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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sorriso Falso



Sorriso falso

Vá mentindo pra todo mundo
É fácil enganar os que te rodeiam
Abra um sorriso quando a dor massacrá-lo
Ou quando a saudade atormentar tua alma
Naqueles dias de um vazio sem fim


Gargalhe quando tudo findar
Quando do pouco que tinhas, nada mais restar
E Teus sonhos e objetivos evaporarem
Ria quando o teu sol perder a luz
E sentires uma cruz ferir teus ombros cansados

Abrace aquele que carrega um punhal
Beije no rosto dos que te desprezam
Sente-se á mesa do seu inimigo e com ele beba
Mantenha a farsa até que ele se afeiçoe a você
Sorria quando a vontade for de chorar


Sorria, vá mentindo que não sente dor
E ao notarem que você está sorrindo
Todos que não são atentos irão supor
Que você é a pessoa mais feliz do mundo
E você sorrirá, e o sorriso, este talvez, seja verdadeiro.

Edson Moura

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Negro Drama (Sociologia das Ruas)


Negro drama, entre o sucesso e a lama, dinheiro, problemas, inveja, luxo, fama. Negro drama, cabelo crespo e a pele escura, a ferida, a chaga, a procura da cura. Negro drama, tenta ver e não vê nada, a não ser uma estrela, longe meio ofuscada. Sente o drama, o preço, a cobrança, no amor, no ódio, a insana vingança. Negro drama, eu sei quem trama e quem tá comigo, o trauma que eu carrego pra não ser mais um preto fodido. O drama da cadeia e favela, túmulo, sangue, sirene, choros e velas.

Passageiro do Brasil, São Paulo agonias, que sobrevive em meio às zorras e covardias, periferias, vielas e cortiços, você deve tá pensando o que você tem a ver com isso. Desde o início, por ouro e prata, olha quem morre, então veja você quem mata. Recebe o mérito, a farda, quem pratica o mal, me ver, pobre, preso ou morto, já é cultural.

Histórias, registros, escritos, não é conto nem fábula, lenda ou mito. Não foi sempre dito que preto não tem vez, então olha o castelo e não, foi você quem fez cuzão, eu sou irmão dos meus trutas de batalha, eu era a carne agora sou a própria navalha. Tim..tim, um brinde pra mim, sou exemplo, de vitórias, trajetos e glórias. O dinheiro tira um homem da miséria, Mas não pode arrancar de dentro dele a favela.

São poucos que entram em campo pra vencer, a alma guarda o que a mente tenta esquecer, olho pra trás e vejo a estrada que eu trilhei, “mó cota” , quem esteve lado a lado e quem só fico na bota, entre as frases, fases e várias etapas, do quem é quem, dos mano e das minas fracas. Um Negro drama de estilo, pra ser e se for tem que ser, se temer é milho. Entre o gatilho e a tempestade, sempre a provar que sou homem e não covarde.

Que Deus me guarde, pois eu sei que ele não é neutro, vigia os ricos , mas ama os que vem do gueto, eu visto preto, por dentro e por fora, guerreiro, poeta entre o tempo e a memória. Ora, nessa história vejo o dólar, e vários quilates, falo pro mano que não morra e também não mate, o tic tac não espera veja o ponteiro, essa estrada é venenosa e cheia de morteiro, pesadelo é um elogio, pra quem vive na guerra a paz nunca existiu, num clima quente a minha gente sua frio, vi um pretinho e seu caderno era um fuzil.

Daria um filme! Uma negra e uma criança nos braços, solitária na floresta de concreto e aço, veja, Olhe outra vez o rosto na multidão, a multidão é um monstro sem rosto e coração. Em São Paulo, terra de arranha-céu a garoa rasga a carne é a “torre de babel”, família brasileira, dois contra o mundo, mãe solteira de um promissor vagabundo. Luz, câmera e ação, gravando a cena vai, um bastardo, mais um filho pardo e sem pai. Ei, Senhor de engenho eu sei, bem quem você é, sozinho, “cê” num “guenta”,sozinho, “cê” num entra a pé.

