domingo, 13 de junho de 2010

A Filosofia entre a Religião e a Ciência (Parte III)

fA coesão social e a liberdade individual, como a religião e a ciência, acham-se num estado de conflito ou difícil compromisso durante todo este período. Na Grécia, a coesão social era assegurada pela lealdade ao Estado-Cidade; o próprio Aristóteles, embora, em sua época, Alexandre estivesse tornando obsoleto o Estado-Cidade, não conseguia ver mérito algum em qualquer outro tipo de comunidade. Variava grandemente o grau em que a liberdade individual cedia ante seus deveres para com a Cidade. Em Esparta, o indivíduo tinha tão pouca liberdade como na Alemanha ou na Rússia modernas; em Atenas, apesar de perseguições ocasionais, os cidadãos desfrutaram, em seu melhor período, de extraordinária liberdade quanto a restrições impostas pelo Estado. 0 pensamento grego, até Aristóteles, é dominado por uma devoção religiosa e patriótica á Cidade; seus sistemas éticos são adaptados às vidas dos cidadãos e contêm grande elemento político.

Quando os gregos se submeteram, primeiro aos macedônios e, depois, aos romanos, as concepções válidas em seus dias de independência não eram mais aplicáveis. Isto produziu, por um lado, uma perda de vigor, devido ao rompimento com as tradições e, por outro lado, uma ética mais individual e menos social. Os estóicos consideravam a vida virtuosa mais como uma relação da alma com Deus do que como uma relação do cidadão com o Estado. Prepararam, dessa forma, o caminho para o Cristianismo, que, como o estoicismo, era, originalmente, apolítico, já que, durante os seus três primeiros séculos, seus adeptos não tinham influência no governo. A coesão social, durante os seis séculos e meio que vão de Alexandre a Constantino, foi assegurada, não pela filosofia nem pelas antigas fidelidades, mas pela força - primeiro a força dos exércitos e, depois, a da administração civil. Os exércitos romanos, as estradas romanas, a lei romana e os funcionários romanos, primeiro criaram e depois preservaram um poderoso Estado centralizado. Nada se pode atribuir à filosofia romana, já que esta não existia.

Durante esse longo período, as idéias gregas herdadas da época da liberdade sofreram um processo gradual de transformação. Algumas das velhas idéias, principalmente aquelas que deveríamos encarar como especificamente religiosas, adquiriram uma importância relativa; outras, mais racionalistas, foram abandonadas, pois não mais se ajustavam ao espírito da época. Desse modo, os pagãos posteriores foram se adaptando á tradição grega, até esta poder incorporar-se na doutrina cristã.

O Cristianismo popularizou uma idéia importante, já implícita nos ensinamentos dos estóicos, mas estranha ao espírito geral da antigüidade, isto é... a idéia de que o dever do homem para com Deus é mais imperativo do que o seu dever para com o Estado. A opinião de que "devemos obedecer mais a Deus que ao homem", como Sócrates e os Apóstolos afirmavam, sobreviveu à "conversão" de Constantino, porque os primeiros cristãos eram arianos ou se sentiam inclinados para o arianismo. Quando os imperadores se tornaram ortodoxos, foi ela suspensa temporariamente. Durante o Império Bizantino, permaneceu latente, bem como no Império Russo subseqüente, o qual derivou do Cristianismo de Constantinopla. Mas no Ocidente, onde os imperadores católicos foram quase imediatamente substituídos (exceto em certas partes da Gália) por conquistadores bárbaros heréticos, a superioridade da lealdade religiosa sobre a lealdade política sobreviveu e, até certo ponto, persiste ainda hoje,

A Filosofia entre a Religião e a Ciência (Parte II)

Mas por que, então... perder tempo com problemas tão insolúveis? A isto, poderia responder como historiador ou como indivíduo que enfrenta o terror da solidão cósmica. A resposta do historiador, tanto quanto me é possível dá-la, aparecerá até o final deste artigo. Desde que o homem se tornou capaz de livre especulação, suas ações, em muitos aspectos importantes, têm dependido de teorias relativas ao mundo e á vi a humana, relativas ao bem e ao mal. Isto é tão verdadeiro em nossos dias como em qualquer época anterior. Para compreender uma época ou uma nação, devemos compreender sua filosofia e, para que compreendamos sua filosofia, temos de ser, até certo ponto, filósofos. Há uma relação causal recíproca. As circunstâncias das vidas humanas contribuem muito para determinar a sua filosofia, mas, inversamente, sua filosofia muito contribui para determinar tais circunstâncias. Essa ação mútua, através dos séculos, será o tema das linhas seguintes.

Há...todavia, uma resposta mais pessoal. A ciência diz-nos o que podemos saber, mas o que podemos saber é muito pouco e, se esquecemos quanto nos é impossível saber, tornamo-nos insensíveis a muitas coisas sumamente importantes. A teologia, por outro lado, nos induz â crença dogmática de que temos conhecimento de coisas que, na realidade, ignoramos e, por isso, gera uma espécie de insolência impertinente com respeito ao universo. A incerteza, na presença de grandes esperanças e receios, é dolorosa, mas temos de suportá-la, se quisermos viver sem o apoio de confortadores contos de fadas, Não devemos também esquecer as questões suscitadas pela filosofia, ou persuadir-nos de que encontramos, para as mesmas, respostas indubitáveis. Ensinar a viver sem essa segurança e sem que se fique, não obstante, paralisado pela hesitação, é talvez a coisa principal que a filosofia, em nossa época, pode proporcionar àqueles que a estudam.

A filosofia, ao contrário do que ocorreu com a teologia , surgiu, na Grécia, no século VI antes de Cristo. Depois de seguir o seu curso na antigüidade, foi de novo submersa pela teologia quando surgiu o Cristianismo e Roma se desmoronou. Seu segundo período importante, do século YI ao século XIV, foi dominado pela Igreja Católica, com exceção de alguns poucos e grandes rebeldes, como, por exemplo, o imperador Frederico II (1195-1250). Este período terminou com as perturbações que culminaram na Reforma. O terceiro período, desde o século XVII até hoje, é dominado, mais do que os períodos que o precederam, pela ciência. As crenças religiosas tradicionais mantêm sua importância, mas se sente a necessidade de que sejam justificadas, sendo modificadas sempre que a ciência torna imperativo tal passo. Poucos filósofos deste período são ortodoxos do ponto de vista católico, e o Estado secular adquire mais importância em suas especulações do que a Igreja,

A Filosofia entre a Religião e a Ciência (Parte I)

Os conceitos da vida e do mundo que chamamos "filosóficos" são produto de dois fatores: um, constituído de fatores religiosos e éticos herdados; o outro, pela espécie de investigação que podemos denominar "científica", empregando a palavra em seu sentido mais amplo. Os filósofos, individualmente, têm diferido amplamente quanto às proporções em que esses dois fatores entraram em seu sistema, mas é a presença de ambos que, em certo grau, caracteriza a filosofia.

"Filosofia" é uma palavra que tem sido empregada de várias maneiras, umas mais amplas, outras mais restritas. Pretendo empregá-la em seu sentido mais amplo, como procurarei explicar adiante. A filosofia, conforme entendo a palavra, é algo intermediário entre a teologia e a ciência. Como a teologia, consiste de especulações sobre assuntos a que o conhecimento exato não conseguiu até agora chegar, mas, como ciência, apela mais à razão humana do que à autoridade, seja esta a da tradição ou a da revelação. Todo conhecimento definido - eu o afirmaria - pertence à ciência; e todo dogma quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma Terra de Ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa Terra de Ninguém é a filosofia. Quase todas as questões do máximo interesse para os espíritos especulativos são de tal índole que a ciência não as pode responder, e as respostas confiantes dos teólogos já não nos parecem tão convincentes como o eram nos séculos passados.

