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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Fadados estamos a imperfeitos sermos


Droga!!! Por que a perfeição do outro me incomoda tanto? O cara é bonito, rico, porte atlético, inteligente...tantas mulheres o querem. E eu assim, magrelo, feio, pobre e a pé. É como diria Fernando Pessoa: “Só vejo príncipes! Quem me dera ouvir de alguém a voz humana. Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?” Mas tenho um acalento...e não é o álcool.
 

Elas não estão satisfeitas com a perfeição, não, querem mais..muito mais. Querem perscrutar, virar do avesso, descobrir a carne, revelar os músculos e os vasos e achar ali, bem no fundo, no fundo, no fundo do ser masculino, um defeito que o torne tão vil quanto eu. E acham. Sim, sempre acham um defeito parte, que será analisado como se o todo fosse. Ele tem mal hálito, ele é mulherengo, ele sai aos domingos pra jogar futebol com os amigos e me deixa só, ele tem o pau pequeno, torto, grande demais sei lá, ele tem um defeito.

Porra, não dá! Perfeito só Deus! E o cara é tão egocêntrico (Deus) que não se preocupa em asseverar o tempo todo que só Ele é assim, e por ser assim, precisou criar um ser que não fosse como ele, para que não perdesse o posto de “fodão”. Mandou um pra cá que também era perfeito, mas logo trataram de apontar suas falhas: “Ele anda com putas e ladrões, ele deixou de socorrer um amigo que estava morrendo em Betânia, Ele era frouxo e chorava sozinho pedindo para que lhe afastasse o cálice, ele expulsava demônios em nome do Diabo, ele abraçava leprosos (que nojo), Crucifiquem o Príncipe, mas ponham-lhe antes uma coroa de rei, só pra sacanear.

Novamente me tranquilizo, e de novo não é com o álcool como o poema sugere. Acham defeito em tudo, em todos, porque não encontrariam em mim? Se nem a natureza é perfeita, ora, flores de várias cores, seres de várias espécies, planetas de vários tamanhos, mas tem tsunami, furacão e terremoto. Tem homem que nasce mal (defeito na natureza humana), tem homem que nasce bom e a sociedade o corrompe (defeito da sociedade), tem outros que nascem neutros (ser neutro é não ter características, logo, defeito também).

Quero ser franco me chamam de mal educado, quero ser honesto me chamam de trouxa, quero ser ético me chamam de demagogo, quando quero ser romântico o título que ganho é de fresco, viado, sem pegada, mas quando resolvo ser homem, aí sou machista, bruto, insensível...grosso. Então prefiro mentir, prefiro ser dois, três e até quatro pessoas diferentes dentro de um só ser. Agrado falando o que querem ouvir, finjo o tempo todo ser o que elas querem que eu seja. Deixo-me usar como um pedaço de carne, como um lenço pra enxugar lágrimas (descartável de preferência), sou apenas um absorvente sem abas que dá conforto mas só querem me ver nos dias ruins, e assim vou enganando a elas e a mim.

E mesmo esses, aparentemente perfeitos, o Grey de todas as mulheres, mesmo esses devem ter um defeito que vai incomodar cedo ou tarde, por isso, elas preferem deixá-lo, traí-lo, ignorá-lo, pois não estão prontas para o homem perfeito. Na verdade acho que nem querem um, porque se tiverem... a quem vão poder apontar o dedo e vomitar impropérios numa DR de pelo menos duas horas? Se o cara não tiver defeitos elas não vão ter sempre razão, e não há tragédia pior para uma mulher do que não ter sempre razão.

É Fernando... em linha reta não dá pra agradar.

Edson Moura

domingo, 17 de junho de 2012

“Não estava lá, mas posso imaginar”




“Não estava lá, mas posso imaginar”

A imagem de crianças com suas canecas de ferro fundido nas mãos, implorando por um pouco de leite, ou migalhas de pão, não me saem da cabeça. São imagens forjadas por minha mente, eu sei, pois eu nunca presenciei tais fatos. Auschwitz-Birkenau, este é seu nome, e se, mesmo sem conhecê-la, consigo sentir o terror invadir-me ao simples som de seu nome, posso imaginar o terror que habitava os homens e mulheres que para lá foram levados.

Crianças que num dia brincavam com seus animais de estimação, faziam suas refeições, aconchegavam-se no colo de suas mães e lambiam o bigodinho deixado pelo leite morno que tomavam, no outro se viam desamparadas, famintas, carentes, absolutamente sós num lugar onde o único conforto imaginável seria a esperança de um dia adentrarem os portões do céu e descansarem nos braços de seu Deus.

Quem afagaria seus cabelos quando tivessem um pesadelo noturno? Quem daria aquele beijinho quando caíssem e de leve, esfolassem os joelhos? Quem os protegeria dos monstros que existem debaixo de suas camas?  Quanta dor foi causada a essas crianças. É nessa hora que eu me desespero com o ser humano. É nessa hora que não consigo conter a taquicardia e as lágrimas que brotam de meus olhos. Homens animais que tratam suas crianças como lixo, como descartáveis, não se dão conta de que uma espécie que não pode proteger seus filhotes, que não sente a extrema necessidade de dar carinho a eles, não merecem permanecer vivos.

O que dizer das mães, que pela força foram arrancadas de suas crias, vendo-os serem carregados para longe do lar, para a morte certa? Quem pode sentir uma fração da dor de um pai que ao observar a partida de seu filho, para sei lá onde, sente-se o mais inútil dos seres. Sem forças para lutar o que pode fazer é apenas chorar. Não estive lá, mas posso imaginar. A estupidez de um austríaco mostrou o quão insano pode ser o homem.

As mulheres chegavam aflitas dos comboios de trens para Auschwtz, Sobibór, Treblinka, Majdanec, Belzec, desesperadas por um pedaço de pão para seus filhos famintos. Imagine viajar por dois dias, 170 pessoas espremidas em um único vagão. E quando chegavam eram rapidamente selecionadas pelos médicos da SS. Entre as da esquerda ficavam as que serviriam no regime de escravidão nos campos de concentração; as da direita, juntamente com crianças,  idosos e deficientes, iam para as câmaras de gás.

Carregando suas malinhas, muitas vezes após mais de um dia sem comer, sedentas e com frio, as crianças perguntavam: “mamãe, estou com fome, onde vamos?”. Provavelmente as mães não sabiam o que responder. Algumas, creio eu, num esforço descomunal para consolá-las, diziam: “Vamos tomar banho e depois jantar.” Quem conhece a história sabe que este banho seria o seu último, e refeições certamente não precisariam mais, pois os chuveiros eram adaptados para sair, não água, mas sim um gás letal.

Eles não gritavam, nem choravam, pais e filhos judeus, ciganos, negros, ou doentes mentais, tiravam as roupas, reuniam- se em circos familiares, beijavam- se e despediam-se uns dos outros, esperando por um sinal  dos homens maus da  SS que ficavam perto da vala com chicotes nas mãos. Quantas vezes me imaginei naquele cenário? Pensando e repensando qual seriai a minha reação? Será que eu imploraria por clemência? Será que me agigantaria diante dos soldados e morreria lutando por minha família? Talvez sim. Ou talvez eu permanecesse parado, como um covarde, contemplando a máquina de matar de Hitler em pleno funcionamento. Não ouviriam de mim nenhum pedido de clemência diante do pelotão de fuzilamento... talvez.

Numa dessas divagações, uma cena se materializou em minha cabeça: “Auschwitz II estava silenciosa. Podia sentir o frio cortante bater em meu rosto e os pelos de meu corpo se arrepiarem. Uma fila se estendia pelo campo, era chegada a hora, mais alguns receberam a permissão para partir. Presenciei uma família de seis pessoas, um homem e uma mulher de aproximadamente 40 anos, com duas filhas de 15 e 14 anos, dois meninos, um de 7 e outro de 5 anos apenas... a mãe abraçava o mais novo. O homem olhava sua esposa com lágrimas nos olhos. Depois o pai segurou a mão do menino de 7 anos e falou com ele ternamente, não pude ouvir, mas vi uma lágrima rolar no rosto da criança e logo depois ser contida pelo dedo polegar do pai. O menino lutava para contê-las. 

