evitar a chegada da inevitável morte, buscando inutilmente vencê-la, se enganando com a negação de que ela é o destino final do homem.

Se olharmos com atenção para as diversa civilizações e povos da história da humanidade veremos que todos tiveram e têm uma relação ritual e simbólica com a presença da morte. Desde que se criaram as religiões e os deuses, os rituais criados pelo homem nada mais são do que formas de se relacionarem, de “negociarem” com o sagrado, com o sobrenatural, o mistério divino, tendo com anseio galgarem uma vida que supostamente se estenderia para além desta. Assim o homem buscou, busca e continuará buscando por muito tempo ainda a imortalidade e o eterno. Foi assim que as civilizações antigas inventaram suas crenças absurdas, seus rituais grotescos (a começar pela feitiçaria).

Certamente os feiticeiros foram os primeiros a tentar controlar, pela magia, as forças, sejam elas do bem ou do mal, em benefício do próprio homem e suas necessidades de sobrevivência histórica ou para além dela. Depois deles vieram os sacerdotes, os profetas, os enviados por  Deus ou pelos deuses, tentando mostrar assim que, mesmo sem experimentar literalmente a morte era possível um prelúdio de como seria o mundo dos espíritos, de como os heróis mitológicos iam e vinham do reino dos mortos, vitoriosos, carregando a cabeça de seus inimigos, ou amarrando as serpentes infernais em cativeiros no submundo. Assim foram os deuses do Egito Antigo, Ísis, Osíris, Néftis, entre tantos outros. A crença da imortalidade da alma, que certamente inspirou a fé judaica, marcou toda a milenar cultura egípcia, cujas pirâmides que até hoje erguem-se imponentes nas areias do deserto do Saara, nada mais são do que túmulos de seus reis, guardando sarcófagos com suas múmias embalsamadas e cheias de tesouros, esperando a volta de suas almas do mundo dos mortos.

Na Grécia, os cultos a Orfeu e a Dionísio e os mistérios de Átis e de Adônis possuem a mesma essência, a saber, a morte e o renascimento. Por aí podemos avaliar que, enterrando ou cremando seus mortos, a humanidade sempre revelou e continua a revelar essa crença ou, como alguns gostam de chamar, fé, na eternidade da vida para além da morte.

Continua...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Morte aos ateus


Por Edson Moura

Pobres de nós ateus que, como cordeiros ingênuos, caímos em covis de lobos ferozes. Pobres de nós ateus que somos vilipendiados pelos intolerantes crentes, e não temos nem sequer a oportunidade de manifestarmos nossa opinião, pois tudo que falamos é tolice. Crentes estes que esqueceram que divino era só o mestre Jesus, e eles, assim como nós ateus, tombaremos sobre a mesma terra, apodreceremos à medida em que somos devorados pelos vermes. Vermes estes que, ao contrário do que disse o messias, acabará ao ver que nada de nós existe mais para ser comido.

Pobres de nós ateus, que no início de nossa descrença ficávamos preocupados com o fato de nossas atitudes estarem fazendo mal aos irmãos que ainda crêem. Pobres de nós ateus que não falamos para nossos filhos e para nossas velhas e crentes mães que DEUS NÃO EXISTE. Pobre de nós ateus que nos calamos quando lá dentro, uma vós implorava para que gritemos nos ouvidos dos crentes que nos aporrinham com suas idiotices, que Jesus não salva ninguém, que céu é lugar de zumbi, e que é preciso ser por demais burro para acreditar em histórias tão absurdas como as que são contadas na Bíblia "Constantinizada".


Pobre de nós ateus que sofremos... sim, sofremos ao ver que não adianta nada falar que a ilusão da fé é o maior freio-social que já puderam inventar. Sofremos por ver nossos irmãos... sim, irmãos, padecerem nas mãos de pastores, padres, líderes espirituais de todos os tipos, sendo levados para um caminho de negação, auto-flagelação de consciência, repressão de desejos humanos...demasiado humanos, estoicismo em pleno século XXI e falência de intelecto.

