sábado, 16 de outubro de 2010

”A vingança”


Por Noreda Somu Tossan

Embora o desfecho desta história que lhes conto seja fictício, devo deixar claro que o teor do conto é verdadeiro e acontece ainda hoje bem perto de mim. A intenção minha é apenas deixar patente aos leitores que sentimentos de ira e de justiça que passam a todos os momentos por nossas cabeças, mas cabe a nós controlarmos o ímpeto vingativo e acalmar o nossos “corações” para não tornarmo-nos justiceiros insensíveis.

Resumindo ao máximo, começo a esclarecendo os motivos que levaram o Noreda a praticar tal ato. Durante cerca de dois meses ele observou atentamente o comportamento daquela mulher e daquele homem. O marido – um jovem de apenas 22 anos – saía bem cedo para trabalhar. Era quando o pastor chegava à casa do membro de sua igreja, para foder sua mulher durante horas.

Podia ver pela janela quando eles terminavam de transar e riam da total incapacidade do jovem corno em perceber que sua mulher gostava muito mais de sexo do que ele poderia oferecer. Ela dizia que a culpa era dele mesmo, pois ele preferia ir para a igreja ensaiar com a banda do que ficar em casa e dar conta do recado.

Certa vez, o pastor fez uma visita na casa com o pretexto de fazer uma campanha de oração por ali...só os três. Ao terminarem o marido foi tomar banho enquanto a mulher – jovem 19 anos – foi passar um cafezinho. Não deu outra. Eles meteram ali na sala mesmo. Rolou até sexo anal. Enfim, tudo isso irritou muito ao Noreda e o levou a tomar uma atitude radical.

Depois de abordar o pastor numa esquina escura e desmaiá-lo com um golpe na cabeça com o cabo do revólver, jogo-o dentro de um porta-malas e levo-o até o monte onde muitas vezes ele traçou a mulher do membro. Ele está sangrando muito, não me preocupei nem em averiguar se ele estava morto. Arranco-o com brutalidade de dentro do carro e começo a socar sua cara. Então ele acorda, sem entender nada ele me pede que leve o que quiser mas não o mate.

Não quero nada que você possua, eu digo.

Você vai morrer hoje cara! Está preparado para isso? Vou livrar o mundo de uma desgraça...uma doença que é você. Você sabe por que estou fazendo isto, não sabe? Você é um enganador, você fere um mandamento divino que é o de não cobiçar a mulher do próximo. Vou matá-lo, mas antes vou fazê-lo sofrer. Quero que tenha tempo para se arrepender.

Minha vós treme e a arma parece pegar fogo em minha mão. O aço do revólver parece ter se fundido à minha pele. A sensação é ruim e boa ao mesmo tempo. Um filme passa em câmera lenta em minha cabeça. Perguntas do tipo: “que direito eu tenho de fazer isso?” ou “o que faz de mim um cara melhor do que ele?”. Não importa, eu vou matá-lo, não cheguei até aqui para arregar agora.

Pergunto para ele se ele quer morrer. Pergunto se ele mataria um homem se soubesse que sua mulher, é possuída quatro vezes por semana em sua própria cama. Pergunto se ele já imaginou a sensação de cair de boca na vagina de sua esposa, sem saber que horas antes ela estava cheia do esperma de outro homem. Ele não reponde. Posso ouvir um homem chorando agora. Ele chora, com o rosto ensangüentado virado para o chão, a terra do monte entra em sua boca enquanto ele respira pesadamente.

Vou matar este homem. Vou morrer aqui por dentro, mas cumprirei a missão que eu mesmo me dei. Nunca pensei que fosse tão pavoroso ter a vida de uma pessoa bem no final do cano de uma arma. Quero gritar. Quero entender o porquê disso tudo, mas não grito. Olho para o céu e ele hoje está todo pontilhado com estrelas. Nunca vi um céu tão lindo. Nada me acalma, e a tremedeira, causada pela raiva, voltou.

Ele se levante e tenta virar para mim, mas eu o impeço com uma coronhada bem no nariz. O sangue jorra como um chafariz. Ele grita por misericórdia a Deus. Promete que nunca mais vai sequer olhar para outra mulher que não a dele. O Sol desponta no horizonte, já são quase cinco da manhã. Mando que ele aprecie o nasce r do Sol, pois será seu último.

Ele agora está chorando como uma criança. Eu não vou mais fazer isso, eu juro! Por favor, não me mate, eu tenho dois filhos cara!

Eu sei que você nunca mais vai fazer isso, agora eu confio em você. Mando que ele se ajoelhe de frente para mim. Olho bem dentro de seus olhos e vejo um homem apavorado, totalmente inseguro, desesperado, bem diferente daquele cara que pregava sermões moralistas enquanto traçava a mulher de um de seus membros da igreja.

Olho para o Sol mais uma vez. A arma está apontada bem entre os lhos do homem adúltero. Por um momento posso sentir a presença de Deus ao meu lado, em forma de calor, em forma de luz, mas sei que não é Ele...então, num momento de estúpidaa lucidez...

Puxo o gatilho.

Edson Moura

A vingança

Embora o desfecho desta história que lhes conto seja fictício, devo deixar claro que o teor do conto é verdadeiro e acontece ainda hoje bem perto de mim. A minha intenção  é apenas deixar patente aos leitores que, sentimentos de ira e de justiça  passam a todo o momento por nossas cabeças, mas cabe a nós controlarmos o ímpeto vingativo e acalmar os nossos “corações” para não tornarmo-nos justiceiros insensíveis.

Resumindo ao máximo, começo a esclarecendo os motivos que levaram o Noreda a praticar tal ato. Durante cerca de dois meses ele observou atentamente o comportamento daquela mulher e daquele homem. O marido – um jovem de apenas 22 anos – saía bem cedo para trabalhar. Era quando o pastor chegava à casa do membro de sua igreja, para foder sua mulher durante horas.

Podia ver pela janela quando eles terminavam de transar e riam da total incapacidade do jovem corno, em perceber que sua mulher gostava muito mais de sexo do que ele poderia oferecer. Ela dizia que a culpa era dele mesmo, pois ele preferia ir para a igreja ensaiar com a banda do que ficar em casa e dar conta do recado.

Certa vez o pastor fez uma visita na casa com o pretexto de fazer uma campanha de oração por ali...só os três. Ao terminarem, o marido foi tomar banho enquanto a mulher – jovem 19 anos – foi passar um cafezinho. Não deu outra. Eles meteram ali na sala mesmo. Rolou até sexo anal. Enfim, tudo isso irritou muito ao Noreda e o levou a tomar uma atitude radical.

Depois de abordar o pastor numa esquina escura e desmaiá-lo com um golpe na cabeça com o cabo do revólver, jogo-o dentro de um porta-malas e levou-o até o monte onde muitas vezes ele traçou a mulher do membro. Ele está sangrando muito, não me preocupei nem em averiguar se ele estava morto. Arranco-o com brutalidade de dentro do carro e começo a socar sua cara. Então ele acorda, sem entender nada ele me pede que leve o que quiser mas não o mate.

Não quero nada que você possua. Eu digo.

Você vai morrer hoje cara! Está preparado para isso? Vou livrar o mundo de uma desgraça...uma doença que é você. Você sabe porque estou fazendo isto, não sabe? Você é um enganador, você fere um mandamento divino que é o de não cobiçar a mulher do próximo. Vou matá-lo, mas antes vou fazê-lo sofrer. Quero que tenha tempo para se arrepender.

Minha vós treme e a arma parece pegar fogo em minha mão. O aço do revólver parece ter se fundido à minha pele. A sensação é ruim e boa ao mesmo tempo. Um filme passa em câmera lenta em minha cabeça. Perguntas do tipo: “que direito eu tenho de fazer isso?” ou “o que faz de mim um cara melhor do que ele?”. Não importa, eu vou matá-lo, não cheguei até aqui para "arregar" agora.

Pergunto para ele se ele quer morrer. Pergunto se ele mataria um homem se soubesse que sua mulher, é possuída quatro vezes por semana em sua própria cama. Pergunto se ele já imaginou a sensação de cair de boca na vagina de sua esposa, sem saber que horas antes ela estava cheia do esperma de outro homem. Ele não reponde. Posso ouvir um homem chorando agora. Ele chora, com o rosto ensangüentado virado para o chão. A terra do monte entra em sua boca enquanto ele respira pesadamente.

Vou matar este homem. Vou morrer aqui por dentro, mas cumprirei a missão que eu mesmo me dei. Nunca pensei que fosse tão pavoroso ter a vida de uma pessoa bem no final do cano de uma arma. Quero gritar. Quero entender o porque disso tudo, mas não grito. Olho para o céu e ele hoje está todo pontilhado com estrelas. Nunca vi um céu tão lindo. Nada me acalma, e a tremedeira, causada pela raiva, voltou.

