sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Os Caminhos da Liberdade 3 - -Com a Morte na Alma- Jean Paul Sartre

“A Idade da Razão”, “Sursis” e “Com a Morte na Alma” são livros fazem parte da trilogia Caminhos da Liberdade, do filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre.

Sinopse do livro:

No primeiro, A Idade da Razão, as questões individuais predominam. No segundo volume da trilogia, Sursis, os acontecimentos políticos revelam que os projetos de vida individuais são, na verdade, determinados pelo curso da história, tornando-se ilusória a busca da liberdade num plano puramente pessoal: a liberdade é sempre vivida "em situação" e realizada no engajamento de projetos voltados para interesses humanos comunitários. Apenas um compromisso com a história pode dar sentido à existência individual. Em Com a Morte na Alma, último romance da trilogia, Sartre nos descreve indiretamente a tese do engajamento gratuito.

Trata-se de uma história que descreve a invasão das tropas alemãs na França, durante a II Guerra Mundial, em junho de 1940. Através das descrições e subjetividade de suas personagens, é possível localizar em diversos trechos do livro alguns dos principais conceitos do filósofo, que foi combatente durante esse mesmo período e esteve aprisionado em um campo de concentração.

O livro descreve principalmente a subjetividade de soldados franceses quando estes já estavam prestes a se tornarem prisioneiros de guerra, alguns, conformados com as batalhas perdidas, outros, entregando-se à morte num ato quase heróico, se para o escritor, o heroísmo não passasse de mera construção do indivíduo que é obrigado a ver-se livre para fazer escolhas.

Mathieu, um jovem professor de filosofia, entre combatentes franceses pouco instruídos, que entregam-se à incapacidade de decidirem o que fazer quando são abandonados pelo próprio general; Daniel, um pederasta que tem como objeto de desejo um jovem poeta que decide entregar-se ao suicídio; e Brunet, um comunista que mesmo preso num campo de concentração e entregue à fome e ao abandono não desiste de seus ideais, são, dentre as muitas personagens, os tipos psicológicos típicos de uma doutrina existencialista ateísta.

No livro “O Existencialismo é um Humanismo”, Sartre descreve a doutrina existencialista como não sendo apenas subjetividade pura para o indivíduo, mas também inter-subjetividade. A inter-subjetividade sugere que toda e qualquer escolha do indivíduo também diz respeito à escolha da humanidade em geral. 

O homem escolhe o próprio homem, quando faz escolhas para si mesmo, pois assim escolhe a imagem que faz do próprio homem. Quando é obrigado a ver-se livre para fazer escolhas, e percebe que nunca são exatamente certas, pois não há uma cartilha que descreva como deve ser um homem, uma vez que o homem se inventa a cada instante com suas escolhas através de seus atos, mas que ao escolher necessariamente estabelece um valor a elas, torna-se responsável não apenas por si mesmo, mas por todos os outros, pois a valoração é de ordem ética, e a ética diz respeito à sociedade. 

Nesse sentido, é necessário um certo “engajamento” gratuito, ou seja, a percepção de que a sua própria escolha é tão importante, que se todos escolhessem a mesma coisa, seria bom para todos? Podemos perceber neste ponto que essa filosofia se assemelha à ética kantiana, que é citada neste livro. Mesmo quando os homens optam por não fazer escolhas, já estão fazendo. E o não engajamento, ou seja, quando as escolhas são feitas sem a preocupação com outros homens, há o ocultamento de outros, nisso constitui um enganar-se a si mesmo, e necessariamente, ao agir de “má-fé”.

No entanto, mesmo quando existe o engajamento, a responsabilidade de optar por si mesmo e por todos é demasiada angustiante para os homens.

O homem existe porque se lança para o futuro, projeta-se no futuro. E neste livro, “Com a Morte na Alma”, estas três personagens, em especial, não conseguem se projetar num futuro, visto que a França já estava tomada pelos alemães, e eles não sabiam exatamente o que poderia acontecer. A narrativa frustrante dessas personagens nos mostra uma situação onde o engajamento, a inter-subjetividade, a angústia, as escolhas e o desespero aparecem de maneira gritante.

Mathieu, o jovem professor de filosofia, percebe-se diferente e ao mesmo tempo igual aos outros combatentes. Ele não consegue se ver projetado num futuro, pois ainda não havia decidido o que fazer, portanto, nesse momento continuava procurando um sentido para dar à sua existência. Os homens podem agir de maneiras diferentes quando expostos a uma mesma e difícil situação, mas existe o medo e todos são tomados por uma certa angústia ao serem “libertados” de seus postos, quando o general abandona-os. 

Eles não sabem ao certo o que fazer, quando não há mais ninguém para lhes dar ordens. Ao perceberem claramente que a partir desse determinado momento são livres para escolherem o seu destino, podem ficar, e lutar contra os soldados alemães, ou fugirem, ou matarem-se, e entram em um certo desespero, pois não há como renegar uma escolha, mas essas escolhas dependem desse determinado campo de possibilidades possíveis. Se ficarem em seus postos e lutarem contra os alemães, podem ser aprisionados, ou morrerem. Ou podem tornar-se empregados do exército alemão, dentre algumas possibilidades. Como não sabem ao certo o que lhes pode acontecer, alguns desejam a morte, e podem decidir ficar e serem abatidos pelos soldados alemães. Podemos perceber que o homem está condenado a ser livre, quando é obrigado a fazer escolhas.

Phillipe, o objeto de desejo de Daniel, é um jovem que havia se alistado, e sua tropa havia sido abatida. Estudara letras, era poeta. Não suportava a idéia de ser insultado, tanto pelo próprio padrasto, como a certeza de que, se vivo, haveria a distância de sua mãe. 

Sartre o descreve nos pensamentos de Daniel, como um ser narcisista. A ponto de querer suicidar-se. E Daniel o encontra exatamente nesta situação, quando o jovem aproxima-se do parapeito de uma ponte, disposto a entregar-se à morte. Mesmo optando, nesse caso, em não mais fazer escolhas, havia uma escolha feita. O desejo de se entregar reflete uma escolha. E Daniel aparece e o desafia a perceber que há muitas escolhas dentro desse campo de possibilidades, apesar de ele ter a consciência de que o jovem não poderá contar absolutamente com elas. 

O jovem não demonstra preocupação quanto ao fato de que a sua escolha reflete a escolha de toda a humanidade. Se todos optassem naquele momento pelo suicídio, seria realmente bom? Phillipe é uma bela descrição e um belo exemplo do conceito de má-fé do filósofo, pois engana-se à si mesmo.

É angustiante ao homem a percepção de que sua escolha pode ser realmente importante. É angustiante perceber que é obrigado a optar. É angustiante perceber que sempre vai optar por algo que achar que é mais importante, e que ao optar, acabará valorando sua escolha, como a melhor para todos. Mais angustiante ainda perceber que não existe a melhor opção, pois não foi o homem quem criou o homem e o homem é obrigado a inventar-se quando faz escolhas. Então a história da humanidade depende também das escolhas individuais.

“Mas eu não posso contar com homens que não conheço, apoiando-me na bondade humana, ou no interesse do homem pelo bem da sociedade, sendo aceite que o homem é livre e que não há nenhuma natureza humana em que eu possa basear-me”

O engajamento diz respeito a um certo compromisso com a humanidade, a essa consciência da própria responsabilidade dentro do campo da liberdade de fazer escolhas. O livro “Com a Morte na Alma” fala principalmente sobre isso.

“Entendemos por existencialismo uma doutrina que torna a vida humana possível e que, por outro lado, declara que toda a verdade e toda a ação implicam um meio e uma subjetividade humanas.”