Pobre de nós ateus, que não queremos o mal de ninguém, que procuramos viver em paz com todos, que desejamos ajudar, ou melhor, agimos em prol daqueles que necessitam de auxílio, seja ele financeiro, sentimental, ou moral. Pobre de nós ateus que não oramos para que o mundo se torne um lugar tolerável, ao contrário disto, nos empenhamos em deixar filhos melhores para este mundo e não um mundo melhor para filhos maus. Pobre de nós ateus, que não temos ajuda de cima, que não somos socorridos por deuses, que não somos protegidos por um criador.

Pobre de nós ateus, que olhamos para o céu e só vemos o negro do espaço disfarçado de azul pelas muitas camadas de atmosfera, não olhamos além disso, não esperamos ser notados, estamos sós, e sós estaremos sempre... pobre de nós ateus.

Pobre de nós ateus, que não nos prendemos a histórias antigas, daquelas que as crianças fantasiam e acabam por usá-las como fuga de seus medos. Pobre de nós, que não conhecemos os mistérios do reino, que não temos sobre nós o sangue do cordeiro, que seremos atirados no lago de fogo e enxofre, apenas para satisfazer os caprichos desse deus mesquinho e mimado chamado Jeová.


Pobre de nós ateus, que desejamos que vivam, e vivam com abundância, enquanto para nós é desejado apenas a morte... a pior delas, a saber, a morte da alma. Pobre de nós ateus que já ardemos em fogueiras "santas", queimados como hereges...mal sabendo eles que os hereges são todos aqueles que acendem a pira. Pobre de nós ateus que não cremos em nada e mesmo assim nos chamam de filhos do demônio. Será que eles não percebem que o "demônio" aplaude e faz festa ao ver um irmão condenar o outro ao "inferno"?

Pobres, sim, somos pobres ateus, mas não apreciem estas linhas com o lamentos, e sim como regozijo, pois são justamente estes pobres ateus que experimentarão as maravilhas do mundo, que errarão tentando acertar, que perder-se-ão buscando novos caminhos, que perguntarão e não obterão respostas, que não se conformarão com o mal deste mundo, mas antes, se transformarão pela renovação constante de seu entendimento, experimentando assim, a boa, perfeita e agradável vontade da existência humana.


Enfim...
Pobre de nós ateus que não temos crise de consciência, somos ateus, e eu pelo menos, pregarei o ateísmo até a minha morte. Morrerei negando a existência de qualquer tipo de deus. Nego-me a desperdiçar minha última palavra com algo que não seja: "Deus não existe". Aliás...consciência? O que é isto senão uma maneira mais educada, e polida para disfarçar a palavra...COVARDIA.

Edson Moura

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"LIberdade de Expressão"


Dois mil e onze, mais uma vez retornando, Edson Moura, tentando fazer uso de sua liberdade de expressão, um dos pouquíssimos direitos que ainda temos neste país. Vocês vão adentrar no mundo da informação, auto-conhecimento, denuncia, crítica e até diversão. Este é o "Outro Evangelho"...sejam todos bem vindos.

À Todos aqueles que pensam, e que ousam ultrapassar os limites da boa política de vizinhança, não mantendo oculto aquilo que gostariam de gritar para o mundo inteiro ouvir...”Se o mundo inteiro pudesse me ouvir”. Nosso espaço é reduzido, é resumido, não sei o motivo. Por que será que fazem isso? Muitos de nós nem sabemos que somos tangidos como gado, somos vitimas de um ideal comum, ou ideologia de massa, sei lá.

Minhas palavras só chegam até uma minoria, que covardia, não querem que mostremos a verdade do dia-a-dia. Outros falam que meus escritos são muito agressivos e que muito do que escrevo não deveria ser dito. Mas, se o mundo inteiro pudesse me ouvir, eu gritaria cada vez mais alto para todo mundo refletir. A informação não pode ficar escondida e o conhecimento compartilhado é fonte de vida.

O sentido que dei à minha vida está atrelado ao exercício do meu direito de falar, seja através de um simples texto, ou de uma poesia, ou uma crônica engraçada, qualquer coisa é válida, quando se deseja repartir o que se sabe. Estou exercendo o meu direito de dizer o que penso. Às vezes escrevo uma mensagem de coragem e força pra viver, e viver com intensidade, contemplar o mundo, jogar na terra uma semente de união a cada segundo. Juntar as minhas idéias com as suas e revelar o que existe de belo na “filosofia das ruas”. Saibam que foi nas ruas que aprendi que sempre temos algo a dizer, e você está convidado para fazer parte desta “milícia” enquanto lê. O momento não pode ser outro, o lugar é aqui..então não perca tempo e grite, grite para o mundo inteiro te ouvir.