Ele se levante e tenta virar para mim, mas eu o impeço com uma coronhada bem no nariz. O sangue jorra como um chafariz. Ele grita por misericórdia a Deus. Promete que nunca mais vai sequer olhar para outra mulher que não a dele. O Sol desponta no horizonte, já são quase cinco da manhã. Mando que ele aprecie o nascer do Sol, pois será seu último.

Ele agora está chorando como uma criança.

Eu não vou mais fazer isso, eu juro! Por favor, não me mate, eu tenho dois filhos cara!

Eu sei que você nunca mais vai fazer isso, agora eu confio em você. Mando que ele se ajoelhe de frente para mim. Olho bem dentro de seus olhos e vejo um homem apavorado, totalmente inseguro, desesperado, bem diferente daquele cara que pregava sermões moralistas enquanto traçava a mulher de um de seus membros da igreja.

Olho para o Sol mais uma vez. A arma está apontada bem entre os olhos do homem adúltero. Por um momento posso sentir a presença de Deus ao meu lado, em forma de calor, em forma de luz, mas sei que não é Ele...então, num momento de estúpida lucidez...
Puxo o gatilho.

Edson Moura

sábado, 2 de outubro de 2010

As colunas (parte III)

 Ao aproximarem-se da maior e mais poderosa de todas as colunas, Logomeu e Psiquemom estagnaram atônitos. Era magnífica...imponente...soberana sobre toda e qualquer coluna que eles já tinham visto. Entreolharam-se e por um momento Logomeu detectou medo nos olhos brilhantes de Psiquemom. Ele (Logomeu) não culpava Psiquemom por ter este tipo de sentimento, afinal de contas, muitos já haviam chegado até ali mas o que restara dos bravos guerreiros era apenas um amontoados de ossos aos pés da coluna que nem sequer fora arranhada pelas investidas dos desconstrutores que por ali se aventuraram.

Precisamos destruí-la amigo! Disse Logomeu.

Esta coluna tem atraído nossos irmãos por milênios. Povos de todo o mundo são capturados pela crença de que esta coluna deu origem ao nosso mundo e a todos os outros mundos que existem na vastidão do universo. Nós “sabemos” que isso não é verdade...ou melhor, sabemos que não existem provas de que isso seja verdade. Não precisamos temer aqueles que nos apedrejam por tentarmos acabar com a ilusão de que a origem se deu desta forma. Não podemos recuar agora. Vamos em frente!

Mas Psiquemom, por ser mais cauteloso que Logomeu, achou por bem, não investir contra a ela. Psiquemom dizia que não tinha certeza de que estavam certos. Dizia que tanto existia a possibilidade de tudo ter origem num só lugar...num só ser, como também poderia ser verdadeira a teoria de que o homem, assim como todas as espécies do planeta teriam surgido espontaneamente de uma evolução lenta e exponencial.

O temor de Psiquemom não era de ser punido pelo senhor daquela coluna, mas sim, os efeitos que poderiam causar aos fiéis seguidores da mesma. Muitos alienadunianos haviam se apoiado nesta crença para que suas vidas ganhassem um significado. Muitos haviam saído do fundo do poço e hoje gozavam de uma felicidade que jamais o existencialismo logomeuniano poderia proporcionar-lhes. Seria irresponsabilidade, ou como dizia Psiquemom, burrice, afirmar que a coluna era uma construção humana e não que o homem era uma construção da coluna.

Eu continuarei a caminhada Logomeu! Disse Psiquemom.

Você optou por ficar e lutar, mas eu apenas continuarei a caminhar, buscarei respostas mais adiante pois depois de tantos anos caminhando lado a lado, tudo que consegui foram mais perguntas. E cada dia que passa as perguntas tornam-se mais difíceis. Sei que não vou convencê-lo a seguir comigo, também sei que você jamais trairia suas convicções, pois, como você mesmo diz: “não é saudável para um alienaduniano, ir contra sua consciência”. Você saiu de uma caverna que era a crença cega na coluna, mas agora, entrou em uma nova caverna que é o ceticismo radical. Eu porém, prefiro não entrar com você nesta caverna. Vou continuar caminhando e quem sabe um dia encontrarei respostas para minhas indagações?

E Logomeu chorou. Chorou como nunca antes havia chorado. Ele entendia que o amigo precisava de mais tempo para pensar, e sabia também que desta vez ele não poderia influenciá-lo. Uma coisa era certa: Ambos haviam experimentado a fé na coluna durante anos, e justamente por este motivo, os dois tinham o total direito de falar que a coluna não existia...que era uma farsa...que fora inventada pelo próprio homem para confortá-lo das mesmas inquietações que afligiam Psiquemom agora. Na incerteza de uma vida sem sentidos, a melhor coisa a fazer é não tirar aquilo que, de certa forma, dá sentido à vida de muitos.

Psiquemom partiu. E quando já estava distante da coluna em que Logomeu ficara, olhou para trás. Viu o amigo investindo contra a coluna com toda sua força. O suor lhe corria ao rosto, as mãos sangravam pelas arremetidas contra a gigantesca coluna, as armas que trouxera para a batalha, já estavam despedaçadas. A luta era desleal. Logomeu era uma formiga diante da pilastra da fé alienaduniana.

Sentiu vontade de voltar e lutar com o amigo, mas Psiquemom também sabia que não podia fazer isso. Logomeu, assim como ele, também precisava de um tempo sozinho. Precisava domar a fera que existia dentro de si, para só então entender que a coluna que ele tenta desesperadamente derrubar a golpes de mão...nem sequer irá arranhar...

Edson Moura

domingo, 19 de setembro de 2010

Existencialismo

Por Noreda Somu Tossan

O existencialismo é uma corrente filosófica contemporânea que surgiu na Europa logo após a I Guerra Mundial, cresceu entre duas guerras e tornou-se moda, sobretudo nas duas décadas após a II Guerra. A época do existencialismo foi um tempo de crise. Ele expressou e representou a situação histórica de uma Europa dilacerada, física e moralmente, por duas grandes guerras, e de uma sociedade que, entre os conflitos, experimentou a perda da liberdade com regimes totalitários.


O termo designa o conjunto de tendências filosóficas que têm em comum a análise da existência humana. É difícil, entretanto, exibir o sentido exato que cada filósofo existencialista atribuía à palavra. Pode-se dizer que o conceito de existência era tomado como algo que se referia à condição específica do homem como ser do mundo. “Existir” implicava em “estar em relação” com outros seres humanos... com a Natureza e com as coisas.

De modo geral, o traço comum entre os filósofos existencialistas é a visão de certa forma dramática sobre o destino do homem. O ser humano representa uma realidade imperfeita e inacabada que foi lançada no mundo e vive sob riscos e ameaças contingenciais. A liberdade é condicionada às circunstâncias históricas da existência. O Homem age no mundo superando ou não os obstáculos que lhe são apresentados pela vida.

A vida humana, para os filósofos existencialistas, é marcada por situações adversas, como a dor...a doença...a luta pela sobrevivência...o fracasso ...e no por fim, a própria morte. Eles também não ignoravam o sofrimento, a angústia interior e a exploração social.

Nas raízes do existencialismo encontra-se o pensamento de Kierkegaard. O filósofo protestante dinamarquês afirmava a prioridade da existência sobre a essência, e foi provavelmente o primeiro filósofo que deu à palavra “existência” um sentido, digamos, existencialista. Para ele, as relações do homem era m dominadas pela angústia, entendida pelo sentimento pelo qual o homem percebe a dificuldade de se viver num mundo de acontecimentos possíveis, sem garantias de que suas expectativas possam ser realizadas. Ele uniu a sua teoria da angústia à teoria da solidão total do homem diante de Deus e do caráter trágico do destino humano.

O filósofo alemão Martin Heidegger tinha como objetivo principal em seus estudos, investigar o sentido do ser. O homem era lançado ao mundo sem saber o motivo. O desenvolvimento da existência acontecia quando o ser humano estabelecia relações com o mundo.

Para existir, o homem projetava sua vida e procurava agir no campo das possibilidades. Ao tentar realizar seus objetivos, ele sofria interferência de fatores externos que o desviavam de seu caminho existencial. Heidegger considerava que o homem só conseguia libertar-se do que não era autêntico por meio da angústia.

O existencialismo se interessa pelo homem em sua singularidade. A existência, ao mesmo tempo em que é finita, contém inúmeras possibilidades, pois pode transformar-se. A existência não é essência, coisa dada por natureza, realidade predeterminada e não modificável. As coisas e os animais são o que são e permanecem assim. Entretanto, o homem será o que ele decidir ser. A existência é um “poder ser”...é incerteza...risco...decisão...impulso. O impulso pode ser em direção a Deus...ao mundo...ao próprio homem...à liberdade e ao nada.