Se o homem só existe através de seus atos, podemos ter os fenômenos como modos de representação do ser. O homem atinge o seu ser através dos fenômenos. É uma espécie de adequação da consciência entre os sujeitos e os objetos externos. E através dessa adequação, o homem descobre não somente a si, como também aos outros. Todo o projeto, por mais individual que seja, tem um valor universal, pois pode ser compreendido por outros homens.

E é nesse contexto em que se encontram os soldados franceses, em que se encontra Mathieu. Ele já não tem mais ideais, já não tem mais aspirações. Já não se importa com o futuro da França, nem com o futuro dos alemães. Não se importa se a guerra terminou ou não. Não se importa em ser covarde, nem em ser herói. Mas suas escolhas na trajetória do livro refletem juízos de valor bem fundamentados.

Após ignorar atitudes as quais julgava insensatas e grosseiras, após optar diversas vezes em não se deixar abater pela futilidade de seus companheiros, decide ficar e enfrentar o exército inimigo, não em um ato de heroísmo, mas numa escolha a qual julgou ser a melhor naquele determinado momento. Apesar de nunca ter atirado em um homem, sente imenso prazer ao abater um dos “fritz”. Em outro momento da sua trajetória vital, talvez não, mas durante apenas 15 minutos, aqueles nos quais ele julgou restarem antes da sua morte, fora a melhor escolha que poderia fazer.

“Podemos dizer que há uma universalidade do homem, mas ela não é dada, é indefinidamente construída. Eu construo o universal escolhendo-me; construo-o compreendendo o projeto de qualquer outro homem, seja qual for a sua época (…). O que o existencialismo toma a peito mostrar é a ligação do caráter absoluto do compromisso livre pelo qual cada homem se realiza, realizando um tipo de humanidade (…). Não há nenhuma diferença entre ser livremente, ser como projeto, como existência que escolhe a sua essência, e ser absoluto.”

Quando o general abandona os combatentes à própria sorte, eles passam dois dias sem saber o que fazer. Tudo era mais simples, quando havia alguém para lhes dar ordens. Alguns procuram se divertir, outros fogem. Mathieu decide ficar. Sabia que era cedo demais para morrer, mas tarde demais para voltar atrás.

Sartre procura elevar o existencialismo não à mera subjetividade humana. Não é ao quietismo que ele se refere, pelo contrário. O quietismo é atitude das pessoas que pensam que os outros são capazes de fazer algo, enquanto elas não. O que percebemos nesse último livro da trilogia é o engajamento voluntário desses soldados franceses. Se colocam ali tanto numa dedicação individual, quanto na dedicação coletiva. “O homem não é mais do que o que ele faz”. Esse é o primeiro princípio do existencialismo. E aqui percebemos o quão pragmático é o existencialismo de Sartre.

Principalmente quando descreve Brunet. É um personagem marxista. Ele acredita na sua ideologia. É aprisionado, juntamente a outros franceses, em um campo de concentração. Não compreende porque os franceses, que são maioria, não se rebelam contra os alemães que os guiam ao campo. Nesse momento, ele percebe que as suas escolhas também dependem das escolhas dos outros.

Ao chegarem ao campo de concentração, são abandonados à própria sorte, sem comida. Não sabem como lidar com aquela situação, alguns enlouquecem, outros brigam, distraem-se assim. Brunet procura fazer dessa experiência uma boa oportunidade para “aliciar” camaradas para o partido comunista. Explica aos companheiros os fundamentos básicos do socialismo, e a importância da liberdade, enquanto escolha de um para todos, e de todos para um.

O marxismo já pressupõe atos, e capacidade de ação. E a ação voltada para a coletividade. Dessa forma, descrevendo Brunet, ele nos apresenta o existencialismo como uma doutrina otimista, que pressupõe a capacidade de decidir por si mesmo, e por outros.

“Pois o Existencialismo não é, nunca foi, uma mera interpretação filosófica. Sempre conteve em suas premissas fortíssimos elementos de puro pragmatismo. Partindo-se do principio de que não existe nenhum ser supremo supra-humano que estabeleça a priori as condições morais e subjetivas da existência, tem-se portanto o fato de que o homem nasce total e completamente livre. Sem limitações, sem delimitações. Está sozinho, consigo e com os demais homens. Está Obrigado a ser Livre!

Por um lado, tal pensamento poderia levar a um estado de niilismo, de dúvidas e de perplexidade, sem horizontes, ou saídas visíveis. Paradoxalmente, para Sartre (ou, pelo menos, o paradoxo é aparente à primeira vista descuidada) esta liberdade ‘compulsória’ não leva ao niilismo passivo, muito menos à repugnante auto-complacência burguesa: para se completar e assumir sua plena liberdade individual, este ‘indivíduo’ necessita da interação social. Serão inevitáveis e lógicos os pontos de encontro entre o marxismo e o existencialismo”.

É fácil cair no niilismo ao falar sobre essa filosofia. Nossas ações refletem a escolha da humanidade, já que escolhendo, valoramos a imagem do homem, e as ações dos outros homens refletem as nossas, e disso nasce a angústia, da incapacidade de saber se as escolhas feitas são realmente as melhores. Nunca saberemos. O existencialista não tomará nunca o homem como fim, pois o homem está sempre por se construir.

No final do livro, aparece uma nova personagem. Um padre, dentre os prisioneiros do campo de concentração, que tenta promover ensinamentos bíblicos. O existencialismo de Sartre é ateísta, percebemos isso através do que ele nos diz sobre as escolhas. Se Deus escolhesse pelos homens, então não haveria angústia. O existencialismo é a doutrina da ação, pois o homem decide e faz escolhas o tempo todo. 

O homem existe, enquanto procura invariavelmente transcender a própria subjetividade, mas não é capaz de fazê-lo. O fim último das escolhas humanas, assim sendo, é a liberdade. Não há como fugir da liberdade. O homem está condenado a ser livre. Livre para fazer escolhas, e inventar-se através delas.

Para  saber mais sobre Sartre, clique no link à seguir: História de Sartre na Estante do Edson Moura

Os Caminhos da Liberdade 1 - A Idade da Razão- Jean Paul Sartre

Sinopse do Livro:
O mestre do Existencialismo criou um enredo envolvente na atmosfera e na vida noturna de Paris. A convivência do professor Mathieu com os amigos e alunos na noite parisiense é o charme do romance. Apesar de morar na famosa Rua Montmartre no centro de Paris, Mathieu vive tentando resolver o seu problema angustiante de falta de dinheiro para que sua amante pratique o aborto de um filho, que ele acredita ser indesejado também por ela. 

Quatro vezes por semana quando todos dormem, ele encontra Marcele, ambígua e misteriosa, de quem deseja livrar-se por causa de Ivich, jovem irmã de Bóris, que é amante de Lola Montero, a cantora do cabaré. Lola Montero é viciada em drogas, venera Bóris, belo e muito mais jovem que ela. Ivich aceita ser cortejada embora finja desprezar Mathieu.

Ivich teme o fraco desempenho nos exames porque terá de partir para Laon onde moram os pais.

Daniel, a quem Mathieu estima, tenta esconder a homossexualidade, odeia Mathieu por considerá-lo uma pessoa sem defeitos, inveja a sua relação com Marcele que visita nas noites em que está sozinha até convencê-la a não abortar o filho que espera de Mathieu.

Quando Marcele resiste à idéia de abortar, Mathieu retira-se contrariado. Em casa hesita em voltar para ela, confessar que a ama e propor-lhe casamento. Daniel aparece, declara ser pederasta e o próximo casamento com Marcele para que seja o pai de seu filho.