Grite para nossa presidente amparar essa gente, pois o Brasil ainda passa fome e o nordeste ainda tem sede. Grite para as pessoas serem mais humanas, que deixem o orgulho de lado e ajudem que está precisando. Aos pensadores, não pensem só com a cabeça, mas também com o coração, estendam as suas mãos, ajudem a quem está precisando, pois um homem que se esquece que é um ser humano, precisam de exemplos, pessoas que estão lutando e passam horas e mais horas juntando semelhante com semelhante, aprendendo e ensinando.

Gritar para Deus que gostaria de vê-lo ajudando, mandá-lo descer do céu e ver o povo que está chorando. Dizer que Betinho, e não Jesus, é que foi um grande homem, este último fundou a campanha da cidadania contra a fome. Dizer que nem só da palavra que sai da boca de Deus viverá o homem, e que um pedaço de pão, mesmo que amassado pelo “diabo”, também mata a fome. “Aonde comem um, dois também comem".

Direito de dizer que nunca mais quero ver a guerra, e desejar que as armas é que vão para debaixo da terra. Dizer que seria tão bom se a fome fosse tão gostosa quanto a sensação que se tem depois de comer. Mas infelizmente isso não é verdade, e a desgraça é encontrada em qualquer canto da cidade. Precisamos nos unir, temos que nos ajudar, e gritar cada vez mais alto para que todos possam escutar, e descobrir que só o ser humano consciente do poder de suas palavras pode fazer isto mudar. Filosofia de rua não irá parar por aqui...enquanto o mundo inteiro não puder me ouvir.

Digam que aprendemos a não sermos mais enganados. Digam que somente os covardes é que vêem tudo e permanecem calados. Falem que aprendemos a respeitar e ser respeitados. Gritem que a voz do coração pode fazer o mundo inteiro te ouvir, e que temos muito pra contar...repassar o que já vivi. Gritem que há muito tempo a Bíblia deixou de ser o melhor livro do mundo, e que agora já podemos e devemos duvidar de seu conteúdo. Digam que o que importa é a qualidade e não a quantidade de nossas ações, de nossas intenções e de nossa bondade. Espero que seus sonhos sejam iguais aos meus e que a realidade da vida nos afaste mais e mais de Deus, não duvidando nunca de que estamos certos e entendendo que esse Deus bondoso...não está por perto.

Escrevo neste pequeno espaço chamado “Outro Evangelho”, e tenho plena consciência de que posso não obter um bom resultado. Também não sei se estas linhas chegarão aonde eu quero, mas tenho a certeza de que chegarão em algum lugar, então terá surtido algum efeito.

Edson Moura


Texto baseado em "Rap de Filosofia de Rua" chamado "Se o mundo inteiro me pudesse ouvir", rap este que já passa dos 20 anos de sua criação e que permeou minha infância e juventude dando-me diretrizes para o meu desenvolvimento tanto intelectual quanto comportamental.

domingo, 5 de junho de 2011

“Se Deus existe realmente, então tudo é permitido”


Desde muito tempo acredita-se que o homem necessita de algo que delimite suas pulsões perversas, talvez seja por isso que algum sábio do passado resolveu criar um Deus que punisse o mal praticado. Já escreveram que se Deus não existe, e a alma é mortal, logo, tudo nos é permitido, mas eu discordo desta afirmação e explico-me:

No passado Deus era vingativo, intolerante com a impiedade, egocêntrico, todo poderoso e protetor dos seus filhos. Mas como tudo evolui, não poderia ser diferente com Ele. Atualmente Deus veste uma nova roupagem. Hoje está muito mais fácil ser Deus, afinal, se algo de muito bom acontece, logo agradecemos a Deus, mas, se uma tragédia ocorre, culparemos ao Diabo ou, na melhor das hipóteses, ao próprio homem.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

“No Brasil não existem crentes de verdade!”