São pelo menos quatro os filósofos da atualidade que podem ser considerados existencialistas:

Gabriel Marcel (falarei deste, num futuro próximo), Karl Jasper, Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre. Todos eles se inspiraram em Kierkegaard que, apesar de distanciado pelo tempo, é geralmente tido como um existencialista muito influente. O autor mais conhecido entre os existencialistas é Jean-Paul Sartre. Ele dizia em sua obra “Náusea”: “eu me sinto triste, mas tomar consciência do meu desgosto é colocá-lo como um objeto a distância de mim. Pois o eu que diz ‘estou triste’ não é mais, de modo algum, o eu que está triste. Assim o homem está por sua consciência, sempre além de si mesmo. Eis o sentido do ‘existencialismo’.”

Sartre sofreu influenciado filósofo idealista alemão Friedrich Hegel e tentou interpretar tudo pelo método da dialética, ou seja, por meio de uma tensão entre os opostos.

Para Aristóteles e os filósofos gregos, a essência do homem era ser racional. Para Sartre, a pessoa deveria produzir sua própria essência, porque nenhum Deus criou os seres humanos de acordo com um projeto divino.

Em sua obra “O Ser e o Nada”, Sartre atacou a teoria aristotélica da potência e afirmou que, “o ser é o que é”. Na sua linguagem, tratava-se do “ser em si” que não é ativo ou passivo, nem afirmação ou negação, mas simplesmente repousa em si.

Sartre tem como ponto de partida o caráter intencional da consciência, pois todo modo de consciência representa e revela algo, está direcionado para algo fora dela mesma. Ela ‘não existe’ sem estar representando ou criando a presença de um objeto ou de alguma coisa. Os objetos da consciência são considerados reais, existem como fenômenos (imagens) e Sartre os considerava “seres em si”...

domingo, 12 de setembro de 2010

Sua opinião é sua mesmo?


Quando lemos “A República de Platão” constatamos uma dura condensação ao sistema democrático ateniense. Ele constatou um problema que se eternizou por toda a história da democracia; a “doxa” como critério e seus efeitos perversos.

Este conceito grego (doxa), que hoje podemos traduzir por opinião, era utilizado como instrumentos pelos sofistas, inimigos da filosofia platônica. Através de um caloroso discurso que envolvia apelo emocional e uma retórica sem muitos fundamentos, esses sofistas controlavam a opinião pública. E quem forma a opinião, em uma democracia, controla a política. Essa forma de controle nem sempre é racional, por isso não tem comprometimento com a verdade, na visão dos filósofos gregos.

Jean-Jaques Rousseau, em carta ao filósofo D’Alembert, afirmou categoricamente que o homem moderno vive quase sempre alheio de si mesmo. Em sociedade, vivemos muitas vezes sob a ditadura invisível da opinião dos outros. Para o Rousseau, os nossos gostos para comida, roupa, religião e parceiros matrimoniais quase nunca levam em consideração o nosso mais profundo e verdadeiro afeto.

Na verdade, para o homem burguês civilizado, a verdade sobre si mesmo já não importa mais. A opinião pública é o que determina o que nós devemos gostar ou sentir. A aprovação dos outros é o parâmetro garantido do certo e do errado...e do que é bom ou ruim para nossas vidas. Por fim, ele afirma categoricamente que é a avaliação do outro, manifestada sob a forma de opinião pública, que define se nós realmente somos felizes.

Filósofos como Denis Diderot, em sua época, perceberam não só a importância da opinião pública para a vida pessoal, como também as conseqüências que a recém criação dos panfletos e dos jornais impressos teriam. Hoje, os meios de comunicação de massa, em especial a televisão, se tornaram provas incontestáveis do quase acerto de Diderot. Quase. O único detalhe, é que os meios de comunicação nunca se preocuparam em oferecer uma influência esclarecedora e virtuosa.

Como a mais importante formadora de opiniões do século XX, a mídia se aliou aos dominantes e ao discurso senso comum para poder sobreviver. Sua postura e sua linguagem foram essenciais para garantir índices de audiência e de lucro satisfatórios.

É preciso deixar claro que a opinião pública não é a somatória das opiniões individuais, como muitos meios de comunicação querem nos fazer crer. As estatísticas sobre a avaliação do governo, dos votos para presidente, das pessoas que gostam de chocolate, do consumo de gordura por habitante ou da satisfação com o matrimônio não revela em nada o que cada um realmente sente ou pensa. O que temos na verdade é ‘um punhado de gente que seria, em teoria, representantes de milhares de pessoas.

Fica então uma pergunta: Será que nossa opinião realmente é “nossa” opinião? Ou será que apenas seguimos aquilo que o senso comum nos diz que devemos fazer...ser...ou ter?

Edson Moura

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

“O Grande Assombro”


Por Noreda Somu Tossan

Caro leitor, convido-o para um passeio pelo campos pouco visitados da imaginação. Peço que à medida em que for lendo este texto, deixe que seus pensamentos, de alguma forma, materializem as imagens que proponho. Não permita que a dúvida do desconhecido lhe roubem as maravilhosas visualizações que cérebro pode lhe proporcionar.

Imagine você, um homem. Este homem que é tão complexo em sua constituição. O homem é um ser prefeito, dotado de capacidades que faltam em todos os outros animais. O homem pensa, o homem pode construir coisas, assim como também pode destruir (e isso ele faz com perfeição). O homem , quando comparado a uma formiguinha, é enorme. Outro dia eu passeava pelo parque Ibirapuera e não pude deixar de notar um formigueiro enorme. As formiguinhas entravam e saíam deste formigueiro num vai-e-vem intermitente.


Como são pequeninas pensei eu. Poderia, com apenas uma pisada de meus enormes pés, destruir centenas delas. Eu sou um gigante se comparado a elas. Sou tão grande que nem caibo em seu campo de visão. Poderia até dizer que nem existo, pois elas não conseguem me ver.


Mas imagine você, que uma formiga, se comparada a uma pulga, também é gigante. Uma formiga pode ser trezentas vezes maior que uma pulga, e com apenas uma picada...se conseguir pegá-la, pode matar uma pulguinha.

Mas também imagine, que uma pulguinha, por menor que seja, ainda é maior que um ácaro. E que o ácaro, mesmo tão pequeno e insignificante, é muito maior que um vírus, que variam de 10 a 350 milimicra de diâmetro. Mas ainda assim, encontramos corpos menores em nosso meio. Por exemplo os átomos, que são tão pequenos, que até pouco tempo atrás imaginava-se que ele seria indivisível (daí seu nome átomos em grego, indivisível). Os átomos são menores que vírus e células.


Até fins do século 19, o átomo era considerado a menor porção em que se poderia dividir a matéria, mas nas duas últimas décadas daquele século, as descobertas do próton e do elétron revelaram o equívoco dessa idéia. Posteriormente, o reconhecimento do nêutron e de outras partículas subatômicas reforçou a necessidade de revisão do conceito de átomo.


Você está conseguindo acompanhar, e imaginar a pequenez destes corpos? Muito bem, vamos fazer o caminho inverso agora.

Imagine novamente o homem, que até aqui foi a maior figura que você concebeu. Mas vamos compará-lo agora ao oceano. Ele não passa de uma minúscula partícula se o compararmos com o imenso oceano que banha nosso planeta azul (azul justamente por causa do oceano). Agora imagine a Terra, esta assombrosa bola que pende no espaço, e que comporta toda a vida que nós homens conhecemos. Imaginou?


Agora imagine o Sol, o “Astro-rei” que é hum milhão de vezes maior que a nossa “gigante Terra”. Mas existem estrelas maiores que o nosso “gigante Sol...a “Eta Carinae” é cinco milhões de vezes maior que ele. A “Betelgeuse” (Alpha Orionis é uma estrela de brilho variável sendo a 10ª ou 12ª estrela mais brilhante no firmamento. É também a segunda estrela mais brilhante na constelação de Orion), é aproximadamente trezentas vezes maior que a Eta Carinae.

Consegue imaginar?


E se eu te disser para imaginar agora, uma estrela que tem o volume de 2.940.000.000 (lê-se: dois bilhões e novecentos e quarenta milhões ) o do nosso “não tão gigante” planeta Terra. Estimações anteriores de seu diâmetro dizem-na ainda maior, com um raio de quatorze unidades astronômicas, o que equivale a 3000 raios solares.


Seu nome é “V Y Canis Majoris“. Estudiosos dizem que ela já perdeu cerca de metade da sua massa e o seu fim será, provavelmente, uma explosão de supernova, dentro de aproximadamente 3200 anos.