Uma série de tiros então rompeu o silêncio. De onde estava não conseguia ter uma visão clara, então dei dois passos à frente e olhei por sobre o ombro de um soldado da SS. A cena me aterrorizou. Vi os corpos das crianças se contorcendo, e os de seus pais, imóvel. Corações que até um instante pulsavam, crianças que outrora sorriam e brincavam, agora jaziam em cima de uma pilha de outros corpos que morreram antes deles.

Sempre fico abalado com esses pensamentos. Chego à triste conclusão de que não houve geração que não produzisse insanidades, não houve povo que não formasse mentes estúpidas, mas nos dias de Adolf Hitler nossa espécie foi às raias da loucura. Crianças e adultos tirados de seus lares, vidas interrompidas pelo desejo megalomaníaco de um só homem, que com extrema inteligência manipulou as mentes de uma sociedade tida como a mais culta de todas. 

Onde estavam os grandes filósofos, que não ouviram os gemidos inexprimíveis de crianças e adultos, de negros e judeus, ciganos e poloneses? Eles também se calaram! Alguns até aderiram ao pensamento de Hitler e colaboraram com a tentativa de “limpeza étnica”. Outros comentavam com orgulho que os campos de concentração era uma industria de massacre sem falhas. Desde a seleção dos que chegavam, à eliminação dos cadáveres até ao aproveitamento de seus pertences e restos mortais.

Alguns vêm esses relatos apenas como estatísticas, outros dizem nunca ter acontecido. São os filhos do cartesianismo, onde nada escapa da frieza dos números, de dados estatísticos. Notícias de terremotos que matam milhares e deixa milhões sem lar, chacinas, Tsunamis, tudo não passa de números para alguns. Para outros (poucos eu sei), notícias assim chocam, comovem e os fazem repensar seus conceitos. Trazendo uma verdade implícita em seus sentimentos: “Quando uma sociedade não conhece a fundo sua história, corre o risco de cometer os mesmos erros, talvez até maiores”.

Não estivemos lá, mas podemos imaginar.

Edson Moura

domingo, 27 de maio de 2012

“Tornei-me um inútil”

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ninguém gosta de ser chamado de inútil e ninguém quer se tornar obsoleto um dia, mas pensando bem, quando nos tornamos desnecessários na vida de outras pessoas, estamos dando indícios de que essas pessoas já podem caminhar com as próprias pernas. Na sociedade moderna constatamos esta “deformação” em muitos lares.

Traição ou Solução?

domingo, 13 de março de 2011


    
                                        
Por Edson Moura

O desejo latente permaneceu assim durante anos. Sufocado por um outro desejo quase tão grande. O desejo de não magoar o outro. A convivência com o parceiro era algo parecido com um caminhar à beira da praia, contemplando a imensidão do mar, sem poder sentir as ondas acariciarem seus pés.

Vontade quase incontrolável de sentir algo novo. Pulsão que lhe rasga as entranhas, e um fogo abrasador que consome suas partes intimas. Assim ela vai vivendo, dominando e sendo dominada por um sentimento, por uma fera chamado tesão.

sábado, 26 de maio de 2012

“A vingança” parte II

domingo, 24 de outubro de 2010


...e num momento de estúpida lucidez... puxei o gatilho!

Puxei o gatilho e fiquei ali parado ouvindo o estampido do tiro ecoar pela manhã que parecia me recriminar pela minha atitude. Enquanto a fumaça da pólvora se dissipava e misturava-se com a neblina eu observava trêmulo, o corpo do homem caído ao chão. Minhas mãos sentiam o calor gerado pelo disparo, e aos poucos o cano da arma ia esfriando, enquanto eu tomava consciência do meu ato.

”A vingança”

sábado, 16 de outubro de 2010




Embora o desfecho desta história que lhes conto seja fictício, devo deixar claro que o teor do conto é verdadeiro e acontece ainda hoje bem perto de mim. A intenção minha é apenas deixar patente aos leitores que sentimentos de ira e de justiça que passam a todos os momentos por nossas cabeças, mas cabe a nós controlarmos o ímpeto vingativo e acalmar o nossos “corações” para não tornarmo-nos justiceiros insensíveis.

Resumindo ao máximo, começo a esclarecendo os motivos que levaram o Noreda a praticar tal ato. Durante cerca de dois meses ele observou atentamente o comportamento daquela mulher e daquele homem. O marido – um jovem de apenas 22 anos – saía bem cedo para trabalhar. Era quando o pastor chegava à casa do membro de sua igreja, para foder sua mulher durante horas.

Oito dias sem se ver

segunda-feira, 6 de setembro de 2010


8º Dia: Que estranho, não  me recordo mais da cor dos seus olhos. Busco desesperadamente lembrar-me de algumas rugas de expressão ou do desenho de suas sobrancelhas...mas é em vão. A lembrança daquele rosto que tanto amo, não existe mais.


7º Dia: Lembrei-me das vezes em que ele passava horas olhando para mim. Quantas palhaçadas e caricaturas ele inventava... só pra arrancar um sorriso meu. Dava-me língua, fazia cara de malvado,  olhava-me profundamente e dizia: Você é lindo! Que idiota ele era. (risos)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Lamentações de um Pai" ... (Parte II)

segunda-feira, 19 de abril de 2010


Dois anos de uma vida, dois anos e muitas estorias, dois anos de pensamentos gerados em um crânio em processo de desenvolvimento, "DOIS FILHOS" levados para longe...para muito longe de um pai que lamentará a perda por todo o restante de sua vida.


A sensação é inexplicável, a dor é soberba, o desespero confunde os pensamentos do pai, ao chegar em casa e ver que seus dois filhos não estavam. Ele procura pela casa deserta, ele reflete por alguns instantes se os filhos não estão escondidos, a fim de pregar-lhe uma peça. Mas as esperanças se dissolvem como uma colher de açúcar em um copo de água.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Apenas um sorriso

Por Edson Moura

Um piloto de caça, durante o período da Segunda Guerra Mundial, foi capturado pelo inimigo após seu avião ser abatido e milagrosamente sair sem um aranhão. Foi lançado numa cela de prisão. Todos os carcereiros o olhavam com desdém e era tratado de forma rude pelos mesmos. Sua execução estava marcada para o dia seguinte à sua captura e pretendo contar á vocês leitores o incrível desfecho desta tragédia.

Ele tinha certeza que seria morto. Ficou terrivelmente perturbado e nervoso. Remexeu nos bolsos em busca de um cigarro que, “Deus quisera”, tivesse escapado à revista. Encontrou apenas um, mas como as mãos estavam trêmulas de medo, mal podia levá-lo aos lábios. O pânico se abateu quando ele percebeu que não tinha fósforos, estes foram levados na revista.

Olhou através das grades para o carcereiro. Ele não correspondeu ao olhar do rapaz condenado, afinal, não se estabelece contato com uma “coisa”, um cadáver. Ele então gritou para o homem: “Tem fogo, por favor?!”. O carcereiro olhou para ele, deu de ombros e caminhou até a direção do rapaz. Ao se aproximar e sacar uma caixinha de fósforos, os olhares dos dois inadvertidamente se cruzaram. Naquele momento o rapaz sorriu.

Nem ele mesmo sabe por que fez aquilo. Talvez por nervosismo, talvez porque, quando se está realmente perto de alguém, é muito difícil não sorrir. Em todo caso, ele sorriu. Naquele instante, foi como se uma faísca saltasse no espaço entre os corações dos dois homens, entre suas almas. Não foi proposital, mas o sorriso do rapaz “saltou” por entre as grades e gerou um sorriso nos lábios do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro do rapaz, mas permaneceu por perto, olhando-o diretamente nos olhos e continuando a sorrir.

O Jovem rapaz continuou a sorrir, agora consciente da pessoa e não apenas do carcereiro que o mantinha preso. O olhar do carcereiro parecia também ter uma nova dimensão. Você tem filhos? Perguntou o carcereiro.

Sim, aqui, aqui! Disse o rapaz tirando a carteira e procurando nervosamente a fotografia de seus filhos e sua esposa. O Homem também puxou a fotos de seus garotos e começou a falar sobre seus planos para eles. Os olhos do rapaz encheram-se de lágrimas. Confidenciou ao carcereiro que temia nunca mais vê-los novamente, nunca ter a chance de vê-los crescer. Algo parecido com Lágrimas também aflorou nos olhos do carcereiro.