Você disse que era bom e a favela ouviu, lá também tem Whiski e Red Bull, Tênis Nike e Fuzil, admito, seu carro é bonito, é, eu não sei fazer, Internet, videocassete, os “carro loco”, atrasado eu tô um pouco sim tô, eu acho, só que, seu jogo é sujo e eu não me encaixo, eu sou problema de montão, de carnaval a carnaval, eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal. Problema com escola eu tenho mil, “Mil fita”, inacreditável, mas seu filho me imita, no meio de vocês ele é o mais esperto, ginga e fala gíria, gíria não, dialeto. Esse não é mais seu, Hó, subiu, entrei pelo seu rádio, tomei, “cê” nem viu, “nóis é isso ou aquilo”, O quê? “Cê” não dizia, seu filho quer ser preto, há, que ironia.

Cola o pôster do 2Pac ai, que tal, que “cê” diz, sente o Negro drama vai, tenta ser feliz, ei bacana quem te fez tão bom assim, o que “cê” deu, O que “cê”faz, o que “cê” fez por mim? Eu recebi seu ticket, quer dizer kit de esgoto a céu aberto e parede Madeirit, de vergonha eu não morri, tô firmão, eis-me aqui, você não, você não passa quando o mar vermelho abrir, eu sou o mano homem duro do gueto, o Brow, obá, aquele louco que não pode errar, aquele que você odeia amar nesse instante, pele parda e ouço funk, e de onde vem os diamantes?... Da lama, valeu mãe... Negro drama... Drama... drama.
Autor: Mano Brow do grupo Racionais Mc's

sábado, 14 de julho de 2012

Crônicas de catador



Por Edson Moura

Seis horas da manhã, é hora de levantar, mas pense num trabalho Hercúleo. Seria tudo mais fácil se naquele tempo houvesse água jorrando por um chuveiro, coisa que só conheci pessoalmente depois dos 15 anos. Vamos menino! Deixa de moleza! Era o que dizia minha mãe. Ela não queria saber se eu passara a madrugada toda recolhendo água à conta gotas no chão de barro do quintal. Muitos não acreditam, mas eu e meu pai tivemos que cavar um buraco de aproximadamente 1 metro de profundidade para que a água conseguisse subir até a torneira, era uma luta conseguir encher um tambor com 30 litros d'agua.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Terra, péssimo lugar para se viver



O homem andava por uma Terra ainda desabitada
O homem conhecia o caminho como a palma da sua mão
Podia sentir a terra ferindo seus pés
Sempre podia sentar-se ao lado do rio que o refrescava

As coisas simples para onde será que foram?
O homem está ficando velho e precisa de algo em que confiar
Me pergunto quando é que ele vai permitir que alguém o aconselhe
O Homem agora cansado  precisa de algum lugar para recomeçar

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ainda há tempo


Por Edson Moura


Algo ainda me diz que posso ter esperança
Que no fundo somos todos crianças
O Problema é que meus olhos de adulto não me deixam ver

As estórias contadas por meu velho pai
Vez ou outra minha memória me trai
Mesmo meu cérebro adulto não me deixa esquecer

Algo me anestesie minha mente racional
Que me traga de volta o sentimento passional
Reflito e acho que já não é possível

Minha vida está passando e eu aqui...

Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui... acreditando que vivi.

Como pude esquecer-me daquelas piadas?
Que animavam minhas tardes entediadas.
Meu sorriso reluta em se mostrar

Talvez tenha me tornado um velho triste
Esquecendo-me que o amor ainda existe
Nem sinto vontade de chorar.

Por que desisti da gente?
Por que me prender ao presente?
Quando foi que ergui este muro?

O Agora é real, agressivo e responsável
O que já passou é nostálgico, e irrecuperável
Só idiotas como eu não dão uma chance para o futuro.

Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui... acreditando que vivi.