 Acha-se o mundo dividido em espírito e matéria? E, supondo-se que assim seja, que é espírito e que é matéria? Acha-se o espírito sujeito à matéria, ou é ele dotado de forças independentes? Possui o universo alguma unidade ou propósito? Está ele evoluindo rumo a alguma finalidade? Existem realmente leis da natureza, ou acreditamos nelas devido unicamente ao nosso amor inato pela ordem? É o homem o que ele parece ser ao astrônomo, isto é, um minúsculo conjunto de carbono e água a rastejar, impotentemente, sobre um pequeno planeta sem importância? Ou é ele o que parece ser a Hamlet? Acaso é ele, ao mesmo tempo, ambas as coisas? Existe uma maneira de viver que seja nobre e uma outra que seja baixa, ou todas as maneiras de viver são simplesmente inúteis? Se há um modo de vida nobre, em que consiste ele, e de que maneira realizá-lo? Deve o bem ser eterno, para merecer o valor que lhe atribuímos, ou vale a pena procurá-lo, mesmo que o universo se mova, inexoravelmente, para a morte?

Existe a sabedoria, ou aquilo que nos parece tal não passa do último refinamento da loucura. Tais questões não encontram resposta no laboratório. As teologias têm pretendido dar respostas, todas elas demasiado concludentes, mas a sua própria segurança faz com que o espírito moderno as encare com suspeita. 0 estudo de tais questões, mesmo que não se resolva esses problemas, constitui o empenho da filosofia,

sexta-feira, 4 de junho de 2010

"Covardia”


A todo cadáver cabe enfrentar a decomposição do corpo. Em tempo, a luta continua para os que, ainda vivos, enfrentam a degeneração mental...no plano das idéias, claro. Não que isso seja ruim. Para tudo o que se destrói, nova coisa se constrói.

O herói ainda vivo vê seus planos ruírem junto à inesperada partida do antigo companheiro. As memórias tranformam-se em instrumentos de tortura. A agonia e o desespero, ainda que ocultos, às vezes utilizando a máscara da indiferença, compõem a fórmula de sentimentos tão tediosos e monótonos quanto às palavras lidas até aqui.

Para a superação sentimental e intelectual há duas soluções possíveis: Uma é encarar a situação, vivendo-a com todo o lodo que ela traz à tona; a outra é retirar a região do cérebro via cirurgia, tornando-se o vegetal que muitos são (mesmo sem necessitar de abrir mão).

É este o ponto chave da fé. A não aceitação da situação, substituindo o real pela necessidade da impossível.

Por mais difícil que seja aceitar, nada é mais saudável para a vida do que a morte, esta inimaginável situação que mexe tanto com a cabeça das pessoas, que transforma a dor da despedida em ponto de partida para o sensacionalismo e a exploração da situação da própria mente por gênios da extorsão, de plantão em cada esquina.

A fé é uma brincadeira de mau gosto. Somente quando explicitada podemos compreender o vilão que é. Infelizmente, alguns que já escaparam da gaiola, não estão dispostos à espalhar a verdade para os demais...e assim como no mito da caverna de Platão, devem ter medo de serem mortos por aqueles que preferem as sombras à luz do sol.



Edson Moura

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ideologia Imperialista

No início da década de 1970, um pequeno e divertido livrinho publicado no Chile, de inspiração marxista, caiu como uma bomba no mundo dos quadrinhos infantis. “Para ler o Pato Donald”, de Ariel Dorfman e Armando Matterlat, foi escrito num período que o Governo de Salvador Allende se debatia para sobreviver às pressões do imperialismo norte-americano.

As idéias desses dois autores eram justamente denunciar a ideologia imperialista que dominava as aparentemente inocentes histórias infantis da Disney. Para os autores, as histórias em quadrinhos de “tio Patinhas” e companhia, preparavam as crianças do terceiro mundo para serem subservientes aos países de primeiro mundo, em especial aos EUA.

A primeira descoberta dos autores foi com relação à vida familiar. Não há nenhum vínculo familiar direto nas histórias de “Pato Donald” e amigos. Todos são tios e sobrinhos de alguém. Para os autores, isso era uma estratégia da Disney para imortalizar os personagens... transformando-os em símbolos, numa sociedade que refletia a dominação capitalista.

Além de não ter laços familiares diretos, os personagens são movidos apenas pela ambição do dinheiro. Não há relações de amizade desinteressadas, apenas relações comerciais: “Ninguém ama ninguém... jamais há um ato de carinho ou lealdade ao próximo. O homem está só em cada sofrimento... não há uma mão solidária ou gesto desinteressado”.

O amor de “Margarida”, por exemplo... é retratado em várias histórias que são reproduzidas no livro, onde fica demonstrado nas histórias da Disney, que as relações são sempre de interesse...e quase sempre interesse financeiro.
Nesse mundo de interesses, os que estão em baixo aprendem a ser obedientes...submissos...disciplinados e a aceitar com respeito e humildade as ordens superiores. Por outro lado, os que estão em cima exercem sempre a coerção física e moral, além do domínio econômico. No mundo da Disney, ser mais velho...mais rico ou mais belo, dá imediatamente o direito de mandar nos outros. Os menos afortunados por sua vez, passam o dia a queixar-se, mas são incapazes de quebrar esse círculo de opressão.

Não quero me perder, assim como Josué Irion, procurando subliminaridades em tudo que vem da Disney      ( até por que cresci lendo gibis de todos os tipos...e particularmente os da Disney), apenas achei muito interessante a abordagem feita pelos dois autores no que diz respeito à ideologia imperialista.
O livro é pequeno e vale à pena ser lido. Sugiro ler juntamente com o livro “Filosofia da miséria” de Proudhon...e “Miséria da filosofia” de Karl Marx...este segundo sendo uma resposta ao primeiro.

Abraços a todos que se dispusera a ler este artigo.

Edson Moura

quarta-feira, 12 de maio de 2010

“Por que me julgam incrédulo?”


“Eu busco compreende-lo sem ouvi-lo...e tenho certeza que Ele me ouve sem escutar-me”. Pouco a pouco eu resgatei a minha fé em Deus, fazendo uso apenas da minha razão. Comecei a ver a assinatura do criador no delírio de um psicótico, no desespero de um deprimido, no perfume de uma flor ou no sorriso de uma criança.
Uma alma de poeta é a chave para a fuga do “casulo”...para o soerguimento dentre as ruínas. Faço das minhas perdas uma lâmina cortante para lapidar minha inteligência...coisa rara hoje em dia na sociedade moderna. A observação do mundo me conduziu a um caminho que inicialmente julguei demasiado perigoso, mas ao passarem-se os anos e as experiências, compreendi que uma luz muito mais sublime brilhara na minha existência.
Pensamentos psicanalíticos de um certo Levi Bronzeado ajudaram-me a deglutir algumas dúvidas massacrantes acerca do “eu” dentro de mim...vi ali a assinatura do Criador! Uma admiração quase idolátrica por símbolos e mitos, forjada em fogo alto na consciência de um  marinheiro chamado Eduardo Medeiros, levaram-me a enxergar além do “meu” cristianismo e contemplar a fé de outros povos...passando assim a entender que: “Aquilo que eles buscam, nada mais é do que aquilo que eu quero encontrar”...Veja ali a assinatura do Criador!
Pensamentos “pensantes”, totalmente racionais e raciocináveis, fluídos do interior do ser em “si” de um jovem prolixo chamado Marcio Alves, levaram-me ao método “metódico” de: “Ler...questionar e debater tudo aquilo que julgo dúbio ou até mesmo dogmático”...descobrindo assim, que, mesmo na dúvida, existe uma assinatura criadora de um Ser Criador, de tudo que fora criado. Na liberdade sexual de um jovem homossexual apaixonado pela vida, conhecido como Isaías Medeiros, eu pude aproximar-me de algo que julgava imoral, e hoje, vejo apenas como algo passional. Nessa alegria de viver o que se é, eu pude entender que: “ A vida é uma só...única e singular”...não podendo de maneira alguma sufocar o desejo natural de apenas desejar ser feliz. Encontrei neste comportamento julgado por muitos “anti-natural”, a natureza Criadora de um Deus compreensivo.
Por que julgam-me incrédulo!? Quando na verdade eu creio na existência de um Criador de todas as coisas?
Na probabilidade matemática de se encontrar um amor à 110 Km de distância de sua cidade...uma menina que lê o que escrevo, me enxergou em meio às minhas supostas “heresias”...me amou pelo que sou. Vejo na Ana Paula evangélica “sem igreja”...a assinatura do Criador. Pensamentos subjetivos...ironías...sarcasmo...fábulas a-religiosas. Nesses complexos mas belíssimos textos de um menino auto-didata, eu aprendi a fantasiar aquilo que só os “loucos” ousam fazer. “Coloquei a palavra na altura do homem e depois coloquei o homem acima do “livro”...um presente do homem para o Criador, isso é o que é, aquele livro que o homem chama de presente do Criador para a criatura. “Na assinatura do Esdras, eu vi o Criador endossar a minha liberdade”.
Deixem-me crer que o Criador existe...mesmo que a “fé” não seja o instrumento utilizado para tal feito!
Todos nós temos riquíssimas histórias, porém, elas passam despercebidas pelos preconceituosos olhares dos passantes. Observemos então, que muitos caminham por Avenidas do seu passado, com roupas rasgadas, corações despedaçados, feridas abertas...enfim, uma histórias de segredos que fora reconstruída e tornou-se uma bela poesia...”A poesia de encontrar marcas de um Criador, mesmo em meio dores e tragédias...dúvidas e afirmações...risos e prantos...drogados...ladrões...loucos e pensadores”,
Ainda acham que eu não creio em Deus?
Observem o mundo a sua volta, e vejam que só Ele poderia tê-lo criado! Mas acima de tudo: “Deixem-se ser observados pelo mundo que os rodeia e sinta que Ele também observa você...apenas não interfere. Chamem-me de louco, mas não esqueçam que os ditos “sãos” cometeram mais loucuras contra a humanidade que os chamados “loucos”... posso até ser perigoso, mas somente para aqueles que têm medo de pensar.
Edson Moura