De repente, sem qualquer palavra, o homem destrancou a cela do rapaz e silenciosamente o conduziu para fora. Passou por corredores escuros e deu de cara com um pátio. O Jovem pensou: Minha vida foi salva por um sorriso, apenas um sorriso. Seu coração batia acelerado ao passo em que caminhava em direção à sua liberdade.

Deu mais alguns passos e olhou para trás, o carcereiro havia parado. Podia ouvir os passos dos soldados marchando em sua direção. Uma venda lhe foi oferecida, e, ao colocá-la, ouviu a voz do carcereiro:

Perdeu playboy, sua execução foi antecipada!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A extinção do homem


As mulheres, todas elas, já deveriam estar cientes, já que parece que algumas ainda não perceberam que o homem é um ser que está beirando a extinção. Algumas delas, sortudas (ou não) adquirem um exemplar em alguma oficina mecânica, igreja, ou indústria, com muita dificuldade, pois sabemos que existem imitações bem ordinárias. É de extrema necessidade que criem um movimento que hasteiem em mastros bem altos, cuecas, camisetas de Educação Física e canecas de cerveja, em defesa dos últimos espécimes. Reservas ambientais deveriam ser criadas para que este magnífico animal possa se recuperar.

Homem não gosta de aliança, casamento, imposto de renda, mas vai tolerando todos eles, afinal de contas, é uma maneira de obter sexo, um lugarzinho ara dormir, comer e beber água. Mas com o tempo isso acaba lhe saindo tão caro, que ele acaba parando de comer direito, e de fazer sexo (pelo menos dentro de sua “jaula”). Casamento, família, sogra, estas coisas foram feitas para mulher... estão extinguindo os homens.

Não mande, nunca, em hipótese alguma, flores para um homem. Homem mesmo, os de verdade, são aqueles que vêm as flores apenas como uma variedade de alface. Mande uma caixa de cerveja pilsen, eles preferem. Homem não come brócolis, aliás, ele nem sabe o que é isso. Come carne vermelha, de preferência mal passada.

Algumas pessoas falam mal, dizem que homens são grossos, que arrota, solta peidos altissonantes, mas essas coisas quem diz são as pessoas que não conhecem ou não gostam de homens, ou gente que tem inveja... tem muito invejoso por aí. O homem não arrota alto por falta de educação, arrota porque tem opinião.

Nunca dê carinho a um homem, ele vai pensar que você está doente. Coloque uma lingerie bem sensual e incline-se entre ele e a TV no intervalo do futebol, (atenção! Apenas no intervalo, senão vai irritá-lo) isso é o mais próximo de carinho que ele vai entender. Para um homem, a mulher é um ser estranho... maluco, cuja melhor parte é a bunda. Não pense, nem um minuto de sua vida, que um homem entende você. Se ele entendê-la, certamente não é homem. Homem entende de bombas de gasolina, futebol, taxa de juros e é claro... de bunda.

Quer agradá-lo convidando-o para ir ao cinema? Esqueça. Se quiser mesmo agradá-lo, basta não incomodá-lo. Já estará agradando-o muito, acredite. Uma dica de homem. Faça o seguinte: diga a ele que nunca vai querer se casar, que tem horror a filhos, que nunca menstrua porque fez aquele tratamento da Ana Paula Arósio, que não gosta de shopping, que jamais vai querer um cartão de crédito, pois você acabaria comprando o que não precisa, com um dinheiro que você não tem, diga que não tem mãe, que sua família mora na África, que você quer sexo sem compromisso, que você ganha seu próprio dinheiro.

Se ele acreditar em tudo isso, certamente vai querer casar com você. Mas atenção, não case! Ele vai saber que foi uma armadilha. Mas pensando bem, se ele for homem mesmo, homem de fato, é burro demais para estas coisas. São facilmente abatidos. Tanto é verdade que estão em extinção.

Pelo menos uma vez por semana, coloque uma cerveja na frente de seu homem para saber se ele está bem de saúde. Desinteresse pode ser sinal de doença, sei lá, talvez uma infecção. Não diga nunca, nunca mesmo, que seu irmão virá lhe visitar. Homem não gosta de mulher que tem irmão. Faça o seguinte> diga que uma pessoa que deve uma grana a você está vindo lhe trazer o cheque. Ele vai até abrir a porta para ele e ficará por perto.

Quer sensibilidade? Cultive violetas, rosas, orquídeas... orquídeas cor-de-rosa. Quer amor? Crie um cachorro ou um gato, aliás, gato não, homens não gostam muito de gatos. Quer poesia? Leia Fernando Pessoa, Drummond de Andrade, Neruda. Quer conversar? MSN é uma ótima escolha. Está se sentindo sozinha? Convide uma amiga para tomar um chá. Quer falar sobre aspectos ginecológicos? Ginecologista, é óbvio. Se não está mais agüentando certas coisas e precisa desabafar, procure um padre.

Mas se, de fato, você insiste em intimidades, se realmente quer se expressar com seu homem, se você é mesmo teimosa (e mulher é!), fale que não precisa trocar o carro, que este está ótimo. Diga que não é preciso pintar o muro, afinal, muro não se pinta. Diga que sua família vai se mudar da África para a Sibéria, ou que o time dele contratou um zagueiro da seleção.

Homem é fanfarrão, mentiroso (ôh se é!), mas sempre de um modo viril. Minta pra ele. Diga que ele é um espetáculo na cama, que você nunca conheceu ninguém igual. Ele vai acreditar. Diga que é desnecessário ele fazer musculação, afinal, se ele ficar mais gostoso do que já é você não responde por si se uma piranha na rua mexer com ele. Acredite, é impossível um homem não acreditar em um elogio, a não ser quando a questão envolva dinheiro.

Homem é um bicho pouco inteligente, mas que acha que é inteligente. Alguns pensam que sabem tudo, tem um modo empinado de ver o mundo, e se possuem dinheiro e trabalho, usam isso como argumento. São geralmente os mais burros, mas não discuta isso com eles, pois não entenderão. Homem quando não entende briga. Quando entende briga. E quando briga acha que está certo, sei lá, deve ser genético.

Lembre-se: Quem se destaca é o homem. Quem tem sempre razão é ele. Quem é homem é ele. Você é só uma mulher. Fique sempre um passo atrás. Mesmo que já saiba as respostas, pergunte sempre a ele. Não chore, “pelamordedeus”! Geneticamente um homem não tem como lidar com o choro de uma mulher, ele pensa que é dor, não sabe distinguir.

Edson Moura

Adaptação de um artigo de Lucio Parckter (Filósofo Clinico)



sábado, 9 de julho de 2011

"ES. comeu M., logo, J. era corno"

Por Noreda Somu Tossan

Atenção! Para preservar a integridade das pessoas citadas neste artigo, optei por usar apenas as iniciais de seus nomes, salvaguardando assim, suas respectivas identidades e, por conseguinte, suas reputações.

M. era uma bela jovem, porém, deveras assanhada. Estava de casamento marcado com um rapaz , já bem mais velho que ela. O Rapaz era muito trabalhador, desde muito pequeno aprendera a trabalhar com as mãos e já tinha uma clientela fixa em sua oficina.

Passara os últimos meses economizando o quanto podia para comprar os móveis para a sua modesta casinha. J. era seu nome , bem aparentado, corpo esbelto e cultivava uma bela barba preta que lhe conferia pelo menos cinco anos a mais do que realmente tinha. J. sempre respeitou M., e nunca a tocara mais intimamente, embora ela sempre o provocasse, insinuando-se, e tocando-lhe em partes erógenas do corpo.

M., como já disse, era muito assanhada, já tinha 15 anos e seus hormônios já a faziam passar calores . Usava roupas que chamavam atenção dos rapazes de seu bairro. Já era de se esperar que o pior acontecesse .