Quando ele sai, Mathieu sente falta de Ivich que partiu para Laon. Acredita haver chegado à idade da razão.
Para detalhes sobre o autor, clique no link a seguir: História de Sartre na Estante do Edson Moura

Os Caminhos da Liberdade 2 - Sursis- Jean Paul Sartre

Significado de Sursis:
Sursis é um instituto de direito penal com a finalidade de permitir que o condenado não se sujeite à execução de pena privativa de liberdade de pequena duração, ou seja, permite que, mesmo condenada, uma pessoa não fique na cadeia. Sursis quer dizer suspensão, derivado de surseoir, que significa suspender.

Se o juiz define o prazo de dois anos para o sursis, o condenado ficará durante esse período em observação. Se não praticar nova infração penal e cumprir as determinações impostas pelo juiz, este, ao final do período de prova, determinará o fim da pena. Se durante o período de prova houver revogação do sursis, o condenado cumprirá a pena que se achava com a execução suspensa.

Este não é um romance sobre a guerra, é um romance sobre a sombra da guerra. Ler este romance é encontrar, talvez, o mais inventivo escrito de Jean-Paul Sartre. Ao escrever Sursis, Sartre já estava consagrado como o literato que pregava o abandono do homem individualista em busca de um projeto de liberdade, que só seria alcançado a partir da relação dos homens com os outros homens. Os acontecimentos nas vidas de diversas pessoas na Europa se entrecruzam, enquanto o continente se consome na angústia da inevitabilidade da guerra. Os personagens de A Idade da Razão reaparecem, agora com a certeza de não poder mais sonhar com liberdade individual, devido à guerra iminente.

Sobre o autor:
Jean-Paul Charles Aymard Sartre (Paris, 21 de Junho de 1905 — Paris, 15 de Abril de 1980) foi um filósofo francês, escritor e crítico, conhecido representante do existencialismo. Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra.

Repeliu as distinções e as funções oficiais e, por estes motivos, se recusou a receber o Nobel de Literatura de 1964. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, depois se define, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma "essência" posterior à exis1905 a 1918: a formação do escritor

Jean-Paul Sartre era filho de Jean-Baptiste Marie Eymard Sartre, oficial da marinha francesa e de Anne-Marie Sartre (Nascida Anne Marie Schweitzer). Quando seu filho nasceu Jean-Baptiste tinha uma doença crônica adquirida em uma missão na Cochinchina. Após o nascimento de Jean-Paul ele sofreu uma recaída e retirou-se com a família para Thiviers, sua terra natal, onde morreu em 21 de setembro de 1906.Jean-Paul, órfão de pai, e então com 15 meses, muda-se para Meudon com sua mãe, onde passam a viver na casa de seu avós maternos. 

O avô de Sartre, Charles Schweitzer nasceu em uma tradicional família protestante alsaciana da qual faz parte, entre outros, o famoso missionário Albert Schweitzer, sobrinho de Charles. Ao fim da guerra franco-prussiana, Charles optou pela cidadania francesa e tornou-se professor de alemão em Mâcon onde conheceu e casou-se com Louise Guillemin, de origem católica, com quem teve três filhos, George, Émile e Anne-Marie.

Após o regresso de Anne-Marie, os quatro viveram em Meudon até 1911. O pequeno "Poulou", como Jean-Paul era chamado, dividia o quarto com a mãe. Em seu romance autobiográfico "As Palavras" (Les Mots) confessa que desde cedo a considerava mais como uma irmã mais velha do que como mãe. De sua primeira infância ao fim da adolescência, Sartre vive uma vida tipicamente burguesa, cercado de mimos e proteção... Até os 10 anos foi educado em casa por seu avô e por alguns preceptores contratados. Com pouco contato com outras crianças, o menino tornou-se, em suas próprias palavras, um "Cabotino" e aprendeu a usar a representação para atrair a atenção dos adultos com sua precocidade.

Em 1911, a família Schweitzer mudou-se para Paris. Passa a ter acesso à biblioteca de obras clássicas francesas e alemãs pertencente ao seu avô. Após aprender a ler, Jean-Paul alterna a leitura de Victor Hugo, Flaubert, Mallarmé, Corneille, Maupassant e Goethe, com os quadrinhos e romances de aventura que sua mãe comprava semanalmente às escondidas do avô. Sartre considerava serem essas suas "verdadeiras leituras", uma vez que a leitura dos clássicos era feita por obrigação educacional. A essas influências, junta-se o cinema, que freqüentava com sua mãe e que se tornaria mais tarde um de seus maiores interesses.

Sartre conta em "As Palavras" que escrevia histórias na infância também como uma forma de mostrar-se precoce. Suas primeiras histórias eram cópias de romances de aventura, em que apenas alguns nomes eram alterados, mas ainda assim faziam sucesso entre os familiares. Era incentivado pela mãe, pela avó, pelo tio (que o presenteou com uma máquina de escrever) e por uma professora, a sra. Picard, que via nele a vocação de escritor profissional. Aos poucos, o jovem Sartre passou a encontrar sua verdadeira vocação na escrita.

Apenas seu avô o desencorajava da escrita e o incentivava a seguir carreira de professor de letras. Sem enxergar nele o talento que os demais viam, mas conformado com o fato de que seu neto "tinha a bossa da literatura", incentivou Sartre a tornar-se professor por profissão e escrever apenas como segunda atividade. Assim, Sartre atribui ao avô a consolidação de sua vocação de escritor: "Perdido, aceitei, para obedecer a Karl, a carreira de escritor menor. Em suma, ele me atirou na literatura pelo cuidado que desprendeu em desviar-me dela".

Em 14 de abril de 1917 sua mãe casa-se novamente, com Joseph Mancy, que passa a ser co-tutor de Sartre. Livre da dependência dos pais, Anne-Marie muda-se com Sartre para a casa de Mancy em La Rochelle. Nesta cidade litorânea, Sartre toma contato pela primeira vez com imigrantes árabes, chineses e negros. Mais tarde ele reconheceria esse período como a raiz de seu anticolonialismo e o início do abandono dos valores burgueses.

1921 a 1936: a formação do filósofo:
 Em 1921 retorna ao Liceu Henri IV, agora como interno. Encontra Paul Nizan e os dois tornam-se amigos inseparáveis. De 1922 a 1924, ambos estudam no curso preparatório do liceu Louis-le-Grand, onde se preparam para o concurso da École Normale Superieure. Nessa época despertou seu interesse pela filosofia. Sua primeira influência importante foi a obra de Henri Bergson.

Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure na mesma turma de Nizan, Daniel Agache e Raymond Aron. Músico e ator talentoso e sempre disposto a participar de brincadeiras e eventos sociais, Sartre torna-se muito popular entre os colegas. Os alunos da escola se dividem em grupos de afinidades religiosas ("ateus" e "carolas"), e facções políticas: Socialistas, comunistas, reacionários, pacifistas. 

Sartre adere aos ateus e aos pacifistas e enquanto Aron e Nizan aderem aos círculos socialistas e comunistas e começam a participar da vida política francesa, Sartre mantém o individualismo e o desinteresse pela política que conservaria até o fim da Segunda Guerra. No campo filosófico, além de Bergson, passou a ler Nietzsche, Kant, Descartes e Spinoza. Já na escola começa a desenvolver as primeiras ideias de uma filosofia da liberdade leiga, da oposição entre os seres e a consciência, do absurdo e da contingência que ele viria a desenvolver posteriormente em suas grandes obras filosóficas. Seu principal interesse filosófico é o indivíduo e a psicologia.