sábado, 1 de maio de 2010

Circular aos confraternos 2

Eu (Marcio Alves) e minha amada esposa (Sirlene)


Caros amigos e leitores deste blog, venho por meio desta, lhes informar que ficarei a partir desta data, ausente por um breve período, desta e das demais salas do pensamento, pois estarei entrando no mês das minhas férias que se inicia hoje e vai até o final deste mês.

Estarei viajando ainda hoje à noite para o estado do Mato Grosso do Sul.
Onde ficarei hospedado não tem internet, sendo que a Lan House mais próxima fica na cidade, portanto, infelizmente não poderei durante este mês nem postar aqui meus textos, assim como também, não estarei comentando nos blogs dos amigos.

Sentirei muito mesmo a ausência de todos vocês, meus grandes amigos virtuais, porém reais.

Agora deixo o “outro evangelho” em boas mãos, confiando que o meu amigo e sócio EDSON MOURA, dará brilhantemente continuidade, mas ainda sim, também, conto com a colaboração de todos os confraternos para que esta sala continue com o altíssimo nível de reflexão, sempre ajudando o EDSON, como vocês fizeram comigo quando na sua ausência, não deixando esta sala vazia.

Esperando já ansiosamente retornar a esta e as demais salas,

Marcio Alves

sexta-feira, 23 de abril de 2010

“O Livro”

O mundo (existência) é um caos e ninguém sabe como interpretá-lo. Conhecemos mentes lúcidas e fantásticas, de homens que ousaram “pensar fora da caixa”. Einstein, Agostinho, Isaac Newton, Freud, Francis Bacon, Descartes e até mesmo Jesus, preveram um momento de “iluminação” do homem. Creio que não devamos buscar Deus nas alturas do “céu”, mas antes, dentro de nós mesmos...essa era também a mensagem do mestre (Jesus). “O reino dos céus está dentro de vós” disse o Galileu...”Conhece-te a ti mesmo” disse Pitágoras...”Não sabeis que sois deuses” disse Hermes Trimegisto. Muitos tentaram transmitir esta idéia.

Essa “profecia” de uma época de iluminação existe em quase todas as crenças e tradições filosóficas do mundo.Os hindus chamam de Krita, os astrólogos de Era de aquário, os Judeus a descrevem como a vinda do messias, os teósofos intitulam-na de Nova Era e os cosmologistas de convergência harmônica.

Acho incrível que ao longo da história, as mais diversas filosofias humanas, tenham concordado em uma coisa: “Que a grande ‘iluminação’ está por vir”. Em todas as culturas, em todas as épocas, em todos os cantos do mundo, o sonho humano se concentrou neste mesmo exato conceito: “Futura apoteose do homem, iminente transformação de nossas mentes e a descoberta de seu verdadeiro potencial”.

O que poderia explicar esta tamanha sincronicidade de crenças?

A verdade!

A Bíblia e os antigos pensamentos (mistérios) filosóficos são opostos completos. Um fala do Deus dentro de nós..do homem como deus. A bíblia fala do Deus acima de nós...e nela o homem é um pecador impotente. No instante em que a humanidade se separou do “deus” em si, o verdadeiro significado da palavra se perdeu e as vozes dos antigos mestres foram engolidas pela ladainha caótica daqueles que se auto-proclamam “escolhidos” e gritam serem os únicos a compreender a “palavra”...que está escrita na sua língua e em nenhuma outra.

Os antigos ficariam horrorizados se vissem como seus ensinamentos foram deturpados...como a religião acabou virando uma cabine de pedágio para o céu...como soldados vão para a guerra para massacrar seus “inimigos” acreditando que Deus está do lado deles. Jesus ensinou que o reino de Deus está entre nós, e até chegou a nos prometer que “Quem crê em mim fará as obras que eu faço e fará até maiores do que elas”...( a maior obra de Jesus foi amar a humanidade).

“Abandone a busca por Deus...em vez disso, procure por Ele, tomando a si mesmo como ponto de partida...conhece-te a ti mesmo”. O tempo é um rio...e os antigos livros são barcos, muitos volumes navegam por essas águas e acabam naufragados e irremediavelmente perdidos em suas areias, pouquíssimos são aqueles que suportam os rigores do tempo e vivem para abençoar as épocas futuras...a Bíblia é um deles. Existe um motivo para estes livros terem sobrevivido quando outros desapareceram. O espantoso é que esses antigos textos espirituais...os livros mais estudados do mundo...fossem os menos compreendidos.


Edson Moura

domingo, 11 de abril de 2010

“Jesus não era cristão... era apenas humano”


Por Edson Moura

"Coletivamente unidos por um pensamento muitas vezes confortante", assim caminha a humanidade rumo ao desconhecido e nunca visto “céu”. Quando foi, em que momento da história, que o ser humano começou a acreditar que a vida, muitas vezes dura e cruel, não era seu destino final?!. Quem será o culpado por transformar homens inteligentes e racionais, em seres alienados e sonhadores? Não posso acreditar que o “Galileu” filho de Deus, em sua passagem por este mundo, transformou homens em crianças (não crianças em sua inocência, mas sim na total insensatez e cegueira da realidade).

A realidade da vida já não importa, o único e importante alvo é chegar ao “lugar celestial”, onde não haverá mais pranto nem clamor nem dor. Lugar este onde o único Senhor e Criador será adorado por todos os dias até a consumação dos séculos. Inconsciente coletivo, dominador, mola propulsora que arremessa a “massa” para o infinito, na esperança infantil de encontrarem a si mesmos perdidos no vazio de um enorme nada.

A ciência nos diz (e eu creio nisso) que no universo existem buracos negros do tamanho de grãos de areia capazes de engolir galáxias inteiras... isso é extraordinário! A filosofia nos ensina que os pensamentos acerca da existência, libertam-nos de “gaiolas” psíquicas e nos fazem ver a vida com os olhos da realidade. “Pensamentos outrora pensados largados em meio à páginas amareladas de livros velhos, perdidos em estantes empoeiradas de sebos desconhecidas em cidadezinhas anônimas". Esses velhos e “obsoletos” pensamentos me fascinam, e é atrás deles que eu corro.