Se você conseguiu ler este texto até aqui, eu preciso que você “tente” agora, imaginar o homem, mas sem perder de vista este monstro chamado V Y Canis Majoris. Não dá não é?! Eu sei. Eu também não consigo.

Qual a finalidade deste meu texto tão “imaginativo”? É simples:


Você consegue conceber o Ser criador de todas essas maravilhas? Alguns dizem que é Deus. Outros dizem que tudo teve origem em uma explosão chamada Big-Bang. Eu particularmente não sei. Mas uma coisa é certa:

Se Deus criou tudo isso, ele deve ser muito maior que o Universo, e sendo maior que o nosso infinito Universo, não consigo imaginar ele interagindo com o homem, a menos é claro, que ele tenha um microscópio, pois esta é a única maneira de ele nos ver.

Este texto nos deixa com duas possibilidades:


Uma delas é que Deus realmente criou todo o Universo e nos deixou a deriva, pois está impossibilitado de nos ver, devido a nossa pequenez, o que não anula sua existência, pelo contrário, só o deixa realmente do tamanho que deve ser. A outra possibilidade é....deixo pra você imaginar.

Edson Moura

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para quê preciso da Filosofia?

A Filosofia, desde a sua origem, quer conhecer as coisas, e com este desejo em mente, saber da descrição da vida. Tudo que diz respeito ao homem, à vida do homem, ao mundo do homem, aos contextos humanos...interessam à Filosofia. Partindo-se deste princípio, o homem começa a filosofar quando tropeça numa pedra. Esta pedra é um problema que o faz parar sua caminhada: “O que é isto que eu não conheço?” Isto só é um problema porque está presente em minha circunstância. Este homem se põe a pensar sobre o que desconhece e assim, procura conhecer esta pedra para que ela faça parte do seu "horizonte" de objetos familiares, e assim, deixe de ser ignorante diante deste objeto. Fazemos sempre este mesmo movimento para conhecer.

O filósofo é aquele que, diante de um problema que está em sua realidade concreta, em sua circunstância, faz uma reflexão “radical, rigorosa e de conjunto”, ou seja, o filósofo procura as raízes de um problema através de uma investigação sistemática e relaciona-o a vários aspectos da situação que lhe deu origem. Esta é uma das maneiras que eu e meu sócio Marcio Alves encontramos de levar nossos leitores a fazerem um exercício filosófico pensando sobre temas que estão presentes em suas realidades e mostrando  o pensamento filosófico como possibilidade de diálogo .

Nosso "método filosófico" muitas vezes é incoerente, mas, por sabermos que não estamos lidando com crianças, usamos de uma sistematização cronológica do pensamento de alguns filósofos, e fazemos então recortes dos diversos problemas abordados por eles, e apresentamos uma visão, mais ou menos esquemática de cada tema, sem relacioná-los entre si. Portanto, o que fazemos, nada mais é do que uma abstração de conceitos filosóficos, pois assim, não ficamos presos a apenas uma linha de pensamento filosófico.

Muitos devem se perguntar:
Quem formula os conceitos filosóficos?
A resposta é bem simples:
Os homens. E onde estão os homens que pensaram nos conceitos filosóficos? Em quais circunstâncias estavam inseridos os homens que fizeram filosofia?

A verdade é que não existe filosofia sem os homens que a propuseram. Não há história da filosofia se retirarmos os homens que a fizeram, abstraindo-os daqueles contextos. Só é possível a história da filosofia quando se compreende que a história das idéias é a história da consciência do homem. Nosso ideal maior é levar o leitor a refletir sobre o mundo, a partir do pensamento de outros homens, os filósofos, de maneira a trazer para o sistema de idéias justamente os contextos nos quais as idéias surgiram. Não é nada fácil.

Filosofar é exercitar o pensamento lógico, crítico, aguçado. É com a Filosofia que aprendemos que pensar é algo importante para o homem, algo mais elaborado, pois está além da repetição de outros pensamentos e teorias. Filosofar é a atitude de quem tem coragem de interrogar a si mesmo e ao mundo ao seu redor, de desvendar escolhas, experiências, desmitologizar crenças, ou seja, viver a máxima dita pelo oráculo de Delfos: “conhece-te a ti mesmo”.

Quando fazemos uso da filosofia, temos por objetivo, entre outras coisas, desmascarar a realidade usando a própria realidade como matéria prima, ou seja, usamos as experiências de discussões do "mundo concreto" em que vivemos com nossos amigos e parentes para, a partir daí, discutir assuntos e temáticas que compõem o dia-a-dia de nossos leitores e de qualquer um que se disponha a conversar, porque o processo de aprendizagem da filosofia passa diretamente, pela criatividade com que “manipulamos” assuntos tão sérios como a Morte, a Dor, a Ética, a Moral e a existência em si.

É a Filosofia que nos permite a "leitura" e a "expressão" do mundo. Digo leitura porque através das "lentes filosóficas" do momento em que vivemos, interpretamos o mundo que conseguimos perceber. Digo expressão porque é através do que compreendemos, que conseguimos transformar a realidade em que vivemos.

Caro leitor, para quê você precisa da Filosofia?

Edson Moura

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Deus é brasileiro"

Por Noreda Somu Tossan


Era uma vez, um avião com várias personalidades brasileiras, (políticos e líderes religiosos) que estava caindo. Infelizmente (ou felizmente) não há possibilidades de salvamento, e todos morrerão, pois o avião vai se "espatifar" no chão e considerando o caráter de seus passageiros..."espatifar" é o termo mais apropriado.

Em seus últimos momentos de vida, todos rezam...alguns oram... e confessam seus "pecados", é claro, versões resumidas, e entregam sua alma à providência divina. O avião se esbagaça no chão e os patifes (ops) morrem.

No "céu" Pedrão os recebe de cara feia. O grupo elege ali no momento um porta- voz que explica quem são e de onde vêm. Pedrão "pede" que ele se cale e diz que já sabe muito bem de toda a história deles.

- Não precisa gastar seu vocabulário, eu sei muito bem quem vocês são!

Pedrão aponta para uma pilha de papéis sobre uma escrivaninha cheia de carimbos e formulários e diz:

- Recebemos suas confissões e seus pedidos de perdão e entrada no céu.

O Porta-voz engole em seco e pergunta meio gaguejante:

- E… então?...Fomos aceitos?

Pedrão não responde. Olha em volta, examinando a cara dos "meliantes" que suplicam, aponta para cada um e manda que se identifiquem pelo crime:

- Eu fui um "Juiz Corrupto". Vendia veredictos e enganei centenas de pessoas. Estava assentado na mais alta cadeira da justiça na Terra e minha atitude compromete toda uma classe de magistrados.

- Fui um pastor muito influente no Brasil. Menti para os fiéis.


- Sabe aquela grana dentro da Bíblia...era só a metade. Tinha muito mais dinheiro escondido no fundo da mala.

- Pratiquei o "coronelismo" no Maranhão

- Superfaturei obras públicas.

- Favoreci empresas que me apoiaram na candidatura.

Todos relataram seus podres até que Pedrão fica de "saco cheio" e manda parar.

- Seus requerimentos passaram pela "Comissão de Perdão" e foram rejeitados por unanimidade, diz Pedrão. Passaram também pelo "Painel de Aceitações", apenas por mera formalidade, e igualmente foram rejeitados por unanimidade. Mas como nós, mais que ninguém, temos que ser justos...para dar o exemplo, examinamos os requerimentos também na "Câmara Alta", da qual eu faço parte. Uma maioria esmagadora votou contra. Houve só um voto a favor. infelizmente, era o voto mais importante.

- Você quer dizer…(interpela o porta-voz)

- É! Ele mesmo. Neste caso, anulam-se todos os pareceres em contrário e prevalece a vontade soberana d’Ele. Isto aqui ainda é o "Reino dos Céus", e o que Ele manda..nós fazemos.

- Então nós podemos entrar?

Pedrão suspira com ar triste.

- Podem. Se dependesse de mim, iam direto para o "Inferno". Mas…


E todos entram pelo "Portão do Paraíso", dando risadas e se congratulando. Um querubim que assistia à cena vem pedir explicações a Pedrão.
- Mas como é que o "Todo-Poderoso" não castiga essa gente?

Pedrão, desanimado diz:

- Sabe como é né, Brasileiro…

Edson Moura (adaptação da crônica "Habito Nacional" de Érico veríssimo)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

“As colunas” parte I

Em determinado momento de suas vidas eles tiveram que enfrentar seus maiores temores. Foram anos de aprisionamento, anos de um mesmo pensamento, mas ao chegar à metade do caminho de suas efêmeras existências...encontraram as cinco colunas. Viram-se em profundo desespero. O mais velho que se chamava “Logomeu”, olhou atentamente para o rosto pálido e sem expressão de seu companheiro “Psiquemom” e sentiu medo. Medo de saber que aquelas colunas precisavam ser destruídas. Medo por não saber se seu amigo suportaria o desencadear de eventos que se sucederiam após a primeira coluna ruir. Mas a caminho -ele sabia - não tinha mais volta, e no fundo, ambos sabiam disso.