Numa noite cálida M. foi deitar-se, com uma camisola transparente, seios protuberantes escapavam de vez em quando de dentro de suas vestes. Era uma cena irresistível ver aquela bela mulher contorcer-se na cama à medida em que o lençol que lhe cobria as curvas caia ao chão , expondo seu sexo. A propósito...a janela estava aberta, e alguns que passavam, vindos das baladas noturnas, não deixavam de dar uma espinhadinha na moça gostosa. ES. Já estava a dois dias na gandaia, recém liberto da escravidão de seu “patrão”, ele só pensava agora em diverti-se. Quando passou em frente a janela , não se conteve ,parou , ficou um bom tempo admirando aquela ninfeta sex, e fez o impensável:

Num momento de extrema excitação, pulou a janela e pôs-se ao lado da cama de M., tirou suas calças e expôs seu membro rijo. Só masturbar-se não estava resolvendo, precisava ir além. Deitou-se ao lado de M.e, suavemente arremeteu para dentro da moça. M. soltou um gemido de satisfação e à medida que ele entrava e saia de sua gruta, M. delirava de prazer.

M. acorda de seus “sonhos” eróticos e quando finalmente seu cérebro consegue organizar seu senso espacial, ela se da conta de que tem um homem em cima de si. A primeira reação de M. foi de repelir aquele varão, mas algo em sua mente a dizia que ficasse tranqüila, que tudo aquilo que lhe estava acontecendo não era uma obra do acaso. Na verdade a voz que ela ouvia era de ES., que sussurrava em seu ouvido coisas do tipo:

“relaxe criança, você foi escolhida entre tantas para ter uma noite de prazer como nunca mais terá”, ou, “este membro que recebes agora, mudará tua vida, pois és bendita entre todas as outras com quem já me deitei... achastes graças aos meus olhos”. Ela relaxou então, e foi recíproca às caricias de ES.

Quarenta dias se passaram e M. se viu desesperada ao ver que sua menstruação não vinha. Como darei a noticia a J? Ele vai me matar! Meu Deus... Por quê?

Quando J. Recebeu a noticia de que sua noiva (que nunca havia tocado) estava grávida, desesperou-se, perdeu o chão, e num ato de desespero tentou fugir da sua cidade. Mas o pai de M. mandou alguns de seus capangas para interceptá-lo. Deram-lhe uma surra e o trouxeram de volta. Ele contou tudo à seu sogro, que ficou perplexo e também arrependido por tê-lo julgado um cafajeste. Ao final, para colocar panos quentes em toda esta desgraça, inventaram uma historia tão , mas tão absurda, que, por incrível que pareça, até hoje se acredita nela.

FIM

domingo, 3 de julho de 2011

“Uma tragédia pós-moderna”

Um amigo me procurou angustiado, pois estava vivendo, segundo ele, um dos maiores dilemas de sua vida. Embora tenha insistido para que ele me contasse logo de uma vez qual era esse dilema, ele me disse que precisava de pelo menos três cervejas para criar coragem. (pensi comigo: “Lá vem outra daquelas estórias maçantes de gente fraca que não sabe lidar com os percalços que a vida lhe impõe”.

Sentamos à mesa de um “boteco” chamado “botequim do Edu”, pedi uma “original”, acendi um cigarro para mim e fui surpreendido quando ele pediu um para si, tendo em vista que nunca o vira fumando. Então ele respirou fundo e começou a contar-me sua “tragédia engarrafada”:

Noreda, você sabe que estou namorando uma garota de dezessete anos, não sabe? Pois bem, embora todos nos olhem meio atravessado, talvez pela diferença de idade pois já estou com trinta e nove, talvez pela beleza da menina em contraste com minha péssima aparência, ou apenas por verem um casal tão apaixonado se abraçando pelas ruas, enfim, as pessoas nos observam.

Conheci a garota acerca de seis meses e posso dizer sem hesitação que foi amor à primeira vista. Não consigo explicar como ela me chamou a atenção. Quando a vi, meu coração disparou, era como se eu já a conhecesse, rolou uma química, uma atração muito forte. Ela estava linda, vestida com uma saia um tanto quanto curta, cabelos ondulados e dourados, olhos castanhos e uma pela branca como a de uma boneca de porcelana.

Sempre achei que essas coisas de amor não existiam e que tudo não passava de divagações de poetas recalcados e solitários que apenas conseguiam viver um grande amor em suas imaginações melancólicas. Enganei-me! Estava, aliás, estou apaixonado por esta garota, e tenho certeza que o sentimento é recíproco. Já trocamos juras de amor e até temos planos de nos casarmos.

Nos demos muito bem na cama e embora já tenha transado com muitas mulheres, nunca tive relações sexuais tão intensas como as que tenho hoje com ela. Você acredita que eu fui o primeiro homem de sua vida? Pois é, ela era virgem, e isso me atraiu mais ainda nela. Saber que uma mulher é apenas sua, que homem algum a havia tocado, é de deixar qualquer sujeito com o ego inflado.

Neste momento interrompi o discurso do meu amigo, porque além de já esta ficando excitado, estava vendo que não havia tragédia nenhuma para ser contada, apenas contemplava um homem se gabando por estar saboreando um dos melhores momentos de sua vida, querendo apenas que eu tomasse conhecimento de seu apogeu sexual. Pedi mais uma cerveja e acendi outro cigarro. Mandei já irritado que continuasse. Foi então que seu semblante mudou. Seus olhos lacrimejaram e quase pude ver um homem desesperado, gritando por socorro em meio a uma catástrofe existencial.

Noreda, sempre achei que já a conhecia. Seus olhos me eram familiares e os traços simétricos de seu rosto me faziam lembrar de alguém , como se já nos conhecêssemos. Achei que era fruto da minha imaginação, e que meu coração, tão apaixonado, me fazia acreditar que aquela era minha alma gêmea, mas não era bem assim.

Você não tem noção do tamanho do choque, do pavor que se apossou de mim no dia em que ela me levou à sua casa para que eu conhecesse seus pais. Eu realmente estava com medo da reação deles, pois até eu sabia que eles não aceitariam que sua menina se envolvesse com um cara tão velho. Mas fui mesmo assim!

Ao chegar ao portão da casa, vi uma mulher de seus trinta e poucos anos, cabelos também dourados e ondulados, um corpo ainda atraente apesar da idade. Confesso que não olhei diretamente em seus olhos, talvez por vergonha, talvez por medo, ou apenas porque estava com os olhos fixos, admirando seus seios fartos e arredondados. À medida que fui saindo do torpor causado por aquele corpo atraente, fui levantando os olhos para finalmente encará-la, foi aí que meu sangue gelou...

Era a Sônia! Lembra dela? Aquela minha namorada da juventude! Aquela que eu dispensei depois de tirar sua virgindade. Não me julgue Noreda, eu tinha apenas vinte e dois anos, não estava pronto para ficar com apenas uma mulher, queria aproveitar a vida, e nem me preocupei em dar um motivo para o fim do namoro. Apenas terminei e viajei para fora do país para ganhar algum dinheiro.

Ela me olhou horrorizada, quase desmaiou ao reconhecer-me. Seus lábios arroxearam e foi preciso pegar um copo d’água para ela. O marido estava chegando do trabalho e não me deu muita atenção, apenas perguntou o que estava acontecendo enquanto afagava o cabelo da esposa e pedia para a filha apresentar o seu namorado a ele. Sônia estava catatônica. Não dizia uma palavra sequer. Apenas quando o marido foi até a cozinha verificar porque a filha estava demorando tanto para trazer mais um copo de água com açúcar foi que ela me pegou firme pelo braço, olhou fundo nos meus olhos e com lágrimas rolando por sua face ela disse:

Este que está na cozinha não é o pai biológico dela. Eu me casei já grávida e ele não sabe a verdade e espero que continue assim. Uma coisa é certa... Você não pode mais namorar com ela, pois esta menina é sua filha.

Madonna! Se eu não estivesse sentado numa cadeira do bar, teria caído no chão. Fiquei pasmo. Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer. Uma tragédia! Sim, uma tragédia é o que é! Nem Sófocles poderia imaginar uma desgraça tamanha. Tive pena do meu amigo. Procurei palavras, mas não encontrei. Arrisquei dizer algo, mas a voz não brotava, era como se minhas cordas vocais tivessem sido cortadas. Baixei a cabeça e pude ouvi-lo dizendo algo que me deixou ainda mais espantado:

Eu não vou deixá-la Noreda! Eu a amo e não temos laços fraternais.Mesmo que seja seu pai, e que tenhamos laços sanguíneos, não posso aceitar que um detalhe genético interrompa um amor tão lindo. Vou contra tudo e contra todos para que possamos nos casar e vivermos felizes.