A religião nos mostra que a “massa” precisa de sua dose diária de “ópio”, para assim permanecerem anestesiados. “É preciso diminuir-se”, é preciso praticar o estoicismo, é necessário tornar-se débil para só assim sermos notados (por Ele). Os que acham que onde há razão, raciocínio lógico, dúvidas e questionamentos, não existe fé, estão redondamente enganados. Existe muito mais fé na mente de um filósofo existencialista que na cabeça de um cristão fundamentalista. É possível encontrar mais virtudes no budismo e taoísmo, do que no cristianismo histórico. Cristianismo este, que causou mortes, descaracterizou povos, escravizou negros, queimou mulheres e homens, esquartejou filósofos, calou gênios e ainda enalteceu tiranos, desencadeou perseguições fanáticas, invadiu continentes e dizimou nativos .

Mas o cristianismo precisa passar por uma nova mudança. É necessário aceitarmos uns aos outros, respeitarmos os direitos de culto livre, entendermos que somos iguais e acima de tudo que é “divino”sempre deve estar o próximo... seu irmão.

É por essas e outras tantas inquietações que eu Edson Moura afirmo: “Jesus não era ‘cristão’... era apenas humano”. Há a enorme possibilidade de que eu esteja errado, e talvez não passe de “cobre” e “vidro”, o que eu julgo ser “ouro” e “diamante”. Eu sei muito bem o quanto estamos sujeitos a erros sobre aquilo em que acreditamos e muito mais sei que os julgamentos favoráveis ao que escrevo, podem ser carregados de lisonjas quando feitos por amigos que nos amam. Então, não é minha intenção ensinar para ninguém, a maneira com que cada um deva conduzir sua razão, porém, sempre procuro mostrar o modo como conduzo a minha.

Obrigado a todos que chegaram a este ponto do texto.

sábado, 3 de abril de 2010

“O Jejum que a Deus agrada”

Por: Edson Moura
Acatando à sugestão do amigo Gilson, resolvi desenvolver um texto que falasse sobre Jejum. Assunto este que considero delicadíssimo, tendo em vista que muitos dos que praticam o jejum (para fins espirituais) praticam com um coração sincero. Por que hoje em dia, a maioria dos pregadores pentecostais insistem em “gritar aos quatro ventos “ que estão em consagração? (jejum)

Fico puto da vida quando uns idiotas como: Sergio Lopes...João Batista...Valdemiro Santiago...Silas Malafaia...Agenor Duque e outros charlatães do meio gospel, usam desse artifício para fazer com que a massa de seguidores fiquem em estado de êxtase. Como pode o povo ser tão estúpido? Será que eles não lêem a Bíblia...e não vêem que Jesus repreende os que assim agem?

Jejum é uma prática muito comum no meio religioso, todas as religiões existentes, cristãs ou não, usam desta forma de sacrifício para louvar as suas divindades. Mas o que verdadeiramente é o jejum para os cristãos? Uma simples abstinência de alimentos? Não!

Infelizmente muitos têm olhado para o jejum como um meio de adquirir bênçãos e ignorado o verdadeiro sentido desta abstinência. Ficam sem alimentar-se por um período, levado pelas circunstâncias (determinação da igreja ou algo semelhante), porém, não conseguem ver a grandeza deste ato que pode ser muito edificante. Infelizmente resumindo: Passam Fome!

Tenho que apelar para as Escrituras...coisa que raramente faço, como muitos aqui sabem.

Em Isaias 58.6,7 está escrito:

“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?"

Infelizmente este precioso ensinamento dado por Cristo pouco tem sido observado nos dias atuais, nos quais vive-se muito a aparência. E passar uma imagem de crente praticante deste sacrifico coloca sobre as costas uma capa de santidade. E o que deveria ser em secreto, torna-se extremamente aparente, à semelhança do Fariseu que se exaltando dizia a todos:

“Jejuo duas vezes por semana...” Lc 18.12

Eu porém vos digo: Quando Jejuares, que seja para sentir em seu corpo, como é ter fome. Só quem já passou fome na vida pode entender o que é não ter nada no estômago, ver suas vísceras revirarem em busca do que digerir. Assim, quando vires alguém com fome, poderão encher-se de compaixão e quem sabe, até possa comprar um prato de comida ou um pão com mortadela para JUNTOS comerem.

Quando jejuardes, que seja para dar limites ao seu próprio corpo, pois é sabido que o colesterol...diabetes...obesidade...e outras doenças relacionadas à má alimentação, ainda matam. Certa vez li um depoimento de Oscar Niemeyer, onde ele dizia que o segredo de sua longevidade...é o fato de comer pouco. Quem sabe ele também não jejue de vez em quando?

Agora: Fazer jejum para expulsar demônios...ser revestido de poder do alto...ser usado por Deus ou agradá-lo....isso eu to fora. Não acredito nessas coisas, nem acho nobre quem as pratica. Até acho que essas atitudes transformam os “jejuantes” em seres egocêntricos e pretenciosos que se consideram melhores que os demais irmãos que não têm forças para Jejuar.

Sou um homem racional, valorizo a mente humana e a razão acima de tudo, e isso freqüentemente me coloca em situações delicadas em relação à igreja. Minha língua e minha pena (caneta ou teclado já que escrevo no PC) às vezes são ferinas e mergulhadas em sarcasmo...ainda bem que estamos no século XXI.rsss


Obrigado à todos que chegaram até este ponto da leitura.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Bíblia realmente quer dizer isso?

Ou será que nós de forma “covarde’, tentamos associar aquilo que fora dito a mais de 3.000 anos, aos nossos dias? É desesperador ver a “ginástica” feita hoje por alguns pregadores para aplicar em nossas vidas, preceitos Mosaicos...e totalmente fora da realidade na qual vivemos...tanto política...moral...como sócio-cultural.

Um tema teológico muito característico no livro de Deuteronômio é o da retribuição: bênçãos para a obediência, punição para o declínio moral e espiritual. A ideologia da retribuição divina pelo pecado é abalada, por incrível que pareça, nos próprios profetas. A interpretação teológica feita pelos profetas da história de Israel, em grande parte baseada no conjunto de ideias do livro de Deuteronômio, utiliza idéia de retribuição divina para explicar o sofrimento de Israel e de Judá.

“No entanto acredito que essa teoria foi criada para se adaptar aos fatos por meio do uso habilidoso da retórica. A retórica profética é criada para fazer as contingências da história humana parecerem necessidades divinas”. O propósito dos profetas não é apenas avisar o povo sobre o desastre eminente...até porque isso poderia ser determinado pela simples observação da situação política, mas eles queriam sim, fornecer uma justificativa teológica para o exílio de Israel. O dom deles era o de contar a história de tal forma que a queda de Israel pareça inevitável, tendo como pressuposto o caráter de Deus e a corrupção espiritual do povo. Não podemos nos deixar levar pela força da retórica dos escritores bíblicos.

O fato de até mesmo , e arrisco dizer...PRINCIPALMENTE leitores modernos da Bíblia estarem inclinados a falar como se isso fosse óbvio, representa um tributo à habilidade retórica dos profetas clássicos.

O que sobra do texto bíblico depois de sua desconstrução? A resposta é simples:

Sua retórica...seu poder de persuadir além dos limites do raciocínio puro...sua capacidade de provocar seus leitores para que desejem seu sucesso até mesmo além de seu merecimento. E desta forma, a geração de crentes “moderna”, está cada vez mais presa àquilo que “está escrito”....mas esquecem-se que estas mesmas profecias antigas, ainda são usadas hoje para manipular os mais indoutos, angariando assim, mais e mais ovelhas, prontas para serem “tosquiadas” (quem lê entenda), bem diferente do caráter nobre com que os antigos profetas também manipulavam as escrituras.

Devemos ler as Escrituras, não para interpretar o mundo de maneira diferente, mas sim para mudá-lo, e até mesmo mudar-nos. O nosso ponto de partida para a interpretação da bíblica deve ser a situação dos pobres e dos oprimidos. Aquilo que a Bíblia significa parece diferente quando lemos no contexto do gueto, e não da universidade. A Bíblia na perspectiva dos pobres, favorece a aplicação...e não da explanação.