Por Noreda Somu Tossan

Depois de muito escrever sobre fé e devoção, cheguei à triste (triste?) conclusão que o país em que eu vivo, é um país sem convicções. O brasileiro é um povo que ainda não sabe muito bem o que quer da vida, ou melhor, o brasileiro é constantemente empurrado adiante por algo que ele nunca se preocupou em questionar. Ele vive dilemas éticos filosóficos, e não se importa se no final será chamado de idiota ou de herói da resistência.

Já conversei com muitos ateus, e também com muitos crentes (e quando falo crentes, não estou me referindo a um grupo evangélico restrito, e sim, a todos que de certa forma crêem em algo sobrenatural para sua existência).

Alguns dos ateus, se é que posso considerá-los ateus, dizem não fazerem afirmações sobre a inexistência de Deus, pelo simples fato de não poderem provar tal afirmação. Então, eu posso concluir que eles não são de fato ateus, e sim crentes. Já os crentes, crêem em algo que não se pode provar, mas, sua fé os mantém “convictos” que, algum dia, tudo será explicado, mesmo que não tenham certeza se haverá um lugar reservado para os que crêem. Então, neste caso, posso considerá-los ateus.

O mais fiel de todos os crentes “atuais”, tomam golpes todos os dias, quando são questionados sobre assuntos simples como, evolução, pré-história, ciências, e geografia. Todo crente moderno, deseja ser bem sucedido, contrariando exatamente aquilo que seu mestre Jesus cristo falou (não ajunteis tesouros na terra onde a traça e a ferrugem podem consumi-los, antes, juntem tesouros nos céus, e bla-bla-bla).

E para chegarem ao topo, para serem cabeça e não calda, muitas vezes é necessário negar suas crenças, mesmo que isso seja advertido pelas Escrituras Sagradas a qual tanto defendem. Um crente é selecionado para uma prova admissional, e antes de sair de casa ele ajoelha-se e agradece a Deus pela oportunidade lhe concedida, diz que não seria nada se não fossem as mãos do Senhor guiando seus caminhos.

Muito bem, é chegada a hora da prova e as perguntas que estão naquela folha o fazem rir por dentro. Ele pensa: Obrigado Senhor, até aqui Tu tens me ajudado, e posso ver que até facilitou um pouco. Essas perguntas eu responderei sem pestanejar, pois são facílimas. Além de serem de múltipla-escolha. Glória a Deus!

1ª Pergunta: “O homem é um produto de”: 
(A)   Fábrica
(B)   Artesanal
(C)   Evolução lenta a partir de um organismo unicelular
(D)   Foi criado por uma força misteriosa a mais ou menos sete mil anos
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Vocês têm alguma dúvida de qual foi a resposta dele? Se responderam a letra D erraram, pois ele sabe que a única resposta correta é a C. E com isso ele pode estar garantindo o ingresso dele numa boa empresa, mesmo que tenha negado veementemente a sua origem como obra divina.

2ª Pergunta: “No período glacial, o homem sobreviveu porque”: 

(A)   Sua capacidade de adaptação o ajudou
(B)   Não houve era glacial
(C)   Uma força misteriosa o protegeu
(D)   O homem a não existia nesse período, e nessa época a Terra era sem forma e vazia
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Novamente ele responde o obvio que é a alternativa A, negando mais uma vez àquilo em que crê de verdade (será que crê mesmo?)

3ª Pergunta: “Por que você acha que foi selecionado para esta prova”:
(A)   A empresa não teve outra opção
(B)   Suas qualificações e conhecimentos o favoreceram
(C)   Uma força misteriosa o colocou à frente de todos os outros
(D)   Por incrível que pareça, existem cem vagas por pessoa, portanto...
(E)    Não tenho certeza, prefiro não opinar

Paro por aqui, acho que é desnecessário continuar pois, como podem ver, o mais fiel de todos os crentes, nega sua fé o tempo todo. Você pode usar a imaginação e desenvolver outras perguntas, mas eu garanto, todas o levarão a ver que não existe essa tal fé genuína...não aqui no nosso Brasil.