Levantei, acendi mais um cigarro, paguei a conta do bar e disse:

Boa sorte meu amigo, você vai precisar. Virei às costas e parti, como se aquilo não me incomodasse. Como se aquela situação não me afligisse a alma que não tenho. Enquanto a brisa da tarde soprava em meu rosto pude sentir uma fisgada no coração. Algo parecido com uma sensação de alívio...

Alívio por não estar no lugar dele.

Edson Moura

“Uma tragédia pós-moderna”


Um amigo me procurou angustiado, pois estava vivendo, segundo ele, um dos maiores dilemas de sua vida. Embora tenha insistido para que ele me contasse logo de uma vez qual era esse dilema, ele me disse que precisava de pelo menos três cervejas para criar coragem. (pensi comigo: “Lá vem outra daquelas estórias maçantes de gente fraca que não sabe lidar com os percalços que a vida lhe impõe”.

Sentamos à mesa de um “boteco” chamado “botequim do Edu”, pedi uma “original”, acendi um cigarro para mim e fui surpreendido quando ele pediu um para si, tendo em vista que nunca o vira fumando. Então ele respirou fundo e começou a contar-me sua “tragédia engarrafada”:

Noreda, você sabe que estou namorando uma garota de dezessete anos, não sabe? Pois bem, embora todos nos olhem meio atravessado, talvez pela diferença de idade pois já estou com trinta e nove, talvez pela beleza da menina em contraste com minha péssima aparência, ou apenas por verem um casal tão apaixonado se abraçando pelas ruas, enfim, as pessoas nos observam.

Conheci a garota acerca de seis meses e posso dizer sem hesitação que foi amor à primeira vista. Não consigo explicar como ela me chamou a atenção. Quando a vi, meu coração disparou, era como se eu já a conhecesse, rolou uma química, uma atração muito forte. Ela estava linda, vestida com uma saia um tanto quanto curta, cabelos ondulados e dourados, olhos castanhos e uma pela branca como a de uma boneca de porcelana.

Sempre achei que essas coisas de amor não existiam e que tudo não passava de divagações de poetas recalcados e solitários que apenas conseguiam viver um grande amor em suas imaginações melancólicas. Enganei-me! Estava, aliás, estou apaixonado por esta garota, e tenho certeza que o sentimento é recíproco. Já trocamos juras de amor e até temos planos de nos casarmos.

Nos demos muito bem na cama e embora já tenha transado com muitas mulheres, nunca tive relações sexuais tão intensas como as que tenho hoje com ela. Você acredita que eu fui o primeiro homem de sua vida? Pois é, ela era virgem, e isso me atraiu mais ainda nela. Saber que uma mulher é apenas sua, que homem algum a havia tocado, é de deixar qualquer sujeito com o ego inflado.

Neste momento interrompi o discurso do meu amigo, porque além de já esta ficando excitado, estava vendo que não havia tragédia nenhuma para ser contada, apenas contemplava um homem se gabando por estar saboreando um dos melhores momentos de sua vida, querendo apenas que eu tomasse conhecimento de seu apogeu sexual. Pedi mais uma cerveja e acendi outro cigarro. Mandei já irritado que continuasse. Foi então que seu semblante mudou. Seus olhos lacrimejaram e quase pude ver um homem desesperado, gritando por socorro em meio a uma catástrofe existencial.

Noreda, sempre achei que já a conhecia. Seus olhos me eram familiares e os traços simétricos de seu rosto me faziam lembrar de alguém , como se já nos conhecêssemos. Achei que era fruto da minha imaginação, e que meu coração, tão apaixonado, me fazia acreditar que aquela era minha alma gêmea, mas não era bem assim.

Você não tem noção do tamanho do choque, do pavor que se apossou de mim no dia em que ela me levou à sua casa para que eu conhecesse seus pais. Eu realmente estava com medo da reação deles, pois até eu sabia que eles não aceitariam que sua menina se envolvesse com um cara tão velho. Mas fui mesmo assim!

Ao chegar ao portão da casa, vi uma mulher de seus trinta e poucos anos, cabelos também dourados e ondulados, um corpo ainda atraente apesar da idade. Confesso que não olhei diretamente em seus olhos, talvez por vergonha, talvez por medo, ou apenas porque estava com os olhos fixos, admirando seus seios fartos e arredondados. À medida que fui saindo do torpor causado por aquele corpo atraente, fui levantando os olhos para finalmente encará-la, foi aí que meu sangue gelou...

Era a Sônia! Lembra dela? Aquela minha namorada da juventude! Aquela que eu dispensei depois de tirar sua virgindade. Não me julgue Noreda, eu tinha apenas vinte e dois anos, não estava pronto para ficar com apenas uma mulher, queria aproveitar a vida, e nem me preocupei em dar um motivo para o fim do namoro. Apenas terminei e viajei para fora do país para ganhar algum dinheiro.

Ela me olhou horrorizada, quase desmaiou ao reconhecer-me. Seus lábios arroxearam e foi preciso pegar um copo d’água para ela. O marido estava chegando do trabalho e não me deu muita atenção, apenas perguntou o que estava acontecendo enquanto afagava o cabelo da esposa e pedia para a filha apresentar o seu namorado a ele. Sônia estava catatônica. Não dizia uma palavra sequer. Apenas quando o marido foi até a cozinha verificar porque a filha estava demorando tanto para trazer mais um copo de água com açúcar foi que ela me pegou firme pelo braço, olhou fundo nos meus olhos e com lágrimas rolando por sua face ela disse:

Este que está na cozinha não é o pai biológico dela. Eu me casei já grávida e ele não sabe a verdade e espero que continue assim. Uma coisa é certa... Você não pode mais namorar com ela, pois esta menina é sua filha.

Madonna! Se eu não estivesse sentado numa cadeira do bar, teria caído no chão. Fiquei pasmo. Nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer. Uma tragédia! Sim, uma tragédia é o que é! Nem Sófocles poderia imaginar uma desgraça tamanha. Tive pena do meu amigo. Procurei palavras, mas não encontrei. Arrisquei dizer algo, mas a voz não brotava, era como se minhas cordas vocais tivessem sido cortadas. Baixei a cabeça e pude ouvi-lo dizendo algo que me deixou ainda mais espantado:

Eu não vou deixá-la Noreda! Eu a amo e não temos laços fraternais.Mesmo que seja seu pai, e que tenhamos laços sanguíneos, não posso aceitar que um detalhe genético interrompa um amor tão lindo. Vou contra tudo e contra todos para que possamos nos casar e vivermos felizes.

Levantei, acendi mais um cigarro, paguei a conta do bar e disse:

Boa sorte meu amigo, você vai precisar. Virei às costas e parti, como se aquilo não me incomodasse. Como se aquela situação não me afligisse a alma que não tenho. Enquanto a brisa da tarde soprava em meu rosto pude sentir uma fisgada no coração. Algo parecido com uma sensação de alívio...

Alívio por não estar no lugar dele.

Edson Moura

quinta-feira, 16 de junho de 2011

“Meu enterro”

Por Noreda Somu Tossan

Ainda jovem, quarenta e dois anos e alguns dias, ninguém nunca imagina, ninguém nunca está pronto para morrer...eu também não estava. Um dia ensolarado, pássaros cantando por todos os lados, pessoas sorrindo , indo e vindo num frenesi intermitente. Algo estava errado, ou certo, não sei bem, mas parecia-me que tudo estava passando em câmera lenta naquele dia. Poucas vezes reparei tanto nos detalhes insignificantes da vida. Era como se em algum lugar do meu ser, eu já soubesse o que estaria por vir.