No início da jornada o objetivo daqueles dois descendentes de uma tribo conhecida como “Alienadum” era outro. Eles apenas queriam lutar contra seus adversários da terra dos “Enganadorium”, pois não suportavam ver seus amigos e parentes serem levados, um a um, pelos melhores profetas da tribo inimiga.

Eles tentaram não piorar a relação entre os dois povos, mas infelizmente não fora possível, a divisão aconteceu, e eles chegaram ao ponto de onde não se poderia mais voltar. Contemplaram com ternura as cinco colunas, e a primeira delas, que imaginaram, seria a mais frágil, iria se demonstrar uma das mais resistentes. Vou tentar contar essa história com a maior fidelidade possível e talvez, muitos fatos sejam ocultados (ou propositalmente esquecidos) devido ao excesso de detalhes e pormenores que estão contidos nesta saga:

1ª Coluna: “A Benção”. Eles não acreditavam em benção, e por isto, não se cansavam de alertar seus companheiros de que, não se deveria viver dependentes de provisões dos deuses. Eles, a princípio, não diziam que isto não existia, pois muitos dos habitantes da terra dos Alienaduns viviam bem, acreditando nas estórias que eram contadas por seus antepassados. Mas um dia, ao verem um alienadum prostrado, rogando que a divindade salvasse seu filho enfermo, e, ao não ver atendido seu pedido entrou em profunda depressão, achando que o deus ao qual ele servia não gostava deles, ou pior, ele não tivera fé o suficiente para alcançar a graça divina.

Esta primeira coluna foi destruída até suas fundações, pelo menos em seus corações. Eles deixaram de acreditar totalmente nas bênçãos, e por conseqüência, em milagres, inclusive, até achavam uma tremenda falta de “bom-senso” alguém pedir coisas do tipo às divindades, pois o mundo ao seu redor estava deteriorando-se, pessoas morriam a todo instante, plantações eram perdidas por causa dos fenômenos naturais e nada podia ser feito...nada espiritual.

2ª Coluna: “O Inferno”. Inferno era o lugar, segundo a tradição oral, para onde eram mandados todos os seres que não acreditavam nas divindades ou simplesmente não seguiam os ditames já estipulados desde a criação da raça.

Embora todos dissessem o deus era justo e misericordioso, eles nunca conseguiram entender como um ser de caráter tão bondoso poderia condenar sua criatura ao fogo eterno do inferno. Eles acreditavam que muitos que professavam a fé no deus, na verdade, não sentiam uma afeição por ele, apenas tinham muito medo da punição reservada aos que não criam. Isto também eles tentaram passar adiante, mas houve muita resistência, pois, há muitas gerações este medo fora incutido em todos os moradores.

Houve os que os chamassem de hereges, malditos e até demônios, mas eles não se abateram. Derrubaram mais esta coluna e prosseguiram viagem sem olhar para trás, sempre tentando fazer com que, os que os abordavam pelo caminho refletissem sobre todas essas coisas e escolhessem o caminho que julgassem melhor.

3ª Coluna: “O Céu”. Esta coluna, embora eles tenham-na transformado em escombros irreconhecíveis, algo em seus corações ainda insiste em dizer que o povo, embora se diga não mais “interessado” no lar eterno que a divindade os prometera...talvez não tenha verdadeiramente se apagado de seus sonhos (sonhos do povo e não de Logomeu e Psiquemom).

O céu, diz a lenda alienaduniana, é um lugar onde só entrarão os escolhidos num processo seletivo muito apurado, realizado pelo próprio criador. No céu não haverá mais dor, não haverá mais lembranças da vida na Terra, não existirá casamento e tantas outras coisas boas que só se experimenta na Terra. Logomeu e Psiquemom riem quando ouvem alguém falar deste lugar. Riem pois a vontade é chorar. Se tudo que nos tem de mais precioso são as experiências que adquirimos em vida, como poderia um deus bondoso tirar isso do ser humano?

Eles diziam que ao chegar ao céu, o cidadão alienadum seria transformado em zumbi, e passaria toda a eternidade em profunda adoração ao deus egoísta e carente de afeto, representado nas estórias que seus pais lhes contavam. Esta coluna não ofereceu muita resistência, mas eles sabem que muitas pessoas vão, de tempos em tempos, pegar algumas pedras que restaram no lugar onde outrora existia um dos mais firmes sustentáculos da fé alienaduniana, e as escondem num lugar seguro para que não venham a se esquecer por completo desta promessa divina.

Continua...

Edson Moura





terça-feira, 3 de agosto de 2010

“Filosofia na Escola...por que não?”

Por Noreda Somu Tossan

A presença da filosofia no ensino médio representa a possibilidade de se levar aos jovens estudantes um nível de reflexão intelectual que coloca em questão os valores estabelecidos pela sociedade, mudando o modo de compreender o mundo.

Educação escolar, principalmente do ensino médio, não pode ter o seu papel reduzido a mera preparação para o mercado de trabalho. Com essa atitude, não estaremos formando nem profissionais nem cidadãos. Tal concepção da educação, que valoriza apenas a formação técnica, em detrimento de uma formação mais geral, humanista, em que a História, a Geografia, a Filosofia, a Sociologia, as Artes e tantas outras disciplinas, possibilitam o desenvolvimento da subjetividade e da identidade social, Política, cultural, certamente não responde aos objetivos de um projeto educacional que visa a formação de um trabalhador competente, do cidadão consciente, crítico, criativo e participativo, como consta nos documentos oficiais.

Sendo assim, é exatamente neste ponto que entra a Filosofia como disciplina do Ensino Médio. Se a competência técnica é importante no mundo de hoje, não podemos de forma alguma menosprezar a formação humanística geral, pois senão estaremos obedecendo às exigências da razão técnica, causando prejuízos à razão vital, cujas conseqüências são extremamente negativas para a humanidade como um todo e também para a natureza.

Ora, a educação que pensamos devesse incluir, num equilíbrio curricular justo, as disciplinas de Ciências Humanas e Filosofia, certamente deve ter como obrigação a promoção de uma humanidade mais justa e solidária. Sem essa perspectiva, que futuro nos aguarda?

A Filosofia como disciplina formadora, colabora com o desenvolvimento de competências e habilidades essenciais básicas em nossos jovens. Ela se encontra diretamente ligada com a compreensão significativa e crítica do mundo e da cultura em que estamos entronizados. Ela é também umas das principais colaboradoras para uma boa formação tanto moral quanto profissional e política em nossas crianças que, dizemos sempre, “serem o futuro da nação”.

Como ensinar filosofia aos nossos jovens? O que ensinar “de” Filosofia à eles? Por que e para que devemos ensinar Filosofia? Que tipo de homens queremos formar, a partir dos ensinamentos filosóficos?

É preciso elaborar um plano de ensino, e isso é claro, pois a Filosofia pode confundir até mesmo os adultos que já têm uma certa experiência de vida, quanto mais, aos jovens que ainda estão em formação de caráter. Devemos ter em evidência que o trabalho filosófico em nível de Ensino Médio, deve ser primeiramente o desenvolvimento, pelo aluno, do estilo reflexivo (pensamento crítico) e de sua posterior autonomia de pensamento.

Existe também a necessidade de se fazer um minucioso recorte na tradição filosófica, ou uma seleção estratégica de conteúdos, que poderia muito bem ser desenvolvida pelo professor. O estilo reflexivo não pode ser ensinado formalmente pelo professor como uma técnica, e isso já sabemos, pois filosofar não se reduz a um a ginástica intelectual. A intenção deve ser de que o jovem adquira o hábito de refletir com rigor, ou seja, método, Radicalidade (fundamento) e globalidade, indo até às raízes das questões. A intenção é que o jovem aprenda a pensar com a própria cabeça, mas de forma filosófica, ou seja, de forma crítica, adquirindo assim um estilo reflexivo.

Noreda Somu Tossan

Teogonia


Quem és tu que me libertastes daquela agonia?
De viver estranhamente num mundo de fantasia
Forjada nos palácios de marfim da teologia
Hoje meu discurso é apenas uma poesia.

 Um mundo novo me foi revelado pela filosofia
Aos poucos derrubei as muralhas da mitologia
No peito cresceu o amor por uma ideologia
Que torna-me mais humano a cada dia.

Descobri o mundo mágico da psicologia
Observando o ser humano e sua idiossincrasia
Considerei ambos os lados da analogia
Optei por fugir dos braços da teocracia.