Venho procurando há anos um crente que refute minhas teorias, mas não encontro um sequer. Quando fazem um comentário num de meus textos, ou fazem como anônimos, ou apenas fazem um comentário sem “pé-nem-cabeça” e desaparecem. Será que eles não têm coragem? Não, não é isso, a verdade é que eles não existem.

Edson Moura

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tenho certeza absoluta de que "talvez" Deus não exista!

Por Noreda Somu Tossan


“Primeiro duvidei, depois questionei, em seguida refleti, como conseqüência...neguei.” Foi um longo percurso até aqui. Anos de estudo, anos de dedicação, centenas de livros a respeito, e um livro que julgava ser a palavra dele. Lembro-me de quando saía de meu leito às quatro horas da manhã, para dedicar-me à leitura devocional da Bíblia. Por que fazia isto? É simples: Estava disposto a encontrar nas páginas de um livro, o criador do universo. 

Procurei desesperadamente; orei horas a fio antes de iniciar a leitura de qualquer livro que fosse. Por sete longos anos dei “bom dia ao Espírito Santo”, e procurei fazer do meu corpo “a casa favorita de Deus”. Acreditei no “Sangue” e embrenhei-me nos montes em busca da “unção”. Mas, “o dia do meu milagre” nunca chegou.

Quis fazer parte do “dream team de Deus”, na santa ilusão de igualar-me aos “heróis da fé”, ledo engano, os heróis só me fizeram duvidar cada vez mais. Percebi que os “caçadores de Deus” viviam num eterno paradoxo, e quando alegavam o haver encontrado, continuavam a buscá-lo.  Talvez esses, os chamados “super crentes”, não passassem de homens normais, que , por viverem em meio ao caos, necessitavam de amparo para suas vidas tão conturbadas.

“A mão invisível” que protegia a todos, nem sequer chegou a afagar meus cabelos.  “A assinatura de Deus” não endossava as páginas da minha vida tão turbulenta e contingente. Resolvi ir “direto ao ponto” e encostei na parede minhas convicções mais fortes. Felizmente elas sucumbiram ao apelo de minha consciência.

Pastores me advertiram da ira do criador; “interpretaram sonhos”, profetizaram sobre minha cabeça e disseram que um dia eu seria cobrado. Ri da cara deles (às escondidas é claro). O mundo que eles acreditavam ser real, não passava de uma “divina comédia” e nenhum deles quis experimentar o “evangelho maltrapilho” que eu tanto admirava.

“O ser e o nada” me atraíram como um ímã, e “a origem das espécies” me pareceu mais aceitável do ponto de vista Darwiniano que do Mosaico. Aos poucos a fé foi perdendo forças frente aos fatos. Ela (a fé), ultrapassou todos os limites da plausibilidade, e como uma criança que descobre que papai Noel tem barbas de algodão, descobri que a fé não tem pés, nem mãos, nem olhos, muito menos cabeça. Duvidei, questionei, refleti e neguei.

Preferi encarar a vida e ver “o mundo como vontade e representação”. Dogmas?  Estudei também, procurei fazer uma “interpretação psicológica do dogma da trindade”, e acreditem, a trindade não resistiu tanto quanto eu esperava. Sozinho, “entre quatro paredes”, atingi a “idade da razão”, e reconheci que após tanto ler, nada sabia sobre a vida. Só sei que nada sei”, esta é a verdade, e quem quiser conhecer a Deus, antes, “conheça-te a ti mesmo”.

Tenho certeza hoje, de que “talvez” Deus não exista. “Talvez” eu seja ateu com certeza. Certamente, “talvez” seja a palavra mais sábia entre todas as outras. Mas foi num mundo de palavras escritas, que descobri que Deus não sabe escrever. Hoje sou “o peregrino” em terra estranha, e sei que foi “Jesus, o maior psicólogo do mundo”. Parei de lutar com “anjos e demônios”, para poder encontrar o “símbolo perdido” na lenta e progressiva evolução da humanidade. 

Meus erros são “mea  culpa”, meus méritos...meus também. Não culpo ao Diabo, não agradeço a Deus, assim vou vivendo...assim vou morrendo, “sem barganhas” sem medos, e porque não...talvez com certezas absolutas.

Edson Moura