Aquele ônibus desgovernado; aquele barulho assustador de pessoas gritando; o som de aço chocando-se com aço; sangue escorrendo dos corpos inertes, dilacerados; cheiro de morte, era o que eu podia sentir. Meu corpo esmagado entre uma das pilastras vermelhas da parada de ônibus Rebouças; tive a impressão de ouvir uma mulher gritar desesperada: “Ele está respirando, ele está vivo!”. Ao tempo em que tudo ia escurecendo, e eu tentava sugar o ar para dentro dos pulmões, um gosto de sangue me fez chorar. Um choro silencioso, um choro contido, apenas meu, então deixei-me levar pelo sono que se abatera e adormeci tranqüilo.

Caralho! O que eu estou fazendo aqui deitado? E essas flores? Essas pessoas, quem são? Vejo a chama de uma vela balançar suavemente de um lado para outro, então entendo tudo... estou morto. Choro novamente, desta vez grito, grito alto, mas ninguém me ouve, eles nem sabem que estou ali, a não ser pelo meu corpo estendido em meio às rosas murchas que alguém teve o péssimo gosto de escolher. Eu sempre disse que não queria rosas, não queria enterro, não queria lágrimas, nem despedidas tristes. Não queria que pessoas se lembrassem de mim assim, sem vida, tipo...morto.

Amigos, parentes, companheiros de trabalho, todos compareceram à despedida solene. Olho suas caras, vejo cada um de seus rostos e sinto vontade de chorar novamente, mas desta vez de tanto rir, pois noto a tristeza estampada em suas faces. É engraçado vê-los assim, quietos, de cabeças baixa, tentando falar palavras agradáveis para minha mãe que não se conforma com minha partida. Outros abraçam meus filhos e tentam dizer para eles que eu fui um bom homem, honesto, amigo de todos (quanta mentira). Vou passeando pela sala de velório e surpreendo-me com a nitidez com que ouço seus lábios sussurrarem frases de efeito, palavras de consolo, aforismos que eu mesmo desenvolvi, agora estão nas bocas de meus amigos.

Detenho-me em um rosto em particular, o Marcio. Parece-me que ele está à base de calmantes, mal pode se manter de pé. Chora como criança, leio seus pensamentos e ouço dizer: “Porque tão cedo meu amigo?”. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir, respondo: “Nunca é cedo pra se morrer Marcio!”. Sempre conversamos sobre a morte, e achei que ele saberia lidar com ela bem mais fácil do que eu. Embora ele sempre me dissesse que a morte só fere quem fica e nunca quem vai. Recordei-me de Epicuro de Samos: “A morte não nos concerne, pois quando somos ela não é, e quando ela é, nós já não somos”. (quanta besteira, olha eu aqui ainda, e ela já veio).

Outros amigos estão por ali, sinto saudades de nossas conversas, de nossos debates filosóficos, de nossas piadas. O Carlos está falando algo ao seu filho, dizendo que o Tio Edson foi para o céu. Fico irritado, esbravejo com ele, não se pode fazer isso, trair a confiança de um amigo dizendo que ele está num lugar que ele sempre acreditou não existir. Gilson, Ricardo, Helder, Baltazar, todos estão mudos. Acho que não sabem bem o que dizer, e preferem ficar calados, nem seus pensamentos dizem palavra alguma, é como se não pensassem.

Meus filhos são fortes, não vejo lágrimas em seus olhos, não vejo lamentos em suas lembranças, vez ou outra os mais novos são tomados por uma grande saudade e sentem vontade de agarrar meu cadáver e colocá-lo de pé, mas são homenzinhos de fibra e descartam a possibilidade de um milagre nessas horas. Eles sabem que a morte é um processo orgânico e que é preciso muito mais do que uma vontade desesperada para fazer uma pessoa voltar do mundo dos mortos.

É chegada a hora de descer-me ao túmulo. As emoções afloram e até os mais fortes não conseguem impedir que uma lágrima corra pela face. Dois homens descem meu caixão até o fundo frio de uma cova escura, e nesse momento uma sensação de claustrofobia invade meu pensamento. Quero pedir que não me deixem ali sozinho, minha vóz já não sai, como naqueles sonhos que não se pode gritar, é assim que estou agora. Lentamente o sonho perde suas imagens e já não consigo entender o que é real em toda essa viagem que estou fazendo. Uma paz se apossa de mim e um prazer indescritível assume o lugar do desespero, então fecho meus olhos e adormeço ao som dos punhados de terra que são atirados pelas pessoas que vão se afastando para bem longe daquele cemitério, desejando nunca estarem no meu lugar.



Edson Moura







sábado, 1 de janeiro de 2011

“Tenho certeza absoluta de que Talvez Deus não exista”

Por: Edson Moura



Primeiro duvidei, depois questionei, em seguida refleti, como conseqüência...neguei.” Foi um longo percurso até aqui. Anos de estudo, anos de dedicação, centenas de livros a respeito, e um livro que julgava ser a palavra dele. Lembro-me de quando saía de meu leito às quatro horas da manhã, para dedicar-me à leitura devocional da Bíblia. Por que fazia isto? É simples: Estava disposto a encontrar nas páginas de um livro, o criador do universo. 

Procurei desesperadamente; orei horas a fio antes de iniciar a leitura de qualquer livro que fosse. Por sete longos anos dei “bom dia ao Espírito Santo”, e procurei fazer do meu corpo “a casa favorita de Deus”. Acreditei no “Sangue” e embrenhei-me nos montes em busca da “unção”. Mas, “o dia do meu milagre” nunca chegou.

Quis fazer parte do “dream team de Deus”, na santa ilusão de igualar-me aos “heróis da fé”, ledo engano, os heróis só me fizeram duvidar cada vez mais. Percebi que os “caçadores de Deus” viviam num eterno paradoxo, e quando alegavam o haver encontrado, continuavam a buscá-lo.  Talvez esses, os chamados “super crentes”, não passassem de homens normais, que , por viverem em meio ao caos, necessitavam de amparo para suas vidas tão conturbadas.

A mão invisível” que protegia a todos, nem sequer chegou a afagar meus cabelos.  “A assinatura de Deus” não endossava as páginas da minha vida tão turbulenta e contingente. Resolvi ir “direto ao ponto” e encostei na parede minhas convicções mais fortes. Felizmente elas sucumbiram ao apelo de minha consciência.

Pastores me advertiram da ira do criador; “interpretaram sonhos”, profetizaram sobre minha cabeça e disseram que um dia eu seria cobrado. Ri da cara deles (às escondidas é claro). O mundo que eles acreditavam ser real, não passava de uma “divina comédia” e nenhum deles quis experimentar o “evangelho maltrapilho” que eu tanto admirava.

O ser e o nada” me atraíram como um ímã, e “a origem das espécies” me pareceu mais aceitável do ponto de vista Darwiniano que do Mosaico. Aos poucos a fé foi perdendo forças frente aos fatos. Ela (a fé), ultrapassou todos os limites da plausibilidade, e como uma criança que descobre que papai Noel tem barbas de algodão, descobri que a fé não tem pés, nem mãos, nem olhos, muito menos cabeça. Duvidei, questionei, refleti e neguei.

Preferi encarar a vida e ver “o mundo como vontade e representação”. Dogmas?  Estudei também, procurei fazer uma “interpretação psicológica do dogma da trindade”, e acreditem, a trindade não resistiu tanto quanto eu esperava. Sozinho, “entre quatro paredes”, atingi a “idade da razão”, e reconheci que após tanto ler, nada sabia sobre a vida. Só sei que nada sei”, esta é a verdade, e quem quiser conhecer a Deus, antes, “conheça-te a ti mesmo”.

Tenho certeza hoje, de que “talvez” Deus não exista. “Talvez” eu seja ateu com certeza. Certamente, “talvez” seja a palavra mais sábia entre todas as outras. Mas foi num mundo de palavras escritas, que descobri que Deus não sabe escrever. Hoje sou “o peregrino” em terra estranha, e sei que foi “Jesus, o maior psicólogo do mundo”. Parei de lutar com “anjos e demônios”, para poder encontrar o “símbolo perdido” na lenta e progressiva evolução da humanidade. 

Meus erros são “mea  culpa”, meus méritos...meus também. Não culpo ao Diabo, não agradeço a Deus, assim vou vivendo...assim vou morrendo, “sem barganhas” sem medos, e porque não...talvez com certezas absolutas.