Se a Bíblia representa de fato a ideologia divina, ela não precisa ser considerada opressiva ou contrária à ética. Essa confusão não é inocente, pois é o meio pelo qual os poderosos (Clero) trafegam para impor seus sistemas de valores sobre os outros. A ideologia legitima o controle da classe dominante fazendo com que suas ideias e valores pareçam naturais, justos e universais. Assim, uma maneira de desfazer a Bíblia é expor suas ideias como historicamente condicionadas pelas lutas sociopolíticas do passado. Na pratica, a distinção entre USAR e INTERPRETAR a Bíblia é com freqüência difícil de ser traçada. Ainda assim a distinção parece fundamental. Por isso nos libertamos das amarras e optamos por pensar fora da gaiola...e acreditem...estou mais feliz agora que não vejo mais as Escrituras com os olhos da emoção e sim com os olhos da razão.

Edson Moura

terça-feira, 16 de março de 2010

"Arrebatados"

Por: Edson Moura

Ensinaram-me que um dia, todos os “crentes fieis” seriam arrebatados desta Terra, para enfim, habitar nos céus com Deus. Não sei bem ao certo, quando foi que deixei de crer nesta fábula (se é que um dia acreditei de verdade). Mas hoje muitos esperam ansiosos por este grande evento....mas que mentira!


Qualquer cristão honesto, sabe que na verdade, não quer ser “arrebatado”...pelo menos não antes de viver um grande amor, de desfrutar dos lucros de seu trabalho, de andar pelo menos 10.000 km com seu carro novo...entre outras maravilhas que só se encontra aqui na Terra (vida).

“Eu não quero ser arrebatado nunca!” Pois Jesus, o filho de Deus, entregou-se para que vivêssemos aqui, uma vida com abundância. Abundância de sentimentos, intensidade nos relacionamentos, prazeres inerentes ao homem que arrisco dizer: “Não se comparam com as coisas mais surpreendentes que nos fora reservado na “vida eterna”.

Tribulação? Sempre teremos. Os apóstolos passaram pela tribulação e não foram arrebatados dela, pelo contrário, tiveram mortes horríveis.

No século XXI, era da informática, revolução científica e tecnológica, fica mais difícil ainda acreditar que haverá de fato essa tal “tribulação”. É claro, os pastores sempre irão bater nesta tecla, pois é necessário que os fieis tenham medo, vivam apreensivos, aguardando um suposto arrebatamento ou segunda vinda de Cristo.

Pânico incutido na mente dos mais tímidos...este é o meu pensamento a respeito do que se “prega” hoje sobre escatologia.

Não tenho medo do “inferno”, assim como não vivo almejando o céu. Talvez..e eu disse TALVEZ, eu seja surpreendido, mas não acho que fará muita diferença, pois creio em Deus, e o amo pelo que Ele é, ou seja, criador. Creio em Jesus pelo que ele foi...a saber...filho de Deus, totalmente esvaziado, habitando entre os homens...como HOMEM, ensinando preceitos que transcendem os milênios.

Não vejo implicações no que diz respeito a se crer assim, afinal de contas, fujo das barganhas com Deus...nego-me a ser o “escolhido do Senhor” num mundo Caótico e escasso de utopias. Não oro pedindo bênçãos, nem o sirvo para receber galardão. Deus é amor, e quando me dei conta deste amor, percebi que era livre. Me considero um escravo alforriado que ouve seu senhor dizendo: Vá! Você é livre agora!

Então eu digo: Não! Quero continuar servindo (crendo), pois sou grato pelo que me fez!

Mas em contra partida, a maioria (vejam que não estou generalizando) pensa assim: Deus diz...venha filho, sirva-me por favor. Terá tudo o que quiser! Sararei sua terra...abençoarei sua prole...nenhum mal chegará a sua tenda...serás arrebatado enquanto os outros serão deixados para sofrer! No que o fiel responde:

Tá bom Senhor...mas olha, vou cobrar tudo que me prometera hein?!

Quero comer o melhor desta terra, quero ser cabeça e não calda, afinal, sou filho do “Senhor dos exércitos” e “tudo posso naquele que me fortalece!” Não aceito nada menos que o melhor!

Lamentável!!!

Criticam a mim e ao Marcio pelo que escrevemos...e pela forma como cremos. Mas na verdade não enxergam que nosso relacionamento como Deus é:
“Sem barganhas”

terça-feira, 2 de março de 2010

"Quem criou a Trindade?"


Por: Edson Moura

Como sempre, antes de iniciar meus textos, gostaria de deixar alguns pontos bem claros aos leitores: O que está em questão aqui, não é a filiação divina de Jesus, e sim a doutrina da trindade, no meu entender, criada por homens. A Bíblia é a palavra de Deus. O veículo por meio do qual Deus se comunica e inspira os homens através de Seus ditos, Seus costumes e Seus mandamentos. Estariam os trinitarianos, portanto, incorrendo na transgressão do primeiro mandamento?

Outro ponto de suma importância, e que devo salientar, é que: Não pretendo ofender ninguém com este artigo. Apenas gosto de pensar um pouco além das paredes da religião oficial, e com isso, tentar esclarecer questões a tanto tempo “engessadas”. Para os cristãos de hoje, a “Santíssima Trindade” não pode ser derrubada pela Ciência (com suas provas e pesquisas), pela História dos Concílios (com seus registros e evidências) e muito menos com o exame racional do tema (como já tentamos fazer em alguns comentários em salas de pensamentos). Então, recorro ao único veículo ainda aceito pelos cristãos e que, pode definitivamente, trazer clareza às nossas idéias, ou seja, as Escrituras sagradas ou Bíblia. (raramente uso a Bíblia para sustentar meus argumentos, mas neste caso específico, ela é de extrema necessidade, tendo em vista que fora à partir dela, que se criou a doutrina em qual vamos declinar nossos pensamentos).

Na história da religião cristã, a Trindade é realmente formada por três pessoas: Tertuliano (o inventor) Atanásio (o defensor) e Constantino (quem decretou). Mas vou deixar os fatos históricos de lado, pois os mesmos já são de conhecimento mais do que suficiente para todos (assim espero). Existem estudos claros e transparentes com base exclusivamente nas Escrituras e os mesmos deixam nitidamente esclarecidos a inexistência de uma Trindade na Divindade.

João 17:3 – E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.(grifo meu) Muitos debates têm sido travados e todos afirmam ter base bíblica para defender suas idéias. Uns entendem que a divindade é composta por três Deuses (o Deus-Pai, o Deus-Filho e o Deus-Espírito Santo) que são autônomos, mas que agem em cooperação. Outros afirmam que há apenas um Deus que se manifesta de três formas diferentes, mas é o mesmo Ser, uma única pessoa. Há ainda quem defenda que há um só Deus composto por três pessoas divinas, co-iguais, co-eternas, co-substanciais, a “Santíssima Trindade”.

Esta última forma de crença, a mais comum, é adotada pela ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) e pela maioria das igrejas protestantes. Para eles, Deus não é um ser pessoal, ou seja, Deus não é uma pessoa, mas três pessoas. Não são três deuses, nem uma só pessoa, mas um Deus Composto, um Deus-Tríplice, ou Deus-Triúno. Complicado? Sim… Na interpretação dos Trinitarianos este ensino é um mistério! Por que um mistério? Como tais ensinos carecem de uma base mais sólida e contêm contradições internas de difícil conciliação, seus defensores também ensinam que há um grande mistério por trás destes fatos e que ao ser humano não é dado compreender os mistérios de Deus. (muito conveniente não acham?)

“A Santíssima Trindade é um Mistério para ser aceito, não para ser compreendido”, foi a voz de muitos sacerdotes ao longo da Idade Média e que continua ecoando nos nossos dias. Diante de tais interpretações questionáveis, muitos acabam aceitando a “doutrina do mistério” e acreditando que sua salvação não depende do pleno conhecimento de Deus, já que o mesmo é um mistério não revelado. Cristo afirmou que a vida eterna depende do conhecimento do único Deus verdadeiro e de Jesus Cristo, o enviado de Deus (conforme João 17:3). Entretanto, em nenhum lugar na Bíblia é revelado o nome do Espírito Santo, pois ele é o próprio pneuma de Deus, ou seja, um princípio espiritual que (segundo os estóicos) seria a causa da vida.