 Edson Moura






sexta-feira, 18 de março de 2011

Infância e Juventude

Por Edson Moura

Amigos de infância são os melhores, pois a amizade não está vinculada a valores, mas sim, a afeição, e é por isso que duram para sempre. Mesmo depois de décadas separados, os amigos não deixam de pensar um no outro com saudades de quando eram apenas meninos ingênuos que fariam tudo para brincar um pouco mais.

Amor de juventude será sempre eterno, pois ao se entregarem, só visavam o prazer de estar sempre ao lado um do outro. A paixão que transformou o infante em jovem, nunca será esquecida, e mesmo que ambos cresçam e casem-se com outras pessoas, seus corações baterão forte novamente ao ver a pessoa que lhe mostrou o amor. Não adianta lutar, é bobagem tentar esquecer, é mentira dizer que não sente falta, é ilusão achar que se está feliz sem seu grande amor de juventude.

Assim também são os medos de infância.  Ele nos persegue até o fim da vida. Psicólogos até podem amenizar o problema, e dizerem que estão tratando, mas o que eles estão fazendo é apenas "ensinando" como conviver com os medos de menino. Alguns dizem estar bem, mas quando a luz se apaga e ele se vêem sozinhos no quarto escuro, a única ação que lhes vem à cabeça é esconderem-se embaixo do cobertor e encolher os pés para que a brisa fria da noite não o faça urinar nas calças ao entrar suavemente pela janela entreaberta.

O sonho da juventude pode se tornar seu maior pesadelo, pois enquanto você não alcançá-lo, não será plenamernte feliz, mas se depois de uma vida inteira lutando, você conseguir realizá-lo, tudo perderá o sentido, e o desejo que lhe impulsionava adiante na vida, será substituído pelo vazio de já possuir seu sonho. Uma das tragédias do homem é não alcançar seu sonho, pois lhe causa frustração. A outra tragédia é justamente alcançá-lo, pois lhe roubará a vontade de sonhar.

Somos seres que nos prendemos ao passado. Passado este que será sempre presente e nos conduzirá ao futuro. É na infância e juventude que descobrimos o prazer de ter um "melhor amigo", de amar uma garota e querer viver com ela para sempre, de descobrir que o futuro do mundo depende de você e não devemos deixar um mundo melhor para nossos filhos, mas sim filhos melhores para nosso mundo.

Que saudades que tenho da minha juventude. Que vontade de abraçar meu melhor amigo e dizer que o amo sem medo de ser considerado "bichinha". Como gostaria de ter vivido para sempre com meu primeiro amor, e poder rememorar com ela os tempos de escola, quando nós cabulávamos aula para namorar no jardim...quanta saudade.

Edson Moura


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Teogonia


Quem és tu que me libertastes daquela agonia?
De viver estranhamente num mundo de fantasia
Forjada nos palácios de marfim da teologia
Hoje meu discurso é apenas uma poesia.

 Um mundo novo me foi revelado pela filosofia
Aos poucos derrubei as muralhas da mitologia
No peito cresceu o amor por uma ideologia
Que torna-me mais humano a cada dia.

Descobri o mundo mágico da psicologia
Observando o ser humano e sua idiossincrasia
Considerei ambos os lados da analogia
Optei por fugir dos braços da teocracia.

Destruí minhas bases evangélicas com maestria
Suportei as crises existenciais com valentia
Apoiei-me nos braços do amigo que me ouvia
Enfrentei meus monstros interiores com ousadia.

Hoje abomino os atos de covardia
De homens que iludem o povo com simpatia
Desprezo todos os tons dessa sinfonia
Que conduzem o ser humano à esquizofrenia.

Não há mais espaço em mim, para nostalgia
Nem o impulso emocional que me conduzia
Contemplo apenas a realidade que se anuncia
De uma fé que em outros tempos me iludiria.

Depois de jogar por terra essa liturgia
Houve quem  dissesse que Ele me puniria
Projetaram monstros que não passam de histeria
Ocultos nos textos-base da teogonia.
 
 
Edson Moura