Em 1928 presta o exame de mestrado e é reprovado. Durante o ano de preparação para a segunda tentativa, estuda com Nizan e René Maheu na Sorbonne. Conhece a namorada de Maheu, Simone de Beauvoir que mais tarde se tornaria sua companheira e colaboradora até o fim da vida. Maheu havia apelidado Simone de Beauvoir de "Castor", devido à semelhança de seu nome com Beaver (Castor em inglês) e também "porque ela trabalhava como um castor". Sartre assume o apelido e passa a chamá-la de Castor pessoalmente e em todas as cartas que lhe escreveu. Na segunda tentativa do mestrado, Sartre passa em primeiro lugar, no mesmo ano em que Beauvoir obtém a segunda colocação.

Sartre e Beauvoir nunca formaram um casal monogâmico. Não se casaram e mantinham uma relação aberta. Sua correspondência é repleta de confidências sobre suas relações com outros parceiros. Além da relação amorosa, eles tinham uma grande afinidade intelectual. Beauvoir colaborou com a obra filosófica de Sartre, revisava seus livros e também se tornou uma das principais filosofas do movimento existencialista. Sua obra literária também inclui diversos volumes autobiográficos, que freqüentemente relatam o processo criativo de Sartre e dela mesma.

Entre 1929 e 1931, Sartre presta o serviço militar e torna-se soldado meteorologista. Escreve alguns contos e começa a trabalhar em seu primeiro romance, "Factum sur la contingeance" (Panfleto sobre a contingência), que depois viria a se chamar "La Nausée" (A náusea). Embora tenha se candidatado ao cargo de auxiliar de catedrático no Japão, ele é nomeado professor de filosofia de um liceu em Havre onde permanece até 1936. Sartre ainda seria professor em Laon e Paris até 1944, quando abandonou definitivamente o magistério.

Em 1933, ele é apresentado à fenomenologia de Husserl por Raymond Aron, que havia retornado de um período como bolsista do Institut Français em Berlim. Percebendo a semelhança dessa corrente à sua própria teoria da contingência, Sartre fica fascinado e imediatamente começa a estudar a fenomenologia através de uma obra introdutória. 

Por sugestão de Aron, candidata-se à mesma bolsa e, aprovado, permanece em Berlim entre 1933 e 1934. Durante esta viagem, estuda a fundo a obra de Husserl e conhece também a filosofia de Martin Heidegger. Publica em 1936 o artigo La Transcendence de l'Égo (A Transcendência do Ego), uma crítica à teoria do Ego Husserliana que por sua vez se baseava no Cogito cartesiano. Sartre desafia o conceito de que o ego é um conteúdo da consciência e afirma que ele está fora da consciência, no mundo e a consciência se dirige a ele como a qualquer outro objeto do mundo. 

Este é um dos primeiros passos para livrar a consciência de conteúdos e torná-la o "Nada" que mais tarde seria um dos conceitos-chave do existencialismo. De volta à França, continua a trabalhar nas mesmas ideias e entre 1935 e 1939 escreve L'Imagination (A Imaginação), L'Imaginaire (O Imaginário) e Esquisse d'une théorie des émotions (Esboço de uma teoria das emoções). Volta então suas pesquisas para Heiddegger e começa a escrever L´Être et le néant (O ser e o nada).

Em 1938 publica o romance La Nausée (A náusea) e a coletânea de contos Le mur (O muro). A náusea apresenta, em forma de ficção, o tema da contingência e torna-se seu primeiro sucesso literário, o que contribui para o início da influência de Sartre na cultura francesa e no surgimento da moda existencialista que dominou Paris na década de 1940.

1939 a 1945: a gênese do intelectual engajado:
Em 1939 Sartre volta ao exército francês, servindo na Segunda Guerra Mundial como meteorologista. Em Nancy é aprisionado no ano de 1940 pelos alemães, e permanece na prisão até abril de 1941. De volta a Paris, alia-se à Resistência Francesa, onde conhece e se torna amigo de Albert Camus (do qual já conhecia a obra e sobre quem já havia escrito um ensaio elogioso a respeito do livro O Estrangeiro).

A amizade entre Sartre e Camus perdurará até 1952, quando os dois rompem a relação publicamente devido à publicação do livro do Camus O Homem Revoltado no qual Camus ataca criticamente o Stalinismo. Sartre defendia uma relação de colaboração critica com o regime da URSS e permitiu a publicação de uma crítica desastrosa sobre o livro do Camus em sua revista Les Temps Modernes (crítica esta que Camus respondeu de maneira extremamente dura) e que foi a gota d´água para o fim da relação de amizade). Mas até o final da vida Sartre admirará Camus, como ele mesmo expressa nas entrevistas que teve com Simone de Beauvoir em 1974 - e que ela publicou postumamente.

Em 1943 publica seu mais famoso livro filosófico, L'Être et le Néant (O Ser e o Nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica), que condensa todos os conceitos importantes da primeira fase de seu sistema filosófico. Sua participação na Resistência não é aceita por todos, e o filósofo Vladimir Jankélévitch o reprova por sua "falta de engajamento político" durante a ocupação alemã, e vê em seus posteriores combates em prol da liberdade uma tentativa de se redimir por esta atitude.

Em 1945, ele cria e passa a dirigir junto a Maurice Merleau-Ponty a revista Les Temps Modernes (Tempos Modernos), onde são tratados mensalmente os temas referentes à literatura, filosofia e política. Além das contribuições para a revista, Sartre escreve neste período algumas de suas obras literárias mais importantes. Sempre encarando a literatura como meio de expressão legítima de suas crenças filosóficas e políticas, escreve livros e peças teatrais que tratam das escolhas que os homens tomam frente às contingências às quais estão sujeitos. Entre estas obras destacam-se a peça Huis Clos (Entre quatro paredes) (1945) e a trilogia Les Chemins de la liberté (Os caminhos da Liberdade) composta pelos romances L'age de raison (A idade da razão) (1945), Le Sursis (Sursis) (1947) e Le mort dans l'âme (Com a morte na alma) (1949).

No período mais prolífico de sua carreira escreve ainda várias peças de teatro e ensaios.

Na década de 1950 assume uma postura política mais atuante, e abraça o comunismo. Torna-se ativista, e posiciona-se publicamente em defesa da libertação da Argélia do colonialismo francês. A aproximação do marxismo inaugura a segunda parte da sua carreira filosófica em que tenta conciliar as ideias existencialistas de autodeterminação aos princípios marxistas. Por exemplo, a ideia de que as forças sócio-econômicas, que estão acima do nosso controle individual, têm o poder de modelar as nossas vidas. Escreve então sua segunda obra filosófica de grande porte, La Critique de la raison dialectique (A crítica da razão dialética) (1960), em que defende os valores humanos presentes no marxismo, e apresenta uma versão alterada do existencialismo que ele julgava resolver as contradições entre as duas escolas.

Considerado por muitos o símbolo do intelectual engajado, Sartre adaptava sempre sua ação às suas ideias, e o fazia sempre como ato político. Em 1963 Sartre escreve Les Mots (As palavras, lançado em 1964), relato autobiográfico que seria sua despedida da literatura. Após dezenas de obras literárias, ele conclui que a literatura funcionava como um substituto para o real comprometimento com o mundo. Em 1964 recebe o Nobel de Literatura, que ele recusa pois segundo ele "nenhum escritor pode ser transformado em instituição". Morre em 15 de abril de 1980 no Hospital Broussais (em Paris). Seu funeral foi acompanhado por mais de 50 000 pessoas. Está enterrado no Cemitério de Montparnasse em Paris. No mesmo túmulo jaz Simone de Beauvoir.