Edson Moura

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu sou você no futuro!


Por Noreda Somu Tossan

Gente! Cansei! Não quero mais falar de Deus! Deus não pode ser questionado. Deus jamais descerá ao nível do homem para provar que existe, portanto, vamos falar de outra coisa...sei lá, qualquer coisa.

Brincadeirinha, vamos falar do cara sim, pois assim ele ficará com raivinha de nós e quem sabe não nos aparecerá ou enviará um espírito destruidor para nos punir? (risos) 

Um dia no ano de 2062, perguntei para um velhinho passante, se ele tinha fé em algo, tipo...na ciência. Ele me fitou e disse: “A verdade não tem que ser aceita com fé. Fé é para os fracos! Eu até que creio na ciência, pois ela nos dá fatos, e contra fatos, muitas vezes não existem argumentos.

Taí, gostei desse cara. Mas quando achei que ele já tinha concluído seu raciocínio, ele bradou bem alto:

“A fé pode ser chamada de "falência intelectual". Se o único modo de você aceitar uma afirmação é tendo fé, então você está reconhecendo que ela não pode ser aceita por seus próprios méritos”.

Enfiei o rabinho entre as pernas e "sartei de banda", pois o cara era da pesada. Como sou muito chato, e o método que adotei para descobrir as “verdades” é o “socrático”, perguntei para ele se Jesus não fez o que dizem que fez para que nós fôssemos salvos. Ele nem sequer pensou para responder essa, foi logo vomitando: 

Velhinho:  Digamos que a redenção cristã se baseie em dois conceitos principais: “o sofrimento do indivíduo cancela o pecado do mesmo” e “o inocente (Jesus) pode cumprir a pena em lugar do culpado (nós)”. Fazer o inocente pagar pelo pecador, ainda por cima com um sofrimento improdutivo, não seria apenas um ato de vingança contra a pessoa errada e só faz juntar um mal a outro mal? 

Calei por um momento e respondi: Sim pode ser, mas o que dizer das bilhões de pessoas que acreditam que Jesus salva? Não seria presunção minha e sua, achar que nós estamos certos e elas erradas? 

O velhinho de cabelos brancos não me perdoou, deu-me outra cassetada: “ Mesmo que  5 bilhões de pessoas acreditem numa coisa que é estúpida, essa coisa continuará sendo estúpida”.

Eu: Então o inferno não existe? E nós ateus não iremos para lá? Por que o senhor é um ateu?

Velhinho: A Bíblia nos diz que Jesus foi sacrificado para nos redimir de nossos pecados e nos salvar do fogo eterno. A Bíblia também nos diz que se não acreditarmos nisto queimaremos no fogo eterno. Não é um pouco paradoxal essa afirmação? Meu jovem, eu posso dizer, sem medo de estar errado, que todos somos ateus. Apenas acredito num deus a menos que os crentes. Quando eles entenderem  porque é que rejeitam todos os outros deuses possíveis, entenderão porque é que eu rejeito o deus deles.

Eu: Mas o senso comum religioso nos diz que temos que aceitar os mistérios de Deus, e que no tempo certo tudo será revelado. A verdade deve ser aguardada. Dizem que eu faço perguntas demais. O que o senhor me diz sobre essa afirmação? 

Velhinho: Ora, é tão condenável não querer saber se uma coisa é verdade ou não (fé em Deus sem questionamentos), desde que ela nos dê prazer, quanto não querer saber como conseguimos o dinheiro (pode ter sido roubado), desde que ele esteja na nossa mão.

Eu: Um amigo meu, chamado “capitão”, me disse uma vez que ser ateu é uma forma de crença. Ele não está meio certo? Outro amigo chamado “prodígio”, acredita que Deus protegeu Moisés e que ainda protege sua igreja até hoje. Como faço pra provar que ele está falando besteiras?

Velhinho: Não! O “capitão”  está totalmente errado! Onde já se viu?! Dizer que ateísmo é uma crença é o mesmo que dizer que careca é uma cor de cabelo. E para o prodígio, pergunte para ele se a “assembléia de Deus” onde ele congrega lá em Campinas tem para-raios no telhado. Se tiver, é por falta de confiança em Deus. (risos do velhinho). E mais, devemos sempre questionar essa lógica que afirma um Deus onipotente e onisciente, que criou um homem falível e o culpa por seus defeitos.

Eu: Então essa história de que Deus me ama e quer o meu melhor, não passa de papo furado? Eu não vou para o paraíso morar com Deus? O cristianismo nos garante o céu! (risinhos sarcásticos)

Velhinho: O cristianismo nos afirma que há um ser invisível, que vive no céu e micro-gerencia nossa vida, está atento a tudo que fazemos, o tempo todo. O ser invisível tem uma lista de 10 coisas (mandamentos) que ele quer que a gente cumpra. Se você infringir qualquer uma dessas coisas, o homem invisível tem um lugar super especial, cheio de fogo, fumaça, sofrimento, tortura e angústia onde ele vai lhe mandar viver, queimando, sofrendo, sufocando, gritando e chorando para todo o sempre. Mas ele ama você sim! (risinhos também sarcásticos do velhinho)

Eu: Opa! Peraí, o senhor, mesmo com esses cabelos brancos, não tem autoridade para falar essas coisas. 

Velhinho: Eu tenho tanta autoridade quanto o Papa. Eu só não tenho tantas pessoas que acreditam nisso.

Eu: Então o senhor é a favor da separação entre Igreja e Estado? Nossa moral não está arraigada à Igreja? E essa herança religiosa não nos fez uma sociedade melhor, mais amorosa e justa?

Velhinho: Por favor, não seja tolo! Eu sou completamente a favor da separação da Igreja e do Estado. Minha idéia é que essas duas instituições nos fodem o suficiente individualmente, portanto, ambas juntas é a morte certa.
Eu: Será que algum dia conseguiremos fazer com que um crente deixe de acreditar e se torne um ateu como nós? O mundo seria mais amoroso se todos fôssemos crentes? Paulo e Jesus disseram que devemos amar uns aos outros assim como amamos ao nosso Deus. A fé não é uma “prova”, segundo Paulo?

Velhinho: Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências… Baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar. Como disse o ateu Friedrich Nietzsche: “Fé” significa não querer saber o que é a verdade. Eles (os crentes) dizem que acreditam na necessidade da religião… Mas eles não são sinceros! Eles acreditam mesmo é na necessidade da polícia! Amor ao “nosso” Deus? Por favor, não há no mundo amor e bondade bastante para que ainda possamos dá-los a seres imaginários. Uma visita ao hospício mostrará a você que a fé não prova nada.

Eu: O senhor não aprova nenhuma religião? Algumas proporcionam uma felicidade, mesmo que ilusória. Isso não é bom para ajudar-nos a encarar a vida dura? Pessoas são felizes em seus mundinhos!

Velhinho: Não importa o quão feliz me deixe, se não é verdadeiro, se não é real, muito obrigado. É assim que penso quanto aos deuses e mitos de todas as religiões
.
Eu: A religião parece ter um ponto fraco. O senhor poderia me dizer qual seria ele?

Velhinho: Não vou criar nada, apenas vou repetir o que Epicuro disse: Se Deus deseja impedir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. Se é capaz, mas não deseja? Então é malevolente. Se é capaz e deseja? Então por que o mal existe? Se não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus? Meu jovem, Se a ciência já mostrou que a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer para onde iremos?

Eu: Para encerrar esta nossa proveitosa conversa, o que seria necessário para acabar com a fé de um crente?

Velhinho: É simples: Basta Deus existir!  Pois, se Deus existisse, a fé se tornaria desnecessária e todas as religiões entrariam em colapso.A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo Domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém. Como já disse, a fé é a falência intelectual. Se o único modo de você aceitar uma afirmação é pela fé, então você está admitindo que ela não pode ser aceita por seus próprios méritos
.
Muito obrigado por seu tempo, não vou mais aporrinhá-lo com minhas perguntas. Mas antes que fosse, gostaria de saber seu nome.