Destruí minhas bases evangélicas com maestria
Suportei as crises existenciais com valentia
Apoiei-me nos braços do amigo que me ouvia
Enfrentei meus monstros interiores com ousadia.

Hoje abomino os atos de covardia
De homens que iludem o povo com simpatia
Desprezo todos os tons dessa sinfonia
Que conduzem o ser humano à esquizofrenia.

Não há mais espaço em mim, para nostalgia
Nem o impulso emocional que me conduzia
Contemplo apenas a realidade que se anuncia
De uma fé que em outros tempos me iludiria.

Depois de jogar por terra essa liturgia
Houve quem  dissesse que Ele me puniria
Projetaram monstros que não passam de histeria
Ocultos nos textos-base da teogonia.
 
 
Edson Moura

segunda-feira, 26 de julho de 2010

“Vamos criar deuses?”

Ao redor de uma fogueira, milhares de anos atrás, no tempo ocioso que separava o fim das tarefas diárias da hora de repousar, os nossos antepassados começaram a contar histórias. Com elas, tentavam encontrar respostas para as coisas que não compreendiam. O por quê de existir o Sol, a Lua e as estrelas que surgem e somem no céu. Quem comandava os raios e tempestades? O que acontece depois que morremos? Como tudo isso ao meu redor foi criado? E o mais inquietante: “Por que estou aqui?”

A base da mitologia é o esforço permanente e contínuo de entender o mundo e o próprio homem. Histórias maravilhosas passaram de geração à geração e, à medida que foram contadas e re-contadas, tornaram-se mais magníficas, ganharam também mais personagens e variantes. Explicações para fenômenos físicos adquiriram uma dimensão sublime.

Não existe nenhum grupo cultural ou étnico na Terra que não associe a origem do universo (mundo), dos seres humanos, da fauna e da flora, dos acidentes geográficos a uma força superior, “sobre-humana”. Deuses e heróis convivem com a humanidade desde a aurora de nossa espécie. E essas histórias, que não têm autores, ainda continuam a nos encantar.

Os mitos afiavam o pensamento abstrato, estavam presentes e alimentavam o cotidiano do homem. Por que fazer um ritual de sepultamento ao invés de abandonar o corpo para os animais comerem? Na Espanha, homens primitivos pintavam suas caçadas nas cavernas. Na África, estatuetas representavam mulheres de nádegas e seios fartos.

Para muitos arqueólogos e antropólogos, as pinturas evocavam o sagrado em busca de melhor sorte e proteção na próxima caçada. A estatueta é o símbolo da “Mãe Terra”, uma deusa da fertilidade e, para muitas culturas, a força motriz que deu origem ao mundo.

Povos de todo o planeta forjam seus heróis e deuses de acordo com aquilo que têm à mão. Os nórdicos do norte da Europa achavam que o mundo começara no embate, em um grande campo de gelo, entre o “calor” e o “frio”. Para os gregos, os deuses viviam em uma montanha, assim como para os indianos.

Os habitantes do oeste da África imaginavam que a origem do mundo era um grande “ovo cósmico” (assim como os chineses). O homem pré colombiano nascera do milho, já em outras culturas ele veio da argila, do barro, da madeira, ou do sopro divino. Em muitas das crenças, fora difícil chegar à humanidade, e os deuses criavam e destruíam vários protótipos. Ao mesmo tempo, os personagens mitológicos lidam com sentimentos humanos como: a raiva, a vergonha, o ciúme, a culpa. (sejam deuses, sejam heróis ou mortais).

Não foi por acaso que a psicologia e a psicanálise foram buscar em histórias ancestrais, os exemplos para suas hipóteses. O suíço Carl Gustav Jung defendia a existência do “Inconsciente Coletivo” (uma grande herança de imagens e símbolos que cada um de nós carrega, tal como um DNA). O próprio Freud (Fróid) usou o mito de Édipo como motivo em seus textos. Aliás, não podemos nos esquecer, que as relações incestuosas são abundantes na mitologia e a destruição do pai pelo filho, um tema recorrente.

A relação com os deuses em geral é bem complicada para nós humanos. Eles são seres superiores que ajudam os homens, lhes dão a luz do Sol, conhecimento e sabedoria. Mas também têm uma cólera divina, exemplificadas nas histórias de dilúvios e inundações da África, Oriente Médio, nas Américas, no sul e leste da Ásia e na Europa. Punições aos homens são freqüentes , e muitas delas projetam o fim dos tempos, das narrativas Astecas às indianas, cada uma à sua maneira...

Edson Moura

Fontes: "Dicionário Oxford de Mitologia Celta"
            "Psicologia Analítica de Jung"
            "Os Mitos antigos e o homem moderno"
            "O Homem e seus símbolos, editora nova fronteira"
            "Dicionário do Folclore Brasileiro"
            "História del mundo Antiguo, Susan Wise Bauer"
            "Anatomia da civilização, 1992 Barry J. Kemp"
            "Los sacerdotes en lo egito antiguo, 1998 Madrid Elisa Castel Ronda"
            "Filme Tempos modernos de Chaplin 1936"

terça-feira, 20 de julho de 2010

"Não esqueça de lembrar-se que devemos esquecer"

Por Noreda Somu Tossan

Hoje me lembrei dos velhos tempos em que eu acreditava que não podia esquecer dos momentos que marcaram minha vida. Lendo alguns artigos em jornais, deparei-me com uma história muito interessante, e que tem muito a contribuir com minha forma de pensar hoje. O texto que lerão à seguir, é para fazê-los refletir sobre os desejos que muitas vezes temos, mas que não pensamos nos desdobramentos que acarretarão. E não “esqueçam”...de ler até o final.

Existem vária memórias, que seriam melhor esquecer, infelizmente, para uma mulher de 45 anos, chamada Jill Price, isso é um luxo com o qual ela só pode sonhar. Ela se lembra de cada dia de sua vida desde a adolescência, com extraordinário detalhe. Quando alguém menciona qualquer data desde 1980, é como se ela fosse imediatamente transportada para o passado, descrevendo onde estava, o que fazia naquele momento e até mesmo quais foram as notícias daquele dia.

Essa habilidade de Jill Price, encantou seus familiares e amigos por vários anos, mas ela tem pago um preço muito alto por ela. Ela está presa num ciclo de lembranças que, como ela mesma afirma, “parece um filme que está sempre passando, e nunca para”. Mesmo quando ela quer...não consegue esquecer.

Uma vez, sondaram o cérebro de Jill em busca de pistas sobre sua “dádiva” e um fato ficou evidente: Uma memória sadia, não tem a ver somente com a retenção daquilo que é importante. Muito mais importante é ser capaz de esquecer o que não tem tanta importância.

O problema de Jill, ganhou o nome síndrome hipertimésica (do Grego timesis....lembrar). A raiz dessa síndrome poderia se manifestar em qualquer um dos estágios de fixação de lembranças. Em suma, uma memória é formada em três estágios:

Primeiramente ela é codificada pelo cérebro. Depois ela é armazenada e, mais tarde, recuperada. É possível que Jill e outros que sofram deste “mal”, realizem essas três tarefas com eficiência muito maior que nós normais. Mas também existe outra possibilidade, talvez até mais intrigante: A magnífica memória de Jill Price poderia também ser explicada por uma falha das estratégias usadas pelo nosso cérebro para, “nos ajudar a esquecer as coisas que não precisamos lembrar”.

O nosso cérebro tem uma capacidade muito grande de armazenar lembranças. E segundo especialistas, não existe limites para a quantidade de memórias de longo prazo que podemos armazenar. Surge então uma dúvida:

Por que, então, não nos lembramos de tudo?

Se nós nos lembrássemos de tudo, ou seja, se nosso cérebro deixasse à disposição todos os dados continuamente, isso culminaria numa confusão mental. Por isso ao longo da evolução do homem, nosso cérebro desenvolveu a estratégia para eliminar as informações irrelevantes ou ultrapassadas, chamado de “esquecimento eficiente”, e é crucial para uma memória funcional.

Portanto, quando nos esquecemos de algo importante, significa simplesmente que o sistema de “poda” está trabalhando um pouco bem demais. Então, da próxima vez que se esquecer de algo, não fique desesperado, pois você não imagina como deve ser horrível se nos lembrássemos de tudo.

Dizem que Deus não se esquece nunca. "Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei
de ti" (Isaías 49:15).

Um jovem pregador levantou-se para dar uma palavra em um jantar da igreja, organizado em sua homenagem. Após saudar com muita cortesia a todos os presentes, ele parou por um instante, demonstrando estar confuso. Com toda a movimentação do evento, ele acabou esquecendo o que havia preparado para falar! Depois de um momento de um embaraçoso silêncio, ele se recompôs e disse:

"Irmãos e irmãs, há alguns minutos atrás só o Senhor e eu sabíamos o que eu iria falar. Agora apenas o Senhor sabe!"