Cronologia:
1905 - Sartre nasce em Paris em 21 de junho.
1907 - Morte de seu pai. Muda-se para a casa do avô materno, em Meudon; retorna a Paris quatro anos depois.
1924 - Sartre matricula-se na Escola Normal Superior, em Paris. Conhece Simone de Beauvoir.
1931 - É nomeado professor de filosofia no Havre.
1936 - Sartre publica A Imaginação e A Transcendência do Ego.
1940 - Servindo na guerra, Sartre é feito prisioneiro pelos alemães e enviado a um campo de concentração.
1941 - Liberto, volta à França e entra para a Resistência. Funda o movimento Socialismo e Liberdade.
1943 - Publica O Ser e o Nada.
1945 - Sartre dissolve Socialismo e Liberdade e funda, com Merleau-Ponty, a revista Les Temps Modernes.
1952 - Sartre ingressa no Partido Comunista Francês.
1956 - Rompe com o Partido Comunista. Escreve O Fantasma de Stálin.
1960 - Sartre publica Crítica da Razão Dialética.
1964 - Publica As Palavras. Recusa o Nobel de Literatura por acreditar que "nenhum escritor pode ser transformado em instituição"
1968 - Durante a revolta estudantil na França e em várias partes do mundo, Sartre põe-se ao lado dos estudantes da barricada.
1970 - Sartre assume simbolicamente a direção do jornal esquerdista La Cause de Peuple, em protesto à prisão de seus diretores.
1971 - Publica O Idiota da Família.
1973 - Colabora na fundação do jornal libertário Libération.
1980 - Morre em 15 de abril.

O existencialismo de Sartre:
Baseado principalmente na fenomenologia de Husserl e em 'Ser e Tempo' de Heidegger, o existencialismo sartriano procura explicar todos os aspectos da experiência humana. A maior parte deste projeto está sistematizada em seus dois grandes livros filosóficos: O ser e o nada e Crítica da razão dialética.

O Em-si:
Segundo a fenomenologia e o existencialismo, o mundo é povoado de seres Em-si. Podemos entender um Em-si como qualquer objeto existente no mundo e que possui uma essência definida. Uma caneta, por exemplo, é um objeto criado para suprir uma necessidade: a escrita. Para criá-lo, parte-se de uma ideia que é concretizada, e o objeto construído enquadra-se nessa essência prévia. Um ser Em-si não tem potencialidades nem consciência de si ou do mundo. Ele apenas é. Os objetos do mundo apresentam-se à consciência humana através das suas manifestações físicas (fenômenos).

O Para-si:
A consciência humana é um tipo diferente de ser, por possuir conhecimento a seu próprio respeito e a respeito do mundo. É uma forma diferente de ser, chamada Para-si. É o Para-si que faz as relações temporais e funcionais entre os seres Em-si, e ao fazer isso, constrói um sentido para o mundo em que vive.

O Para-si não tem uma essência definida. Ele não é resultado de uma ideia pré-existente. Como o existencialismo sartriano é ateu, ele não admite a existência de um criador que tenha predeterminado a essência e os fins de cada pessoa. É preciso que o Para-si exista, e durante essa existência ele define, a cada momento o que é sua essência. 

Cada pessoa só tem como essência imutável, aquilo que já viveu. Posso saber que o que fui se definiu por algumas características ou qualidades, bem como pelos atos que já realizei, mas tenho a liberdade de mudar minha vida deste momento em diante. Nada me compete a manter esta essência, que só é conhecida em retrospecto. 

Podemos afirmar que meu ser passado é um Em-si, possui uma essência conhecida, mas essa essência não é predeterminada. Ela só existe no passado. Por isso se diz no existencialismo que "a existência precede e governa a essência". Por esta mesma razão cada Para-si tem a liberdade de fazer de si o que quiser.

Liberdade em Sartre:
Sartre defende que o homem é livre e responsável por tudo que está à sua volta. Somos inteiramente responsáveis por nosso passado, nosso presente e nosso futuro. Em Sartre, temos a ideia de liberdade como uma pena, por assim dizer. "O homem está condenado a ser livre". 

Se, como Nietzsche afirmava, já não havia a existência de um Deus que pudesse justificar os acontecimentos, a ideia de destino, passava a ser inconcebível, sendo então o homem o único responsável por seus atos e escolhas. Para Sartre, nossas escolhas são direcionadas por aquilo que nos aparenta ser o bem, mais especificamente por um engajamento naquilo que aparenta ser o bem e assim tendo consciência de si mesmo. Em outras palavras, para o autor, o homem é um ser que "projeta tornar-se Deus".

Segundo o comentário de Artur Polônio, "se a vida não tem, à partida, um sentido determinado […], não podemos evitar criar o sentido de nossa própria vida". Assim, "a vida nos obriga a escolher entre vários caminhos possíveis [mas] nada nos obriga a escolher uma coisa ou outra". Assim, dentro dessa perspectiva, recorrer a uma suposta ordem divina representa apenas uma incapacidade de arcar com as próprias responsabilidades.

Sartre não nega por completo o determinismo, mas determina o ser humano através da liberdade, não somos, afinal, livres para não ser livres. Afinal de contas, não é Deus, nem a natureza, tampouco a sociedade que nos define, que define o que somos por completo ou nossa conduta. Somos o que queremos ser, o que escolhemos ser; e sempre poderemos mudar o que somos. o quem irá definir. Os valores morais não são limites para a liberdade.

Em Paris, sob o domínio alemão, Sartre pôde utilizar suas referências para a liberdade. Organizava-se a Resistência Francesa. Sartre desejava participar do movimento, mas agindo a sua maneira. Não chegou a pegar no fuzil. Sua arma continuava sendo a palavra. Nesta circunstância, o teatro parecia-lhe o instrumento mais adequado para atingir o público e transmitir sua mensagem. Assim surgiu a primeira peça teatral de Sartre, As Moscas, encenada em 1943.

Animado pelo êxito de sua primeira experiência, em 1945 Sartre volta à cena com a peça Entre Quatro Paredes, cujos personagens vivem os grandes problemas existenciais que o autor aborda em sua filosofia.

Limitação da liberdade:
A liberdade dá ao homem o poder de escolha, mas está sujeita às limitações do próprio homem. Esta autonomia de escolha é limitada pelas capacidades físicas do ser. Para Sartre, porém, estas limitações não diminuem a liberdade, pelo contrário, são elas que tornam essa liberdade possível, porque determinam nossas possibilidades de escolha, e impõem, na verdade, uma liberdade de eleição da qual não podemos escapar.

A existência, a responsabilidade e a má-fé:
Segundo Raymond Plant, em seu livro Política, Teologia e História, o argumento de que a essência precede a existência implica a necessidade de um criador; assim, quando um objeto vai ser produzido (um martelo, uma caneta, uma máquina), ele obedece a um plano pré-concebido, que estabelece sua forma, suas principais características e sua função, ou seja, ele possui um propósito definido, uma essência que define sua forma e utilidade, e precede a sua existência. Sendo Sartre um representante do existencialismo ateu, ele defende que há um ser onde essa situação se inverte, e a existência precede a essência: o ser humano. Assim, seria o próprio homem o definidor de sua essência, e não Deus, como advogava o existencialismo cristão.

Em sua conferência "O existencialismo é um humanismo", Sartre afirma que o ser humano é o único nesta condição; nós existimos antes que nossa essência seja definida. Esse seria um dos preceitos básicos do Existencialismo. Assim, o autor nega a existência de uma suposta "essência humana" (pré-concebida), seja ela boa ou ruim. As nossas escolhas cabem somente a nós mesmos, não havendo, assim, fator externo que justifique nossas ações. O responsável final pelas ações do homem é o próprio homem.

Nesse sentido, o existencialismo sartriano concede importante relevo a responsabilidade: cada escolha carrega consigo a obrigação de responder pelos próprios atos, um encargo que torna o homem o único responsável pelas consequências de suas decisões. E cada uma dessas escolhas provoca mudanças que não podem ser desfeitas, de forma a modelar o mundo de acordo com seu projeto pessoal. Assim, perante suas escolhas, o homem não apenas torna-se responsável por si, mas também por toda a humanidade.

