Por: Edson Moura
“Primeiro duvidei, depois questionei, em seguida refleti, como conseqüência...neguei.” Foi um longo percurso até aqui. Anos de estudo, anos de dedicação, centenas de livros a respeito, e um livro que julgava ser a palavra dele. Lembro-me de quando saía de meu leito às quatro horas da manhã, para dedicar-me à leitura devocional da Bíblia. Por que fazia isto? É simples: Estava disposto a encontrar nas páginas de um livro, o criador do universo.
“Primeiro duvidei, depois questionei, em seguida refleti, como conseqüência...neguei.” Foi um longo percurso até aqui. Anos de estudo, anos de dedicação, centenas de livros a respeito, e um livro que julgava ser a palavra dele. Lembro-me de quando saía de meu leito às quatro horas da manhã, para dedicar-me à leitura devocional da Bíblia. Por que fazia isto? É simples: Estava disposto a encontrar nas páginas de um livro, o criador do universo.
Procurei desesperadamente; orei horas a fio antes de iniciar a leitura de qualquer livro que fosse. Por sete longos anos dei “bom dia ao Espírito Santo”, e procurei fazer do meu corpo “a casa favorita de Deus”. Acreditei no “Sangue” e embrenhei-me nos montes em busca da “unção”. Mas, “o dia do meu milagre” nunca chegou.
Quis fazer parte do “dream team de Deus”, na santa ilusão de igualar-me aos “heróis da fé”, ledo engano, os heróis só me fizeram duvidar cada vez mais. Percebi que os “caçadores de Deus” viviam num eterno paradoxo, e quando alegavam o haver encontrado, continuavam a buscá-lo. Talvez esses, os chamados “super crentes”, não passassem de homens normais, que , por viverem em meio ao caos, necessitavam de amparo para suas vidas tão conturbadas.
“A mão invisível” que protegia a todos, nem sequer chegou a afagar meus cabelos. “A assinatura de Deus” não endossava as páginas da minha vida tão turbulenta e contingente. Resolvi ir “direto ao ponto” e encostei na parede minhas convicções mais fortes. Felizmente elas sucumbiram ao apelo de minha consciência.
Pastores me advertiram da ira do criador; “interpretaram sonhos”, profetizaram sobre minha cabeça e disseram que um dia eu seria cobrado. Ri da cara deles (às escondidas é claro). O mundo que eles acreditavam ser real, não passava de uma “divina comédia” e nenhum deles quis experimentar o “evangelho maltrapilho” que eu tanto admirava.
“O ser e o nada” me atraíram como um ímã, e “a origem das espécies” me pareceu mais aceitável do ponto de vista Darwiniano que do Mosaico. Aos poucos a fé foi perdendo forças frente aos fatos. Ela (a fé), ultrapassou todos os limites da plausibilidade, e como uma criança que descobre que papai Noel tem barbas de algodão, descobri que a fé não tem pés, nem mãos, nem olhos, muito menos cabeça. Duvidei, questionei, refleti e neguei.
Preferi encarar a vida e ver “o mundo como vontade e representação”. Dogmas? Estudei também, procurei fazer uma “interpretação psicológica do dogma da trindade”, e acreditem, a trindade não resistiu tanto quanto eu esperava. Sozinho, “entre quatro paredes”, atingi a “idade da razão”, e reconheci que após tanto ler, nada sabia sobre a vida. Só sei que nada sei”, esta é a verdade, e quem quiser conhecer a Deus, antes, “conheça-te a ti mesmo”.
Tenho certeza hoje, de que “talvez” Deus não exista. “Talvez” eu seja ateu com certeza. Certamente, “talvez” seja a palavra mais sábia entre todas as outras. Mas foi num mundo de palavras escritas, que descobri que Deus não sabe escrever. Hoje sou “o peregrino” em terra estranha, e sei que foi “Jesus, o maior psicólogo do mundo”. Parei de lutar com “anjos e demônios”, para poder encontrar o “símbolo perdido” na lenta e progressiva evolução da humanidade.
Meus erros são “mea culpa”, meus méritos...meus também. Não culpo ao Diabo, não agradeço a Deus, assim vou vivendo...assim vou morrendo, “sem barganhas” sem medos, e porque não...talvez com certezas absolutas.
Edson Moura