Já li em algum lugar que até Deus, em determinadas situações, se esquece de algumas coisas.

“E NÃO ME LEMBRAREI MAIS DOS SEUS PECADOS ”. – (Jeremias capítulo 31 versículo 34).

Edson Moura

domingo, 18 de julho de 2010

“Grande Descoberta Filosófica”

Lendo uma revista sobre Filosofia, deparei-me com um tema muito interessante, abordado pelo Advogado, Professor e Filósofo J. Vasconcelos. Como resolvi mudar minha postura a respeito da "fé", achei que poderia, de forma mais branda, levar os leitores deste blog a refletirem sobre a temática "Razão Totalmente Esclarecida", sem que fosse necessário agredir a convicção religiosa de cada um. Espero que gostem da leitura.

No decurso de milênios dos primeiros períodos históricos, a humanidade respondia sobre o universo com explicações práticas. O "Ovo cósmico", o desmembramento de naturezas diversas, o acasalamento dos deuses e também o "Verbo Divino", haviam determinado todas as causas universais, referenciando propriamente a Terra e os astros visíveis...logicamente englobava os fatos e os seres relacionados a esse contexto.

Efetivamente “mitos da criação”, totemismoenergia telúrica e o sopro divino como a fonte, bastavam para esclarecer as origens e os propósitos da vida e das suas conseqüências. Entrementes, tudo se situava em termos da “vontade”. Estava claro que as coisas existiam, agiam ou recebiam interferência, por vontade dos deuses, ou por vontade dos diabos, ou por vontade dos espíritos. De sorte que por vontade dos entes divinos em, entrevero familiar se originaram os protetores da Grécia, ou por vontade de um deus nacional como Javé, o verbo criara a terra, o céu e os homens e lhes impunha leis, regras e costumes. Por vontade de um satanás, surgia na Pérsia a dicotomia do bem e do mal. Também por vontade do demônio, o homem e a mulher , entre os Judeus, recebiam a danação eterna e o castigo da mortalidade.

Por milhares de anos, assim permaneceram os seres humanos, acreditando que tudo se processava por gestos constantes dessas “vontades” acima de suas forças, interferindo até mesmo em cada ato, de cada indivíduo.

Se chovia, era porque a deusa Ishtar queria fertilizar a terra. Se trovoava e caíam raios, o deus da tempestade, Teshup (deus da tormenta e figura finque do panteón hurrita. Identificou-se com Baal na antiga Síria), estava raivoso com os homens. Se uma criança nascia saudável, era a deusa Isis favorecendo o evento. Se caía uma avalanche, assim desejavam os espíritos da montanha. Se tudo ia dar certo ou errado, dependia dos desejos dos deuses. Se o exército saía vitorioso, era o deus Javé que o guiou e o fez invencível e cruel. Se existe escravidão, é porque os deuses julgaram povos prontos para servir outros. Se existem soberanos e súditos, era uma determinação divina. Se as pessoas adoecem, e porque os deuses querem esse castigo, e se tornarem-se más, é porque o diabo quis levá-las a esse procedimento .... a lista é infinita.

Todavia, algo estava para acontecer.

Quando alguém parou para pensar sobre o universo, vieram as dúvidas sobre as verdadeiras causas. Essas dúvidas permitiram-lhes perceber que os fenômenos e os elementos existentes não se apresentavam em função de "vontades" superiores e sobrenaturais. Então surgiu a “Grande Descoberta Filosófica”. Tudo indicava que existiam leis naturais regendo as coisas do universo. O recurso ao conhecimento de “vontades” seria inofensivo, pois essas por sua vez, não existem. O único caminho era conhecer as leis naturais. Bastava então descobrir quais leis regiam o mundo.

E assim começou o trabalho dos filósofos, buscando conhecer tais leis. De início Anaxágonas concebeu a origem da Terra, não por vontade dos deuses, mas em causas materiais, que poderiam ter envolvido nebulosas redemoinhantes. Em seguida surgiram outros filósofos procurando conhecer as leis naturais em todas as coisas. De 600 a 450 a.C., a contribuição foi formidável. Tornaram-se biologistas e sustentaram princípios evolucionistas incrivelmente modernos. Como físicos, esboçaram a teoria da gravitação e a lei da conservação da energia. Como astrônomos, tiveram concepções do universo que lembram muito as de Copérnico, Kepler e Galileu.

É certo que os filósofos foram buscando essas leis nas matérias, na natureza humana e no organismo social. A civilização evoluía na medida em que os conhecimentos sobre as leis naturais eram desenvolvidos. No entanto, por incrível que pareça, sobre a Sociedade, a Política e o Homem, as descobertas não tiveram um desenvolvimento tão profundo como na Química, na Física, na Matemática e na Astronomia.

Você meu leitor, pode me responder por quê?


Edson Moura

quinta-feira, 8 de julho de 2010

“Tirem-me a Fé...então conhecerão o meu verdadeiro caráter”

Por Noreda Somu Tossan

O que é caráter?

Embora muitos não percebam, a palavra caráter é neutra, não tendo assim, conotação nem má, nem boa. Caráter é o termo que designa o aspecto da personalidade, responsável pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo, esta qualidade, é inerente somente à uma pessoa, pois é o conjunto dos traços particulares, o modo de ser dela, sua índole, sua natureza e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral, seu gênio, humor, temperamento, este, sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais.

Muitas pessoas podem criticar este texto após lê-lo até o final, mas gostaria que cada um dos que se dispuserem a fazê-lo, usassem o senso crítico para, com um mínimo de honestidade, refletirem sobre o tema. Faço afirmações graves sobre o ser humano, e sei que com isso, acabo por “apontar o dedo” e acusar, mas não o faria se não tivesse um mínimo de experiência pessoal, para compartilhar de minhas idéias com o leitor.

Seríamos nós, seres humanos, nada mais que “lobos em pele de cordeiros”? Ou será que estou totalmente enganado, e minha teoria não passa de divagações de um revoltado com a casta religiosa? Veremos a seguir:

É claro que sou criticado, quando digo que quero acabar com a fé das pessoas. Mas também tenho que concordar, depois de muito refletir, que, quando se remove a fé dos homens, é bem possível (e quase certo) que efeitos colaterais surgirão. Afinal de contas, nada tenho a oferecer em troca do sentimento que busco extirpar. E quais seriam esses “efeitos colaterais”, ou como gosto de dizer, “exteriorização de personalidade oculta”?

Concordo com alguns amigos, quando me dizem que a fé é necessária ao homem, pois foi a própria fé que nos conduziu a sermos o que somos hoje. Mas discordo do fato de que ela seja de suma importância para nos tornarmos pessoas melhores. Ao mostrar ao homem que ele não precisa de Deus, posso estar correndo um sério risco de “ressuscitar” um monstro há tempos adormecido, assim como também posso torná-la uma pessoa livre das amarras de uma fé que o reprimira durante anos.

Um homem ou mulher que teme a Deus, acata a vontade de sua divindade, em detrimento à sua própria vontade. A pessoa que bebia descontroladamente, já não bebe mais, aquele que adulterava já não adultera mais, o outro que matava, já não matará, o viciado em pornografia não praticará mais este vício, e assim será com todos os desejos que outrora o dominavam, ou seja, serão sufocados.

Mas ao trazê-lo ao mundo da “razão totalmente esclarecida“ esses desejos presos no mais profundo calabouço de seu ser, sairão, ou permanecerão trancafiados, isso depende muito de um detalhe importantíssimo: Seu verdadeiro caráter.

Se não houvesse punição para a pedofilia, como seria o comportamento do homem que tem atração por crianças? Se as leis para homicídios não fossem tão rigorosas, ou simplesmente não existissem, como será que as pessoas com personalidades violentas se comportariam diante de uma provocação. Se não existisse inferno e céu, como seria a vida de milhões de pessoas que vivem oscilando entre o medo de “arder no fogo” e a “expectativa de morar na glória”?

Sem fé, sem o temor, sem as promessas de vida eterna com Deus, sem galardão, sem 72 virgens, sem reencarnação, sem “dia do Juízo”, o caráter de cada ser humano seria amplamente exteriorizado, e as conseqüências poderiam ser desastrosas.

Que faço agora?

Contínuo em minha busca pelo fim da fé, e aposto todas as minhas fichas no homem, esperando que sua inclinação para o mal seja menor que sua propensão para o bem, ou desisto de meu ideal, e aceito que Maquiavel estava certo e o homem é mau por natureza?

Será que madre Tereza continuaria cuidando dos pobres se perdesse sua fé? Quero acreditar que sim, segundo esta declaração feita por ela mesma em uma de suas várias cartas: “Se não houver Deus, não pode haver alma, se não houver alma então, Jesus, você também não é real."