Velhinho: Meu nome é Edson Moura, mas todos me conhecem por Noreda.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

“Eu sou você no futuro”


Por: Edson Moura

Gente! Cansei! Não quero mais falar de Deus! Deus não pode ser questionado. Deus jamais descerá ao nível do homem para provar que existe, portanto, vamos falar de outra coisa...sei lá, qualquer coisa.

Brincadeirinha, vamos falar do cara sim, pois assim ele ficará com raivinha de nós e quem sabe não nos aparecerá ou enviará um espírito destruidor para nos punir? (risos) 

Um dia no ano de 2062, perguntei para um velhinho passante, se ele tinha fé em algo, tipo...na ciência. Ele me fitou e disse: “A verdade não tem que ser aceita com fé. Fé é para os fracos! Eu até que creio na ciência, pois ela nos dá fatos, e contra fatos, muitas vezes não existem argumentos.

Taí, gostei desse cara. Mas quando achei que ele já tinha concluído seu raciocínio, ele bradou bem alto:

“A fé pode ser chamada de "falência intelectual". Se o único modo de você aceitar uma afirmação é tendo fé, então você está reconhecendo que ela não pode ser aceita por seus próprios méritos”.

Enfiei o rabinho entre as pernas e "sartei de banda", pois o cara era da pesada. Como sou muito chato, e o método que adotei para descobrir as “verdades” é o “socrático”, perguntei para ele se Jesus não fez o que dizem que fez para que nós fôssemos salvos. Ele nem sequer pensou para responder essa, foi logo vomitando: 

Velhinho:  Digamos que a redenção cristã se baseie em dois conceitos principais: “o sofrimento do indivíduo cancela o pecado do mesmo” e “o inocente (Jesus) pode cumprir a pena em lugar do culpado (nós)”. Fazer o inocente pagar pelo pecador, ainda por cima com um sofrimento improdutivo, não seria apenas um ato de vingança contra a pessoa errada e só faz juntar um mal a outro mal? 

Calei por um momento e respondi: Sim pode ser, mas o que dizer das bilhões de pessoas que acreditam que Jesus salva? Não seria presunção minha e sua, achar que nós estamos certos e elas erradas? 

O velhinho de cabelos brancos não me perdoou, deu-me outra cacetada: “ Mesmo que  5 bilhões de pessoas acreditem numa coisa que é estúpida, essa coisa continuará sendo estúpida”.

Eu: Então o inferno não existe? E nós ateus não iremos para lá? Por que o senhor é um ateu?

Velhinho: A Bíblia nos diz que Jesus foi sacrificado para nos redimir de nossos pecados e nos salvar do fogo eterno. A Bíblia também nos diz que se não acreditarmos nisto queimaremos no fogo eterno. Não é um pouco paradoxal essa afirmação? Meu jovem, eu posso dizer, sem medo de estar errado, que todos somos ateus. Apenas acredito num deus a menos que os crentes. Quando eles entenderem  porque é que rejeitam todos os outros deuses possíveis, entenderão porque é que eu rejeito o deus deles.

Eu: Mas o senso comum religioso nos diz que temos que aceitar os mistérios de Deus, e que no tempo certo tudo será revelado. A verdade deve ser aguardada. Dizem que eu faço perguntas demais. O que o senhor me diz sobre essa afirmação? 

Velhinho: Ora, é tão condenável não querer saber se uma coisa é verdade ou não (fé em Deus sem questionamentos), desde que ela nos dê prazer, quanto não querer saber como conseguimos o dinheiro (pode ter sido roubado), desde que ele esteja na nossa mão.

Eu: Um amigo meu, chamado “capitão”, me disse uma vez que ser ateu é uma forma de crença. Ele não está meio certo? Outro amigo chamado “prodígio”, acredita que Deus protegeu Moisés e que ainda protege sua igreja até hoje. Como faço pra provar que ele está falando besteiras?

Velhinho: Não! O “capitão”  está totalmente errado! Onde já se viu?! Dizer que ateísmo é uma crença é o mesmo que dizer que careca é uma cor de cabelo. E para o prodígio, pergunte para ele se a “assembléia de Deus” onde ele congrega lá em Campinas tem para-raios no telhado. Se tiver, é por falta de confiança em Deus. (risos do velhinho). E mais, devemos sempre questionar essa lógica que afirma um Deus onipotente e onisciente, que criou um homem falível e o culpa por seus defeitos.

Eu: Então essa história de que Deus me ama e quer o meu melhor, não passa de papo furado? Eu não vou para o paraíso morar com Deus? O cristianismo nos garante o céu! (risinhos sarcásticos)

Velhinho: O cristianismo nos afirma que há um ser invisível, que vive no céu e micro-gerencia nossa vida, está atento a tudo que fazemos, o tempo todo. O ser invisível tem uma lista de 10 coisas (mandamentos) que ele quer que a gente cumpra. Se você infringir qualquer uma dessas coisas, o homem invisível tem um lugar super especial, cheio de fogo, fumaça, sofrimento, tortura e angústia onde ele vai lhe mandar viver, queimando, sofrendo, sufocando, gritando e chorando para todo o sempre. Mas ele ama você sim! (risinhos também sarcásticos do velhinho)

Eu: Opa! Peraí, o senhor, mesmo com esses cabelos brancos, não tem autoridade para falar essas coisas. 

Velhinho: Eu tenho tanta autoridade quanto o Papa. Eu só não tenho tantas pessoas que acreditam nisso.

Eu: Então o senhor é a favor da separação entre Igreja e Estado? Nossa moral não está arraigada à Igreja? E essa herança religiosa não nos fez uma sociedade melhor, mais amorosa e justa?

Velhinho: Por favor, não seja tolo! Eu sou completamente a favor da separação da Igreja e do Estado. Minha idéia é que essas duas instituições nos fodem o suficiente individualmente, portanto, ambas juntas é a morte certa.
Eu: Será que algum dia conseguiremos fazer com que um crente deixe de acreditar e se torne um ateu como nós? O mundo seria mais amoroso se todos fôssemos crentes? Paulo e Jesus disseram que devemos amar uns aos outros assim como amamos ao nosso Deus. A fé não é uma “prova”, segundo Paulo?

Velhinho: Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências… Baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar. Como disse o ateu Friedrich Nietzsche: “Fé” significa não querer saber o que é a verdade. Eles (os crentes) dizem que acreditam na necessidade da religião… Mas eles não são sinceros! Eles acreditam mesmo é na necessidade da polícia! Amor ao “nosso” Deus? Por favor, não há no mundo amor e bondade bastante para que ainda possamos dá-los a seres imaginários. Uma visita ao hospício mostrará a você que a fé não prova nada.

Eu: O senhor não aprova nenhuma religião? Algumas proporcionam uma felicidade, mesmo que ilusória. Isso não é bom para ajudar-nos a encarar a vida dura? Pessoas são felizes em seus mundinhos!

Velhinho: Não importa o quão feliz me deixe, se não é verdadeiro, se não é real, muito obrigado. É assim que penso quanto aos deuses e mitos de todas as religiões
.
Eu: A religião parece ter um ponto fraco. O senhor poderia me dizer qual seria ele?

Velhinho: Não vou criar nada, apenas vou repetir o que Epicuro disse: Se Deus deseja impedir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. Se é capaz, mas não deseja? Então é malevolente. Se é capaz e deseja? Então por que o mal existe? Se não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus? Meu jovem, Se a ciência já mostrou que a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer para onde iremos?

Eu: Para encerrar esta nossa proveitosa conversa, o que seria necessário para acabar com a fé de um crente?

Velhinho: É simples: Basta Deus existir!  Pois, se Deus existisse, a fé se tornaria desnecessária e todas as religiões entrariam em colapso. A verdade não tem que ser aceita com fé. Os cientistas não seguram suas mãos todo Domingo, cantando, “Sim a gravidade é real! Eu vou ter fé! Eu vou ser forte! Amém. Como já disse, a fé é a falência intelectual. Se o único modo de você aceitar uma afirmação é pela fé, então você está admitindo que ela não pode ser aceita por seus próprios méritos
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Muito obrigado por seu tempo, não vou mais aporrinhá-lo com minhas perguntas. Mas antes que fosse, gostaria de saber seu nome.

Velhinho: Meu nome é Edson Moura, mas todos me conhecem por Noreda.

Edson Moura