
As idéias desses dois autores eram justamente denunciar a ideologia imperialista que dominava as aparentemente inocentes histórias infantis da Disney. Para os autores, as histórias em quadrinhos de “tio Patinhas” e companhia, preparavam as crianças do terceiro mundo para serem subservientes aos países de primeiro mundo, em especial aos EUA.
A primeira descoberta dos autores foi com relação à vida familiar. Não há nenhum vínculo familiar direto nas histórias de “Pato Donald” e amigos. Todos são tios e sobrinhos de alguém. Para os autores, isso era uma estratégia da Disney para imortalizar os personagens... transformando-os em símbolos, numa sociedade que refletia a dominação capitalista.
Além de não ter laços familiares diretos, os personagens são movidos apenas pela ambição do dinheiro. Não há relações de amizade desinteressadas, apenas relações comerciais: “Ninguém ama ninguém... jamais há um ato de carinho ou lealdade ao próximo. O homem está só em cada sofrimento... não há uma mão solidária ou gesto desinteressado”.
O amor de “Margarida”, por exemplo... é retratado em várias histórias que são reproduzidas no livro, onde fica demonstrado nas histórias da Disney, que as relações são sempre de interesse...e quase sempre interesse financeiro.
Nesse mundo de interesses, os que estão em baixo aprendem a ser obedientes...submissos...disciplinados e a aceitar com respeito e humildade as ordens superiores. Por outro lado, os que estão em cima exercem sempre a coerção física e moral, além do domínio econômico. No mundo da Disney, ser mais velho...mais rico ou mais belo, dá imediatamente o direito de mandar nos outros. Os menos afortunados por sua vez, passam o dia a queixar-se, mas são incapazes de quebrar esse círculo de opressão.
Não quero me perder, assim como Josué Irion, procurando subliminaridades em tudo que vem da Disney ( até por que cresci lendo gibis de todos os tipos...e particularmente os da Disney), apenas achei muito interessante a abordagem feita pelos dois autores no que diz respeito à ideologia imperialista.
O livro é pequeno e vale à pena ser lido. Sugiro ler juntamente com o livro “Filosofia da miséria” de Proudhon...e “Miséria da filosofia” de Karl Marx...este segundo sendo uma resposta ao primeiro.
Abraços a todos que se dispusera a ler este artigo.
Edson Moura