Reputação "boa" é o que você faz quando está exposto à todos os olhares. Caráter  "bom"é o que você faz quando ninguém está te olhando, principalmente Deus"

Minha afirmativa é correta, e isso é indiscutível:

“Tirem-me a ‘Fé’, e conhecerão meu verdadeiro caráter”

Por Edson Moura







quarta-feira, 7 de julho de 2010

“A fé e as mortes que ele causou” Parte I

 Depois de vários adiamentos, finalmente dou início à seqüência de postagens onde, de forma bem resumida, faço relatos sobre acontecimentos que marcaram nossa história, e que tem a “fé” como eixo para seu desencadeamento. Espero que, no decorrer dos comentários, possam ser esclarecidos alguns pontos que ficaram obscuros, devido a necessidade de sintetizar ao máximo o texto, para quer não ficasse cansativo aos leitores. Este é apenas o primeiro de uma série de artigos meticulosamente preparados para trazer aos que não tiveram a oportunidade de conhecer, o “terror em nome de Deus”. Boa leitura!

Não pode se dizer que o Holocausto, tido entre os maiores genocídios contínuos da história, tenha sido motivado unicamente por questões religiosas, uma vez que o objetivo final de Adolf Hitler era a conquista do mundo em nome de uma raça ariana. No entanto, ao mesmo tempo em que os nazistas diziam estar servindo a Deus ao eliminar os Judeus, eles também estavam ligados a uma série de procedimentos pagãos, de cunho religioso e esotérico. Por outro lado, a perseguição aos judeus não foi exclusividade dos nazistas. Durante séculos, eles sofreram perseguições principalmente da igreja Católica, que por muito tempo afirmaram que os judeus eram responsáveis pela morte de Jesus, aliás, um judeu.

Alguns episódios da história servem de exemplo, como as Cruzadas e a Inquisição. Antes do início da Segunda Guerra Mundial, o anti-semitismo era muito forte no Ocidente. Em minha opinião, o holocausto demonstrou os resultados “demoníacos” que residem em nossa tradição de pregações e ensinamentos anti-semitas. Desta forma o anti-judaísmo cristão promoveu a causa nazista de várias maneiras. Ele levou os nazistas a focarem suas ações inicialmente nos judeus, e criou atitudes que permitiram que eles executassem seu programa de extermínio enfrentando pouca resistência.

Lamentavelmente a desastrosa doutrina católica preparou o caminho para Hitler e sua “solução definitiva”. Em grego o termo “Holocausto” significa uma oferenda feita em sacrifício. Foi usado no século XX para designar o extermínio sistemático, realizado pelos nazistas, de diversos grupos considerados indesejáveis, entre eles Judeus, homossexuais, comunistas, ciganos e deficientes. O número exato de mortes durante o holocausto é desconhecido. Estima-se que aproximadamente seis milhões de judeus tenham sido assassinados.

O Holocausto distingue-se dos outros genocídios da história pelo método sistemático empregado pelos nazistas. Ele foi levado a cabo em todas as regiões ocupadas pelos Alemães. Os meios usados para o assassinato em massa foram diversos, e, com o passar do tempo, foram sendo “aprimorados”, com um número crescente de vítimas. Além de execuções, os nazistas realizaram experiências médicas cruéis e bizarras em prisioneiros, incluindo crianças. Quando Hitler assumiu o poder, sua ideologia racista passou a ser empregada, defendendo a existência de apenas uma raça superior, a saber, a ariana. As demais raças eram consideradas inferiores e responsáveis pela perturbação da sociedade. Eles deveriam ser destruídas ou servir à raça superior. Foi dessa forma que teve início a perseguição aos judeus, negros, ciganos, homossexuais, doentes mentais e terminais.

Quando os judeus que eram capturados pelos nazistas, chegavam aos campos de concentração, eram separados em filas de mulheres, crianças e homens. Havia então a separação dos mais fracos, que eram encaminhados para a câmara de gás disfarçadas de chuveiros coletivos. Os prisioneiros se despiam imaginando que iam tomar banho, mas eram fulminados pelo gás mortal e, depois, enviados para o crematório. Dentes de ouro eram retirados e algumas vezes a própria pele era usada em candeeiros. Os cabelos das mulheres eram raspados antes delas entrarem nas câmaras de gás, e reciclados para confecção de produtos como tapetes e meias

Mas você pode estar se perguntado:

O que o Edson quer dizer com isso que está escrevendo?

Na verdade, eu é quem faço algumas perguntas:

Onde estava é igreja neste momento da história? Onde estava a fé? Onde estava Deus? Em que a fé dos Judeus os ajudou? E mais:

Não foi uma fé cega que motivou o “Führer” a cometer esta barbárie? Por que o Papa Pio XII silenciou-se nesse momento? Será que lá no fundo, ele não estaria batendo palmas para o führer? De todas as hipóteses, a mais provável é que o papa Pio XII, ao escolher o silêncio no que dizia respeito ao extermínio judeu pelos nazistas, estaria apenas comportando-se como um estadista e não como um líder religioso.

"Parabéns para ele!"

Por Edson Moura

quinta-feira, 1 de julho de 2010

"Dilemas Ético-filosóficos"

Por Noreda Somu Tossan

Quem nunca passou por dilemas? Todos nós passamos, todos os dias, pelos mais variados dilemas. Alguns são simples como: “Corro para pegar o ônibus ou ando calmamente em direção ao ponto, para não ser visto como desesperado?” Mas quero propor-lhes dilemas mais complexos...mais existenciais. Verdadeiras “sinucas de bico”.

Este artigo tem como maior motivação a reflexão. Todos que quiserem participar dos debates que se darão (no campo das idéias) serão bem vindos. O artigo permanecerá por tempo indeterminado no topo deste blog, e peço encarecidamente que os leitores participem com perguntas ou afirmações...hipóteses ou provas científicas, mas sempre com clareza de pensamentos e nunca com respostas instantâneas, pois no decorrer dos comentários, ficarão chocados ao ver que não pensavam o que achavam que pensavam.

Peço também, que, todos que comentarem, acrescentem ao início de cada comentário, o número correspondente ao mesmo, pois assim, ficará mais fácil responder às perguntas e até mesmo consultar alguns comentários que possam parecer incoerentes ou contraditórios no decorrer da enquete.

A Física nuclear e a Química tornaram o homem o “senhor dos elementos”. Os últimos avanços da tecnologia e da ciência, na área da Biologia molecular e Bioquímica, permitem que decifremos os mapas genéticos responsáveis pela estrutura dos organismos superiores. Realizando-se a sonhada supremacia humana sobre as demais criaturas do universo, o homem poderá mais adiante, tomar nas mãos os planos e o controle das condições de nossa existência na Terra.

Mas no entanto, esses sonhos da “razão esclarecida” poderá produzir monstros que venham a nutrir fantasias perigosas. Haverá uma guerra entre a razão completamente esclarecida e a barbárie mítica? Teríamos alcançado, com o progresso da tecnociência, também o perigoso limiar em que a auto-determinação da razão se converterá em seu contrário, se considerarmos o ponto de vista ético?

Ao assimilarmos os processos naturais da vida, a artefatos construídos pelo homem, não estaríamos perdendo o sentido natural da natureza, já que o “natural” sempre foi entendido como o que cresce por si mesmo, diferente dos produtos que o homem cria? Não estaria o progresso da ciência indo de encontro à ética e à moral?

Avanços tecnológicos que interferem diretamente na constituição do homem...em sua sobrevivência por mais tempo e em novos métodos de reprodução, já vêm provocando dilemas éticos que acabaram por trazer o progresso científico para o centro de debates filosóficos. No futuro, a tendência é de que outros embates surjam à medida que o homem consiga alterar artificialmente a vida. Vamos aos dilemas mais polêmicos da atualidade:

1º- Células-tronco: O homem descobriu que essas células têm a capacidade de se multiplicar para corrigir diversos tecidos do corpo, o que é um avanço no tratamento de doenças até então incuráveis. A controvérsia aparece em algumas formas de se conseguir essas células...como coleta feita em embriões. Seria ético destruir embriões para salvar vidas?

2º- Eutanásia: Um grande debate no mundo atual é se o homem tem o direito de escolher se quer continuar vivo, ainda que sofrendo...ou se deseja dar fim à própria vida. O que você acha?

3º- Reprodução humana assistida: Técnicas de engenharia genética proporcionaram a muitas pessoas a possibilidade de ter filhos, mas podem ser usadas para manipular células germinativas com objetivos como escolher o sexo da criança que será gerada...ou mesmo visando a eugenia (apuração da raça). Você concorda?

Escrito por Noreda Somu Tossan