Essa responsabilidade é a causa da angústia dos existencialistas. Essa angústia decorre da consciência do homem de que são as suas escolhas que definirão a sua essência, e mais, de que essas escolhas podem afetar, de forma irreversível, o próprio mundo. A angústia, portanto, vem da própria consciência da liberdade e da responsabilidade em usá-la de forma adequada.

Sartre nega, ainda, a suposição de que haja um propósito universal, um plano ou destino maior, onde seríamos apenas atores de um roteiro definido. Isto implica a constatação de que apenas nós mesmos definimos nosso futuro, através de nossa liberdade de escolha. Porém, Sartre não se restringe em "justificar" a angústia dos existencialistas, fruto da consciência de sua responsabilidade, mas vai além, e acusa como má-fé a atitude daqueles que não procedem de tal forma, renunciando, assim, a própria liberdade.

De acordo com o autor, a má-fé é uma defesa contra a angústia criada pela consciência da liberdade, mas é uma defesa equivocada, pois através dela nos afastamos de nosso projeto pessoal, e caímos no erro de atribuir nossas escolhas a fatores externos, como Deus, os astros, o destino, ou outro. Nesse sentido, Sartre considerava também a ideia freudiana de inconsciente como um exemplo de má-fé.

Podemos dizer, então, que para os existencialistas a má-fé compreendia a mentira para si próprio, sendo imprescindível para o homem abandonar a má-fé, passando então a condição de ser consciente e responsável por suas escolhas. Ao fazer isso, o homem passa, invariavelmente, a viver num estado de angústia, pois deixa de se enganar, mas em compensação retoma a sua liberdade em seu sentido mais pleno.

O outro:
As outras pessoas são fontes permanentes de contingências. Todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto. Mas cada pessoa tem um projeto diferente, e isso faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que os projetos se sobrepõem. Mas Sartre não defende, como muitos pensam, o solipsismo. O homem por si só não pode se conhecer em sua totalidade. 

Só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue se ver como parte do mundo. Sem a convivência, uma pessoa não pode se perceber por inteiro. "O ser Para-si só é Para-si através do outro", ideia que Sartre herdou de Hegel. Cada pessoa, embora não tenha acesso às consciências das outras pessoas, pode reconhecer neles o que têm de igual. E cada um precisa desse reconhecimento. 

Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência, sou um eterno "tornar-me", um "vir-a-ser" que nunca se completa. Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência, ainda que temporária. Só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo. Daí vem a ideia de que "o inferno são os outros", ou seja, embora sejam eles que impossibilitem a concretização de meus projetos, colocando-se sempre no meu caminho, não posso evitar sua convivência. Sem eles o próprio projeto fundamental não faria sentido.

Críticas ao existencialismo sartriano:
O existencialismo ateu de Sartre, por sua natureza avessa aos dogmas da igreja e da moral constituída, atraiu muitos grupos que viam na defesa da liberdade e da vida autêntica um endosso à vida desregrada - obviamente, por um erro na compreensão do que há de essencial na concepção de liberdade elaborada pelo filósofo francês. Por razões semelhantes foi vista por muitos como uma filosofia nociva aos valores da sociedade e à manutenção da ordem. Seria uma filosofia contra a humanidade. Esta é uma das razões porque toda a obra de Sartre foi incluída no Index de obras proibidas pela Igreja Católica.

Sartre responde a isso na conferência "O existencialismo é um humanismo" em que afirma que o existencialismo não pode ser refúgio para os que procuram o escândalo, a inconsequência e a desordem. O movimento, segundo este texto, não defende o abandono da moral, mas a coloca em seu devido lugar: na responsabilidade individual de cada pessoa. O existencialismo reconhece, assim, a possibilidade de uma moral laica em que os valores humanos existem sem a necessidade da existência de Deus. A moral existencialista pretende que as escolhas morais não sejam determinadas pelo medo da punição divina, mas pela consciência da responsabilidade.

No meio acadêmico, o existencialismo foi criticado por tratar exclusivamente de questões ontológicas, e por sua defesa da auto-determinação. O existencialismo seria uma filosofia excessivamente preocupada com o indivíduo, sem levar em conta os fatores sócio-econômicos, culturais e os movimentos históricos coletivos que, segundo o marxismo e o estruturalismo, determinam as escolhas e diminuem a liberdade individual.

Em resposta a esta crítica, Sartre fez alterações ao seu sistema, e escreveu "A crítica da razão dialética" como tentativa de compatibilizar o existencialismo ao marxismo. Dos dois tomos planejados, apenas o primeiro foi publicado em vida em 1960. O segundo tomo, inacabado, foi publicado postumamente. Neste texto, afirma que "o marxismo é a filosofia insuperável de nosso tempo", e admite que enquanto a humanidade estiver limitada por leis de mercado e pela busca da sobrevivência imediata, a liberdade individual não poderia ser totalmente alcançada.

Não se pode negar sua duradoura influência sobre os mais variados ramos do conhecimento humano. Por ser muito voltado à discussão de aspectos formadores da personalidade humana, o existencialismo exerceu influência na psicologia de Carl Rogers, Fritz Perls, R. D. Laing e Rollo May. Na literatura, influenciou a poesia da Geração Beat, cujos maiores expoentes foram Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs, além dos dramaturgos do chamado Teatro do absurdo. 

Sartre prova sua relevância até na TV contemporânea, onde o cultuado produtor Joss Whedon costuma inserir o existencialismo em seus projetos Buffy, a Caça Vampiros, Angel e Firefly - o que, através da repetição descontextualizada dos jargões existencialistas, acaba por contribuir para a incompreensão e reforça preconceitos já existentes. Através de suas contribuições à arte, Sartre conseguiu inserir a filosofia na vida das pessoas comuns. Esta continua a ser sua maior contribuição à cultura mundial.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Príncipe - Nicolau Maquiavel

Sinopse do Livro:

Nicolau Maquiavel (em italiano Niccolò Machiavelli; Florença, 3 de maio de 1469 — Florença, 21 de junho de 1527) foi um historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de haver escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser.

Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente. Desde as primeiras críticas, feitas postumamente por um cardeal inglês, as opiniões, muitas vezes contraditórias, acumularam-se, de forma que o adjetivo maquiavélico, criado a partir do seu nome, significa esperteza, astúcia.

Niccolò di Bernardo dei Machiavelli viveu a juventude sob o esplendor político da República Florentina durante o governo de Lourenço de Médici e entrou para a política aos 29 anos de idade no cargo de Secretário da Segunda Chancelaria. 

Nesse cargo, Maquiavel observou o comportamento de grandes nomes da época e a partir dessa experiência retirou alguns postulados para sua obra. Depois de servir em Florença durante catorze anos foi afastado e escreveu suas principais obras. Conseguiu também algumas missões de pequena importância, mas jamais voltou ao seu antigo posto como desejava.

Como renascentista, Maquiavel se utilizou de autores e conceitos da Antiguidade clássica de maneira nova. Um dos principais autores foi Tito Lívio, além de outros lidos através de traduções latinas, e entre os conceitos apropriados por ele, encontram-se o de virtù e o de fortuna.

Sobre o autor: Nicolau Maquiavel
Nicolau Maquiavel (em italiano Niccolò Machiavelli; Florença, 3 de maio de 1469 — Florença, 21 de junho de 1527) foi um historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de haver escrito sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Os recentes estudos do autor e da sua obra admitem que seu pensamento foi mal interpretado historicamente. Desde as primeiras críticas, feitas postumamente por um cardeal inglês, as opiniões, muitas vezes contraditórias, acumularam-se, de forma que o adjetivo maquiavélico, criado a partir do seu nome, significa esperteza, astúcia.