Existem várias concepções da Trindade:

Um segmento dos trinitarianos, crêem em três pessoas divinas co-iguais e co-eternas, outros admitem diferentes níveis hierárquicos e de natureza, entre Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. Independente da crença, todos dizem ter razões bíblicas para acreditar que existem realmente três pessoas divinas e que esses três seres representariam um único Deus. Desse modo, tentam livrar-se da acusação de politeísmo.

Pois bem, tendo somente a Bíblia como critério de avaliação, consideraremos essas afirmações: Para serem co-iguais, as três diferentes pessoas da Trindade deveriam possuir idêntica autoridade e plena igualdade de poder. As Escrituras Sagradas são muito claras quanto ao fato de que Deus, o Pai, é evidentemente superior a Seu Filho.

Jesus refere-se a Deus como o “Altíssimo” na seguinte passagem: “Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus”. (Lucas 6:35). Isto é, aquele que ocupa a posição mais elevada, que está isolado em nível máximo, numa condição inatingível por qualquer outro ser.

Jesus afirma explicitamente nesta outra passagem que Deus é maior que ele:  “Ouvistes que eu vos disse: vou e volto para junto de vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu”. (João 14:28)

Falas de Jesus:

“Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. (João 13:16)

“O Pai, que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma”. (João 5:37) (Deus, que enviou Jesus seu filho) é, portanto, obviamente, maior do que ele)

Também o espírito Consolador é inferior ao Pai, uma vez que também seria enviado por Ele, segundo informa Jesus:

“Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.(João 14:26)

Tanto Jesus fala, quanto o apóstolo Paulo confirma na carta aos Coríntios, que Deus, o Pai, é maior do que tudo e todos. Vejam:

“Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai”. (João 13:29)

“Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, "exclui" aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”. (I Coríntios 15:27-28)

Por que será que Paulo não menciona o Espírito Santo no seguinte texto bíblico:

“Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele”. (I Coríntios 8:6) (Se o espírito Santo fosse realmente uma terceira e distinta pessoa divina, nada poderia justificar sua omissão)

Quando Paulo define o único Deus, ele omite qualquer referência ao Espírito Santo.

Quando Jesus cita, no Evangelho que Marcos escreveu aqueles que poderiam conhecer a data de sua volta, omite qualquer referência ao Espírito Santo. Vejam:

“Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai”. (Marcos 13:32)

Jesus Cristo nunca é chamado “Deus Filho” (mas sim, filho de Deus) no relato bíblico. Tudo que fez e disse foi realizado por ordem e permissão do Pai, a quem ele (Jesus) mesmo se referia como “Meu Deus”.

Quem defende a Trindade afirma que a mesma é um mistério e de difícil compreensão, nisso eu tenho que concordar, uma vez que realmente é muito difícil entender algo que segundo a Bíblia não existe, uma vez que Jesus afirma claramente que ele e o Pai são um. E não que Ele, o Pai e o Espírito Santo são um, como afirmam os trinitarianos.

O problema não é a ausência do termo “Trindade” na Bíblia, mas a ausência do conceito de um Deus triúno.

Onde na Bíblia está claramente descrito o conceito de um Deus formado por três pessoas? (Se alguém puder me mostrar, ficarei grato)

Que Deus continue nos abençoando, com paciência para esperarmos por uma revelação final...enquanto isso nos console com Seu espírito.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

“Sem Bíblia, sem filósofos...apenas com a vida!”

Por: Edson moura

Hoje acordei com um desejo profundo de desaparecer do mundo! Deparei-me com minha total impotência diante das agruras que atingem a humanidade. Perguntei-me o que é que eu estava fazendo para mudar o quadro que se agrava a cada momento enquanto eu me mantenho em estado letárgico.

Não consegui conter as lágrimas...ainda dentro do ônibus que me conduzia para meu trabalho. Provavelmente as pessoas que me olhavam com ar de espanto, ou curiosidade, se perguntavam: Olha aí! Mais um que perdeu alguém querido! E de certo modo elas estavam certas em suas conjecturas, pois era justamente este o meu pesar. Enquanto eu estou indo para o trabalho, outros tantos nem dormiram ainda por que passaram a noite velando o corpo de um filho, ou de um pai.

Crianças morrem às centenas, todos os dias na África...na Ásia...no Brasil! De fome..de AIDS...de câncer!

Ligo o rádio para tentar acalmar os nervos que estão em frangalhos, mas para meu azar...estava sintonizado na rádio “Musical FM”, e lá estava o “após-tolo” Ezequiel Pires, juntamente com seu quarteto de “labaredas de fogo”, anunciando sua nova vigília...a “vigília dos determinados” . “Deus quer que você determine sua vitória!...sua benção!..dizia ele. Só lamentei.

Que horror é esse que virou o Evangelho de Cristo? Um País de miseráveis e gente doente, sendo ainda por cima afligido por homens sem a menor decência, fazendo uma ginástica terrível para poder encher os bolsos de dinheiro. E eu...eu só escrevo numa página de internet...passível diante de tudo que denigre aquilo que Jesus veio nos ensinar.

Não uso Bíblia, embora seja ainda evangélico... mas nego-me a buscar sustentação nas Escrituras, para aquilo que está diante de meus olhos. Isso é para os covardes...que não têm coragem de encarar a vida, e respaldam-se em promessas que foram feitas à outras gentes, em outros tempos.

Não uso filósofos famosos, embora admire e conheça muitos, mas não posso aplicar pensamentos engessados à mais de meio século...à minha vida cotidiana. Aprendo mais sobre filosofia, caminhando pelos becos de uma favela...ou nas ruas do centro de são Paulo, do que lendo tratados filosóficos e teológicos que muitas vezes foram desenvolvidos em “torres de Marfim”...almejando somente a glória do próprio autor.

Uso apenas a vida! Desse jeito que ela é! Nua...Crua! Teologia se faz na rua, e não dentro de um auditório com ar condicionado!

Já se passaram 18 horas desde minha crise existencial repentina...talvez tenha sido causada pelo texto do meu irmão Marcio...ou pelo recente conhecimento (2 anos) de que Deus não olha mais pra mim pelo fato de eu ser crente Nele, preterindo assim os demais seres humanos.

O Evangelho no início, tinha uma proposta: “Nos tornar mais humanos”, Ensinar-nos a viver “com ou sem riquezas”, mostrar-nos como é “sentir a dor de um semelhante”, aprendermos como é “integrar-se à vida” e saber lidar com a dor e a frustração.

Por isso não posso escrever bobagens! Por isso não posso perder meu tempo em debates argumentativos, tornando-me aquilo que eu mesmo repudio...um “sofista”. Conheci a verdade, (a minha verdade) e ela não me dá escolhas. Se posso ajudar o próximo...então eu DEVO ajudá-lo. Sou responsável pelos meus atos, pois não sou mais um garoto...que sonhava em escrever um livro que ficasse nos anais da história. Devemos saber assumir responsabilidades... e nossas responsabilidades estão patentes aos nossos olhos, é só agir!

Envergonho-me de ser esse cara inútil, que tanto leu e nada aprendeu, ou se aprendeu não praticou....e se praticou não surtiu efeito na pessoa que está ao lado..caído ao chão...drogado, faminto e nu.

A proposta original deste blog era combater o mal que se apossou da sociedade, e, sobretudo dos Cristãos Brasileiros. Espero que o foco ainda esteja centrado no alvo, a saber: “A insensibilidade com o drama do outro”.

“O meu céu não tem mais estrelas porque sou cristão, mas sou cristão por ainda ver estrelas no céu”...quem lê entenda!

Abraços á todos os confraternos!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Circular aos "Confraternos"


Escrevo esta pequena epístola aos irmãos da C.P.F.G, com mãos trêmulas , pois é chegada a hora de botar o leãozinho pra descansar. Por motivos de força maior, eu Edson Moura Santos, estou retirando-me destas “salas de pensamentos”. Talvez seja um mal ainda não diagnosticado... Mas os sintomas são bem presentes:


Coração: Bate com esforço sobre-humano, luta bravamente para não ceder ao óbito, porque lá em seu profundo, a vontade é sair deste “orfanato” e partir com os novos “pais adotivos”.

Veias poéticas: Totalmente entupidas, nem uma safena resolveria, pois seria necessário uma “ponte” do tamanho da que liga a cidade do Rio à Niterói, pra somente amenizar as anomalias.