Niccolò di Bernardo dei Machiavelli viveu a juventude sob o esplendor político da República Florentina durante o governo de Lourenço de Médici e entrou para a política aos 29 anos de idade no cargo de Secretário da Segunda Chancelaria. Nesse cargo, Maquiavel observou o comportamento de grandes nomes da época e a partir dessa experiência retirou alguns postulados para sua obra. Depois de servir em Florença durante catorze anos foi afastado e escreveu suas principais obras. Conseguiu também algumas missões de pequena importância, mas jamais voltou ao seu antigo posto como desejava.

Como renascentista, Maquiavel se utilizou de autores e conceitos da Antiguidade clássica de maneira nova. Um dos principais autores foi Tito Lívio, além de outros lidos através de traduções latinas, e entre os conceitos apropriados por ele, encontram-se o de virtù e o de fortuna.

Direto ao Ponto - Ricardo Gondim

Sinopse do Livro:

Não desejo ser leviano em minhas considerações. Estes ensaios teológicos são responsáveis e tementes à Deus. Estendo esta responsabilidade às pessoas. Eu lido com gente que vive situações concretas e enfrenta um mundo pleno de possibilidades e perigos. 

Em minha comunidade, mães trazem filhas em cadeira de roda para a escola dominical; pais, aflitos com os filhos que sucumbiram ao vício das drogas, anseiam por respostas. Já enterrei rapazes. Já vi o câncer maltratar amigos até à morte. Não me resigno a responder a tantos dilemas da vida com frases prontas e chavões idealizados. Reservo-me ao direito de não estreitar-me à bitola das teologias prontas.

Espero que os capítulos deste livro despertem seu interesse por outros temas e gere pesquisa, estudo e meditação. Ainda há muito a ser feito. Consagro a Deus cada página que escrevi para que gere sede pelo eterno, paixão por Jesus e gana de viver. (Ricardo Gondim)

Autor: Ricardo Gondim
Editora: Editora Doxa
Edição: 1º Edição
Páginas: 148
Ano: 2009
Acabamento: Brochura
Formato: 14 x 21 cm

A assinatura de Deus - Grant Jeffrey

Sinopse do Livro:

A Assinatura de Deus é o mais interessante e fascinante livro já escrito por Grant Jeffrey.

Este livro o impressionará com suas evidências científicas bem documentadas que provarão que a Bíblia é a Palavra Inspirada de Deus, sem nenhuma sombra de dúvida. 

Grant argumenta que foi Deus quem, de fato, escreveu sua assintura nas páginas das Escritas, através de inúmeras provas divinas de que suas palavras são inspiradas e verídicas. 

Explore as descobertas extraordinárias que provam que Deus escreveu a Bíblia. -Os misteriosos códigos hebreus na Bíblia que revelam Hitler, Rabin e Sadat. -O nome "Yeshua - Jesus" aparece em código ao longo de todo o Antigo Testamento. -A incrível precisão das profecias que se cumpriram nesta geração.

.Inscrições encontradas no Sinal remetem aos eventos do livro de Êxodo. -O nome de José e de Moisés encontrados em inscrições antigas. -Evidências da miraculosa destruição das muralhas de Jericó. -Relatórios científicos incrivelmente acurados encontrados na Bíblia. -Informações médicas avançadas nas Escrituras. -Esmagadora prova histórica da morte e ressurreição de Cristo. 

Se você deseja saber que a Bíblia é realmente inspirada por Deus ou se quiser testemunhar para um amigo, A Assinatura de Deus é uma evidência convincente de que as Escrituras são dignas de confiança. 

Editora: Bompastor
Ano: 1996
Edição: 1
Número de páginas: 291
Formato: Médio

O Evangelho Maltrapilho - Brennan Manning

Sinopse do Livro:

O escândalo da graça.

O evangelho maltrapilho foi escrito para pessoas aniquiladas, derrotadas e exauridas. Pessoas que se acham indignas de receber o amor de Deus. Quem sabe, ignoradas pela comunidade de cristãos por não se encaixarem no perfil de super-homem ou de super-mulher que lhes é constantemente exigido. Pessoas cansadas da espiritualidade superficial e consumista. Pessoas que travam inúmeras batalhas interiores por não se sentirem parte de uma comunidade afetiva e acolhedora.

É um livro que escrevi para mim mesmo e para quem quer que tenha ficado cansado e desencorajado ao longo do Caminho, confessa o autor.


Sobre o autor: Brennan Manning

Batizado Richard Francis Xavier, o escritor Brennan Manning nasceu e cresceu, junto com os dois irmãos, num subúrbio barra pesada de Nova York. Sua família enfrentou dificuldades - experiência que certamente contribuiu para aguçar-lhe a sensibilidade pelos anseios dos humildes e simples no ministério que abraçaria anos depois -, mas isto não o impediu de entrar para a Universidade St. John, da qual sairia para servir no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (os famosos marines) durante a Guerra da Coréia.

De volta à vida civil, Manning tentou estudar jornalismo na Universidade do Missouri, mas seus questionamentos pessoais e a palavra de um conselheiro o levaram a um seminário católico. Em fevereiro de 1956, ao meditar sobre o caminho de Jesus até a cruz, sentiu-se comovido pelo Evangelho e chamado por Deus. "Naquele momento", relata, "a vida cristã passou a ter um novo significado para mim: uma relação íntima e profunda com Jesus." Quatro anos mais tarde, graduou-se em Filosofia e, posteriormente, em Teologia, pelo Seminário St. Francis.

Um dos aspectos mais interessantes sobre a trajetória ministerial de Brennan Manning é o trânsito entre a academia e as favelas, a universidade e as vilas, povoados e cortiços. Pensador brilhante, especialista em Escrituras e Liturgia, foi entre as populações carentes dos Estados Unidos e da Europa que encontrou o caminho para colocar em prática o tipo de cristianismo com o qual se comprometera desde o início de sua vocação: o da compaixão e serviço abnegado. Viveu em clausura e contemplação; carregou água para populações rurais e foi ajudante de pedreiro na Espanha; lavou pratos na França; deu apoio espiritual a presidiários suíços.

Com a fé reafirmada, Brennan Manning retornou aos Estados Unidos, fixando-se inicialmente no Alabama, onde tentou organizar uma comunidade nos mesmos moldes da Igreja primitiva. Voltou ao campus no fim dos anos 1970 e, depois de enfrentar uma crise pessoal, começou a escrever e ministrar palestras, atividades que mantém até hoje, sempre com o objetivo de comunicar o amor incondicional de Deus em Jesus. "Aprendi de um sábio franciscano que, para quem conhece o amor de Cristo, nada mais no mundo é tão belo e desejável."

Páginas: 224
Tamanho: 14x21
Categoria: Espiritualidade
Ano: 2005
Autor: Brennam Manning

A mão invisível de Deus - R. C. Sproul

Sinopse do Livro:

Na paisagem montanhosa da antiga Canaã, os irmãos de José enciumados pelo belo caso que José exibia e pela preferência do pai pelo irmão mais novo, deram início ao encadeamento dos fatos que, gerações mais tarde, levariam uma jovem egípcia a ouvir o choro de uma criança flutuando dentro de um cesto sobre as águas do Rio Nilo. 

Como decorrência desse encontro, viria a Lei... Dos guardadores da Lei viriam as profecias que apontam para uma manjedoura em Belém ... E, finalmente, para uma sepultura vazia guardada por anjos... Neste livro, o renomado R.C. Sproul mostra-nos como, desde o princípio dos tempos, a providência de Deus - a mãos invisível que governa o Universo com ´perfeita intencionalidade´ - tem trabalhado para o bem daqueles que o amam. 