Membros: Já não se deixam dominar pelo seu senhor o “cérebro”, que também já está parcialmente comprometido. Os pensamentos já não se organizam, as ideias fogem como serpentes de dentro de um saco aberto, o raciocínio, esse nem se fala...nem sei se ainda existe vestígios dele por aí.

Alma: Totalmente abatida, angustiada até a morte, como diria o “Filho do homem”, busca repouso, não o eterno, apenas repouso.

Espírito: Este é o único que ainda manifesta reação aos medicamentos, embora esteja pronto, depende de sua carne pra não sucumbir.

Não sei por quanto tempo, talvez só alguns anos, mas a retirada é de suma importância. Todavia, estarei olhando por todos da “esfera blogueira”, mas sempre dos bastidores. Quero dizer a todos que aqui se expressam que:

Foi a melhor época da minha vida, estes últimos meses com vocês. Conheci muitos amigos... Amigos mesmo, e se não fosse pelas suas presenças aqui, certamente não estaria escrevendo este rabisco.

Não quero citar os nomes, para não cometer o erro de esquecer alguém, mas sintam-se todos abraçados por este irmão que se despede com lágrimas nos olhos. Não responderei comentários, mas os lerei sempre que meus olhos não estiverem nublados.

Peço perdão ao meu “sócio” Marcio Alves por abandoná-lo neste momento tão delicado, e deixar este fardo descansar sobre seus ombros. Confio em seu talento e paciência para administrar bem as disputas que surgirem... sempre atentando para a máxima: “Se em meio à crise, precisar usar aquilo que tem nas mãos(verdade e bondade), prefira sempre a bondade...para não magoar um irmão.”

Não se sinta só “mano”, estarei sempre contigo onde estiver, e onde caíres ali também cairei.

Cultivem sempre o amor, pratiquem com esmero, não se aprende amar se não estivermos caminhando no chão da existência... Aprende-se a amar, somente no choque da vida cotidiana.

Sentirei falta de todos, sem exceções, espero voltar um dia, e ainda encontrá-los por aqui.

Descobri algo precioso aqui dentro, e preciso lutar por ele lá fora. Não é covardia, apenas esperança...de um dia, ser feliz novamente.

Beijos!

Meus novos amigos CONFRATERNOS.

Edson Moura Santos

domingo, 24 de janeiro de 2010

"O Rico e o Pobre"

Por: Edson Moura


“Tudo é relativo”...disse o Gênio. Concordo com ele!


“Todo ponto de vista...é a vista de um ponto”. Disse outro.

A pobreza é vista hoje como uma doença que carcome a nossa sociedade. Seja pobre, e será infeliz! É a máxima. Seja rico e experimentará coisas fantásticas, sentirá sensações intensas.

Minha experiência de vida me ensinou que não é bem assim, aliás, é totalmente o contrário. Quanto mais pobre se é, mais intenso serão suas sensações. Não estou dizendo que devemos ser pobres. Até acho que, se uma pessoa tem capacidade para ganhar muito dinheiro, que o faça. Só estou dizendo que:

“Quanto mais condições de vida se tem, mais fracas se tornam sensações”

Por exemplo: Uma pessoa que pode, na hora em que quiser, ir até uma loja de eletrodomésticos e comprar uma geladeira nova, Jamais irá sentir a emoção que um pobre sente ao conseguir comprar uma geladeira também. A intensidade da alegria dos filhos deste pobre, nunca poderão ser comparadas à alegria fugaz que o filho do rico sentirá. Até a água gelada que eles beberem (os pobres), terão sabores diferentes...sempre mais intensos para os que podem menos.

A emoção que sinto, quando vou a uma livraria, e compro um livro que a muito tempo venho “paquerando” , é incomparável com a emoção (se é que haverá), da pessoa que pode comprar o mesmo livro, mas o deixará de canto, muitas vezes nem lendo-o. O brinquedo simplesinho que eu compro para meu filho em seu aniversário, trará para mim uma satisfação muito maior que a do rico.

Esta verdade, cabe em todas as situação na vida dos menos favorecidos financeiramente, sem exceções.Basta estarmos mais atentos às pequenas realizações de nosso dia-a-dia. A grandeza da pequenas coisas, está na sua efemeridade. Os diamantes são caros e desejados, justamente por sua raridade.

Infelizmente o “senso comum”, induz as pessoas a buscarem mais e mais sempre. A mídia televisiva bombardeia as mentes mais fracas com propagandas cada vez mais agressivas, causando nos “seres inferiores” uma decepção enorme por não poderem adquirir o que eles tentam vender.

Com isso param de olhar para os detalhes da vida, para as pequenas coisas, que às vezes passam despercebidas, porque estamos olhando para muito além do que nossas vistas alcançam. O prazer de poder saborear um alimento gostoso. A magia de viajar para um lugar paradisíaco. O perfume que as flores exalam aos primeiros raios de Sol. O carinho que um amigo desprende ao outro. Todas essas coisas podem parecer pequenas, mas na verdade são macro-espetáculos do cotidiano.

Veja:

Viajar para uma praia no Brasil, para o pobre...é mais intenso que viajar para Europa, para o rico.

Comer um contra-filé para um pobre...é mais prazeroso que comer caviar para um rico.

Assim como sentir o perfume das flores, para quem está livre...é diferente do sentir para quem está encarcerado.

A realidade é que nós não nos deixamos mais surpreender por Deus, que em Sua grandeza, mostra-nos que devemos olhar para as pequenas coisas. A vida vai passando rapidamente e nós vamos perdendo a sensibilidade. A causa desta perda significativa de sensibilidade para o “pequeno”, é a busca pela riqueza. Ela chega até mesmo fazer uma esposa rejeitar seu marido, se este não for ambicioso. Ou até mesmo, um filho que por seu pai não poder lhe dar um brinquedo qualquer, despreza-o.

A conclusão é que a vida do pobre, sempre vai ser mais intensa. A vida do rico beira o vazio. Não é ruim ser rico, o fato é que é infinitamente melhor ser pobre.

Raramente oro pedindo algo a Deus...mas quando peço, digo assim:

“Senhor, permita-me morrer pobre.”


“Qualquer homem que tem mais do que precisa para viver...é um ladrão” Ghandi

domingo, 17 de janeiro de 2010

"Lembranças de minha vida eterna"


Por: Edson Moura

Quando a escuridão se dissipou, uma luz intensa ofuscou meus olhos. Jamais pensei que houvera tamanha claridade, vinda do Sol. Ele estava com um brilho diferente, poderia até afirmar que ele estava mais próximo da Terra, mas não estava mais quente, pelo contrário, a sensação térmica era agradabilíssima.

Finalmente comecei a lembrar de forma fragmentada, da noite anterior. Eu estava esperando um ônibus no ponto da Av. Rebouças, quando de repente um automóvel desgovernado veio em minha direção. Lembro-me que não tive reação nenhuma, meus músculos se enrijeceram para esperar a colisão daquele monstro de ferro e aço contra meu frágil corpo de carne e ossos.

Meu Deus! Agora entendo! Eu Morri! EU MORRI!!

Acorde moço! Você não deveria estar tendo pesadelos! Sua memória deveria ter sido apagada quando veio pra cá. Desde que chegou aqui, você todos os dias tem sonhos com suas lembranças de uma vida passada. Aliás, Você não deveria nem dormir aqui...você deve aproveitar a Glória que resplandece do trono branco.

Você já me disse isso Senhor, mas alguma coisa saiu errada no meu caso. Já estou por aqui a quase 10.000 anos, e essas lembranças me atormentam.

Eu me lembro da minha vida lá embaixo, dos meus filhos, minha esposa, meus amigos...e sinto falta de tudo isso. Ainda ontem mesmo, eu passei por um rapaz que tenho certeza, era meu filho, falei com ele mas nem me respondeu. Meu coração bate desesperado quando vejo passar por mim minha esposa, e ela nem sabe quem sou.