Com clareza e perspicácia, Sproul esclarece princípios doutrinários, compartilhando suas próprias experiências familiares de intervenções divinas tal qual os dramáticos encontros com a providência divina vivenciados pelos grandes heróis bíblicos. O resultado é este volume esclarecedor que inspira os cristãos de hoje a depositar sua confiança no Deus que controla cada um - cada partícula - do Universo.

Editora: Bompastor
Ano: 2001
Edição: 1
Número de Páginas: 275

Formato: 14cm x 21cm
Autor(es): R. C. Sproul


Tenho certeza absoluta de que "talvez" Deus não exista!

Por Noreda Somu Tossan


Primeiro duvidei, depois questionei, em seguida refleti, como conseqüência...neguei.” Foi um longo percurso até aqui. Anos de estudo, anos de dedicação, centenas de livros a respeito, e um livro que julgava ser a palavra dele. Lembro-me de quando saía de meu leito às quatro horas da manhã, para dedicar-me à leitura devocional da Bíblia. Por que fazia isto? É simples: Estava disposto a encontrar nas páginas de um livro, o criador do universo. 

Procurei desesperadamente; orei horas a fio antes de iniciar a leitura de qualquer livro que fosse. Por sete longos anos dei “bom dia ao Espírito Santo”, e procurei fazer do meu corpo “a casa favorita de Deus”. Acreditei no “Sangue” e embrenhei-me nos montes em busca da “unção”. Mas, “o dia do meu milagre” nunca chegou.

Quis fazer parte do “dream team de Deus”, na santa ilusão de igualar-me aos “heróis da fé”, ledo engano, os heróis só me fizeram duvidar cada vez mais. Percebi que os “caçadores de Deus” viviam num eterno paradoxo, e quando alegavam o haver encontrado, continuavam a buscá-lo.  Talvez esses, os chamados “super crentes”, não passassem de homens normais, que , por viverem em meio ao caos, necessitavam de amparo para suas vidas tão conturbadas.

A mão invisível” que protegia a todos, nem sequer chegou a afagar meus cabelos.  “A assinatura de Deus” não endossava as páginas da minha vida tão turbulenta e contingente. Resolvi ir “direto ao ponto” e encostei na parede minhas convicções mais fortes. Felizmente elas sucumbiram ao apelo de minha consciência.

Pastores me advertiram da ira do criador; “interpretaram sonhos”, profetizaram sobre minha cabeça e disseram que um dia eu seria cobrado. Ri da cara deles (às escondidas é claro). O mundo que eles acreditavam ser real, não passava de uma “divina comédia” e nenhum deles quis experimentar o “evangelho maltrapilho” que eu tanto admirava.

O ser e o nada” me atraíram como um ímã, e “a origem das espécies” me pareceu mais aceitável do ponto de vista Darwiniano que do Mosaico. Aos poucos a fé foi perdendo forças frente aos fatos. Ela (a fé), ultrapassou todos os limites da plausibilidade, e como uma criança que descobre que papai Noel tem barbas de algodão, descobri que a fé não tem pés, nem mãos, nem olhos, muito menos cabeça. Duvidei, questionei, refleti e neguei.

Preferi encarar a vida e ver “o mundo como vontade e representação”. Dogmas?  Estudei também, procurei fazer uma “interpretação psicológica do dogma da trindade”, e acreditem, a trindade não resistiu tanto quanto eu esperava. Sozinho, “entre quatro paredes”, atingi a “idade da razão”, e reconheci que após tanto ler, nada sabia sobre a vida. Só sei que nada sei”, esta é a verdade, e quem quiser conhecer a Deus, antes, “conheça-te a ti mesmo”.

Tenho certeza hoje, de que “talvez” Deus não exista. “Talvez” eu seja ateu com certeza. Certamente, “talvez” seja a palavra mais sábia entre todas as outras. Mas foi num mundo de palavras escritas, que descobri que Deus não sabe escrever. Hoje sou “o peregrino” em terra estranha, e sei que foi “Jesus, o maior psicólogo do mundo”. Parei de lutar com “anjos e demônios”, para poder encontrar o “símbolo perdido” na lenta e progressiva evolução da humanidade. 

Meus erros são “mea  culpa”, meus méritos...meus também. Não culpo ao Diabo, não agradeço a Deus, assim vou vivendo...assim vou morrendo, “sem barganhas” sem medos, e porque não...talvez com certezas absolutas.

Edson Moura

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Decepcionado com Deus - Philip Yansey

Resumo do Livro:

Lidar com o sofrimento é o mais duro teste para a fé. A princípio, parece uma contradição: por que Deus permite situações de tamanha calamidade pessoal na vida de pessoas que se dispõe a crer e confiar nele? Muitas delas não resistem a esses testes e sucumbem.

Em Decepcionado com Deus, Philip Yancey aceita o desafio de analisar, à luz da Bíblia, a questão do sofrimento e investigar a função da dor na formação do caráter. Em vez de apoiar-se em velhos clichês usados para justificar situações extremas - e que, via de regra, não satisfazem a alma daquele que passa por elas -, o autor humaniza a discussão, dando espaço até para o desabafo de quem se acha marionete ou cobaia de Deus supostamente injusto.

Ao mesmo tempo, numa demonstração de profunda sensibilidade à mensagem das Escrituras Sagradas, Yancey revê o próprio conceito de sofrimento e mostra que as provas da vida ajudam o cristão a aperfeiçoar sua comunhão com o Senhor e compreender melhor a dimensão da graça. O escritor vai mais além e revela como um aparente desastre pessoal pode contribuir para o processo de reconhecimento da dor do próximo, gerando a compaixão.

"O autor mostra como, muitas vezes, nossas súplicas são tentativas inconscientes de encaixar Deus nos parâmetros da nossa inteligência limitada. Então, incrivelmente, nos decepcionamos com Deus por não se submeter à nossa vontade."

Critica da Razão Pura - Immanuel Kant


Resumo do Livro:

Kant, em sua Crítica da Razão Pura, procura, a partir de um método crítico a priorístico, denominado por ele de filosofia transcendental, buscar expor os limites e as condições de possibilidade do conhecimento humano.

A filosofia transcendental, por ele assim criada, busca apontar as razões que realmente poderiam fundamentar as verdades que poderiam se tornar ciência, ou seja, as necessárias e universais. Isto é, as que podem ser aceitas aqui e em qualquer outra parte do universo.

Para tanto, no prefácio desta obra explicita a questões primordial de sua obra: a busca pelos juízos sintéticos a priori da metafísica. Tal tarefa assim constituída a tarefa primordial daquela obra, passa a ser analisada nas partes posteriores denominadas de Estética Transcendental e Analítica Transcendental.

A solução para tal questão se dá pelos elementos a priori da faculdade da sensibilidade, espaço e tempo, e os do entendimento, as categorias. A relação destes elementos para com os objetos a posteriori geram o conhecimento empírico.

Sobre o autor: Immanuel Kant
Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg, 22 de abril de 1724 — Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano, geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, indiscutivelmente um dos pensadores mais influentes.

Depois de um longo período como professor secundário de geografia, começou em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da Universidade de Königsberg, cidade da qual nunca saiu, levando uma vida monotonamente pontual e só dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciência, física, matemática, etc.

Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o Racionalismo continental (de René Descartes e Gottfried Leibniz, onde impera a forma de raciocínio dedutivo), e a tradição empírica inglesa (de David Hume, John Locke, ou George Berkeley, que valoriza a indução).