Todos por aqui vivem em estado de Êxtase todo o tempo, parecem até zumbis. Ninguém por aqui chora. Ah como era bom chorar! Sentir aquelas lágrimas quentes correndo pelo meu rosto, sofrendo de amor ou até mesmo chorando de alegria por pegar no colo pela primeira vez minha filha ao nascer.

Este lugar não é bem aquilo que me diziam na igreja. Tudo se torna chato com o passar do tempo, e bota tempo nisso. E quando penso que será pela eternidade, não tenho mais vontade de fazer nada.

Meu filho, este é o céu! Todos seus irmãos estão aqui. O fato de eles não o reconhecerem, é por que eles receberam um novo corpo, e novas mentes. Tudo aqui gira em torno de meu Pai, Este era o grande plano Dele desde a fundação do mundo.

Aqui não se casa, aqui não existe pensamentos maus, pensamentos sensuais, desejos carnais e todos os outros desejos e sensações que vocês sentiam lá embaixo. Tem que ser deste jeito, pois é a vontade de meu Pai.


Já tentamos concertar o erro que cometemos no seu caso, mas de alguma forma, não conseguimos deletar suas lembranças. Elas fazem parte de seu Ser. Talvez seja porque você as viveu com muita intensidade, você levou ao pé da letra quando eu disse: “Vim para que tenham vida, e vida com abundância“.

Mas Senhor, o grande segredo da vida, é saber que um dia ela irá se acabar, por isso vivi de forma tão intensa. Eu vivia a cada dia como se fosse ser o ultimo. Eu aproveitava os detalhes da natureza, pra não deixar passar nada despercebido.

Quantas vezes eu não ficava olhando as borboletas a voar, sabendo eu que suas vidas seriam tão efêmeras? Eram flores com asas, que enfeitavam nosso planeta. Quantas vezes eu saboreei um pedaço de picanha, mastigando-o bem devagar, só para sentir o gosto da carne, descendo até meu estômago?

E quando eu saía correndo do trabalho, chegava em casa depois de ficar em pé quase 3 horas num ônibus lotado, só pra poder brincar um pouco mais com meus filhos. E eu só fazia isso, por que sabia que o tempo passava rápido, logo mais eles cresceriam, e deixariam as brincadeiras.

Mas aqui não! Aqui tudo perdeu o sabor, o prazer, pois sei que o tempo aqui não tem a menor importância. Para os outros que estão aqui, tanto faz, porque eles não tem memória, mas pra mim, que me lembro de tudo, é horrível!

Sem dizer, que nos é tirado aqui um dos maiores prazeres que nós tínhamos lá na “vida”, o sexo, melhor dizendo, o amor.

Quando fazíamos amor, era algo fantástico. Esquecíamos todos os problemas e nos entregávamos ao prazer. E o melhor disso tudo, é que quando chegávamos ao clímax, não durava mais que 15 segundos, mas eram os melhores 15 segundos do dia.

Filho, eu entendo tudo que você está me dizendo, e até já falei com meu Pai. Ele me disse que só existe uma maneira de corrigir este problema, mas não sei se você vai aceitar as condições. Quer que eu lhe fale, ou prefere, ignorar tudo e viver a aternidade aqui? Veja bem, estou falando de vida “ETERNA”!

Faço qualquer coisa pra sentir de novo as sensações que outrora senti!

Pois bem! Depois não vá se arrepender.

A proposta é a seguinte:


Ele tem o poder de lhe mandar de volta, exatamente para o mesmo momento em que você foi tirado de lá. Você viverá mais 50 anos, e depois morrerá. Não terá direito à vida eterna. Será aniquilado e sua alma e espírito voltarão para meu pai.


Ainda quer voltar pra vida filho?

Senhor meu, ainda que eu só tivesse mais dois dias lá na Terra, eu, mesmo assim aceitaria esta proposta.

Pois valerá muito mais à pena, olhar nos olhos de pessoas que conhecia, e dizer-lhes que as amo, e que nada no universo é mais prazeroso do que estar ao lado de quem amamos. Quero dizer-lhes também, que vivam com alegria a vida, pois ela passa, e depois o que vem é o vazio eterno.

Prefiro não viver eternamente, a viver e não poder reconhecer as pessoas que viveram comigo. Não quero passar por amigos como Marcio, Carlos, Gresder, Leví, Eduardo, Wagner, Jair e tantos outros que conviveram comigo, e não lembrar-me deles...isso seria triste.

Quero voltar, e certamente, viverei ainda mais intensamente esta nova vida.

Que assim seja então meu filho!



Que Deus nos permita lembrar, e nunca esquecer que fomos humanos, que amamos,que sofremos, que choramos...mas acima de tudo...que vivemos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Alcançado pela graça...a reabilitação de um traidor.



Por: Edson Moura


O texto que segue, nada mais é do que uma reflexão acerca das crenças que nos passaram através dos séculos. Minha consciência resiste em acreditar que Deus seria tão perverso ao ponto de usar uma vida inocente para realizar seus projetos

Muitos até poderão achar falhas no que escrevo, mas este talvez seja o intuito do artigo. Estou aberto a discussões, desde que elas venham a nos aproximar mais e mais uns dos outros.

O nome que ecoou pelos séculos:

Ninguém quer levar o nome de Judas Iscariotes.

Eu particularmente, até hoje, não conheço uma só pessoa com este nome, (alguém aí da blogosfera conhece?)

E por que?

Porque este nome foi manchado com o estigma da traição. Diferente dos demais apóstolos, que muitos querem imitar. Eu penso que, em vez de recriminação, o discípulo traidor é digno de pena ou misericórdia, até porque nós, embora sem levarmos o nome dele, temos caído, quem sabe, no mesmo erro.

Quem era Judas o Iscariotes?

Ele fora chamado pelo Mestre, igual aos demais discípulos.

Acredito que Cristo tenha visto nele um jovem inteligente, entusiasta, dinâmico, em quem se escondiam tremendas possibilidades para o bem.

De outro modo, nunca haveria sido chamado. Acompanhou o Mestre como os demais, recebeu insultos com o Mestre, sofreu fome com Ele, se alegrou com Ele em suas vitórias, foi testemunha de toda a glória do Senhor, e nela se alegrou, ele esteve lá.

Foi premiado com um posto de honra, ou seja, era um homem de confiança do Mestre, de outra maneira nunca haveria sido o tesoureiro daquele grupo.

Foi um grande administrador, possivelmente devido a sua habilidade, os discípulos não sofreram privações maiores.

Seus companheiros nunca duvidaram dele.

Pelo menos durante um certo tempo, Judas desempenhou seu trabalho fielmente, com absoluta honra.

Segundo o pensamento popular, muita gente merece o “inferno”, mas devemos recordar que a graça de Deus é infinitamente maior que nossa debilidade.

Pedro e Judas cometeram faltas parecidas: Pedro negou Jesus três vezes, e Judas o entregou. E agora Pedro é recordado como um santo e Judas simplesmente como um traidor.

A principal diferença entre os dois não é a natureza ou gravidade de seu pecado, mas sim a vontade de aceitar a graça de Deus. Pedro chorou seus pecados, voltou a Jesus, e foi perdoado. O Evangelho descreve Judas enforcando-se desesperado.

Será que não há mais misericórdia nesse ato desesperado do “traidor arrependido”, do que na ação do pescador temperamental?

Uma coisa é certa: Judas arrependeu-se e até tentou desfazer seu erro. E a graça? Será que ela não o alcançou?

Para aqueles que ainda acreditam que Deus controla a tudo e a todos, fica a reflexão:

Judas foi só um instrumento nas mãos do grande arquiteto do universo, um mero objeto do “grande” plano de salvação da minha, e, sua pessoa caro leitor. Judas não tinha como escapar desse destino tão infeliz que era ser o traidor do filho de Deus.

No dia do “Juízo”, Judas terá fortes argumentos para se livrar das acusações. Acho até que pelo caráter contundente das provas, nem precisará de “advogado”.

Afinal de contas, ele foi o maior colaborador para o plano de salvação da humanidade. Exigirá seus direitos (como diz o R.R. Soares)

Será que foi assim?

Creio que não.

Onde há o arrependimento...há também o perdão...foi isso que Jesus tentou nos ensinar.

Que a graça de Deus esteja em todos nós!